O Coletivo Cinefusão surge, no final de 2008, a partir da iniciativa de trabalhadores de diversas áreas - cinema, jornalismo, publicidade, artes cênicas, filosofia, arquitetura, fotografia -, empenhados em criar primeiramente uma rede colaborativa que pudesse dar conta da junção dessas linguagens e também da possibilidade de abarcar potencialidades em busca de produção artística independente, mas também de reflexões concretas acerca da sociedade. É principalmente sobre este último pilar de atuação política, que o grupo vem, atualmente, pensando o cinema, sempre vinculado a outras expressões artísticas e movimentos sociais.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

CINEFUSÃO NA 34ª MOSTRA - "O Estranho Caso de Angélica"


Após duas horas de atrasos e cerimônias entediantes, antes da sessão de “O Estranho Caso de Angélica”, foi exibido um vídeo enviado pelo próprio Manoel de Oliveira, em que ele se desculpa com o público brasileiro, visivelmente emocionado, por não poder estar ali, devido a problemas de saúde. Com 101 anos de idade, o diretor segue filmando, como um dos grandes do cinema mundial, tendo acompanhado praticamente toda a história da sétima arte. 

“O Estranho Caso de Angélica” trata da história de Isaac, um jovem fotógrafo de classe média que recebe uma ligação de uma família rica para tirar a última foto da falecida Angélica. Ao enquadrar Angélica, Isaac se apaixona e passa a viver um drama interior. O longa nos revela um Manoel de Oliveira muito lúcido e com capacidade criativa inabalada, mesmo que em determinados momentos, me pareça pecar pelo excesso, como nas sequências de sonho. 

Por mais que o filme não tenha me cativado por completo, não há como não reconhecer a habilidade narrativa e de composição do diretor português. Filmado inteiramente com planos fixos, muitas vezes em plongé, “O Estranho Caso de Angélica” não é um filme típico. Há algo de muito autoral nesse cinema centenário, feito por um realizador preocupado com a essência da própria imagem e também com o excesso de modernização do cinema. Manoel utiliza trucagens que nos remetem aos filmes de Meliés, homenageando um cinema que pulsa poesia. Da mesma forma, o personagem Isaac, registra as imagens de trabalhadores braçais camponeses, talvez para eternizar a beleza do homem que se auto-afirma transformando a natureza. Manoel de Oliveira insiste em ser um desses grandes homens.

Um comentário:

  1. Parceiro, belo trabalho! Bravo!
    Como amigo do cinema, ficaria contente com a sua navegação no blog O Falcão Maltês. Com ele, procuro o deleite cinematográfico.
    Abraços,
    Antonio Nahud Júnior

    www.ofalcaomaltes.blogspot.com

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