O Coletivo Cinefusão surge, no final de 2008, a partir da iniciativa de trabalhadores de diversas áreas - cinema, jornalismo, publicidade, artes cênicas, filosofia, arquitetura, fotografia -, empenhados em criar primeiramente uma rede colaborativa que pudesse dar conta da junção dessas linguagens e também da possibilidade de abarcar potencialidades em busca de produção artística independente, mas também de reflexões concretas acerca da sociedade. É principalmente sobre este último pilar de atuação política, que o grupo vem, atualmente, pensando o cinema, sempre vinculado a outras expressões artísticas e movimentos sociais.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

CURTA: Partido Alto "Vamo vadia ô nego?"

Sempre que compartilho alguma obra, seja aqui no blog ou mesmo na mais informal das conversas, tento repassar tudo aquilo que acredito ser relevante enquanto arte, que pressupõe crescimento, beleza, luta, estética. Nem sempre farei boas análises ou sequer análises.

Digo isso, principalmente, porque a obra sobre a qual me atrevo a falar hoje, me causou sensações tão particulares que não conseguiria exprimir em poucas ou quaisquer palavras. Isso seria empobrecê-la.
No entanto, de teimoso, tento.

"Partido Alto", dirigido por Leon Hirzsman, é humano. É a expressão sincera da virtude que brota junto ao subdesenvolvimento. Homens e mulheres que cantam e tocam, maravilhosamente, ao lado de mesas de madeira, cadeiras que não podem ser chamadas exatamente de sofisticadas. É a afronta à academia, através das palavras de Candeia. É belo. É a forma mais sincera de amor, não só ao samba, mas a tudo aquilo que é puro e, lastimavelmente, no final, devorado pelo mercado.

A arte se constrói assim como no partido alto. Temos uma base onde podemos improvisar e, em cima de erros, acertos, experimentos, algo nasce. Algo novo, vivo e que, definitivamente, não nasceu para ficar apenas pendurado em uma prateleira, com uma etiqueta marcada por um cifrão.


"O samba tem, hoje, muitos compromissos, que reduzem a criatividade dos sambistas aos limites ditados pelo grande espetáculo. No partido, porém, tudo acontece de um jeito mais espontâneo. Por isso sempre haverá partideiros. E o verso, de improviso ou não, refletirá as verdades sentidas na alma de cada um. Vamo vadia ô nego?"

Paulinho da Viola em "Partido Alto, Leo Hirzsman"

Cinefusão apoia trabalhadores da Rede cultura

Nesta segunda-feira (9/8), às16h, os trabalhadores da Rede Cultura se reuniram em assembléia para debater o plano de reestruturação anunciado recentemente pelo presidente da Fundação Padre Anchieta (mantenedora da rede), João Sayad.

As mudanças pretendidas pelos gestores da rede poderão acarretar a demissão de cerca de 1400 trabalhadores dos 2150 que integram a fundação. Somente a não renovação dos contratos com a TV Justiça e a TV Assembléia pretendida pela mantenedora levará à demissão de 400 funcionários.

A reestruturação prevê também a extinção de diversos programas que compõe a grade da TV Cultura, um das poucas emissoras públicas que ainda mantém uma produção de relativa qualidade. Programas como “Login” e “Manos e Minas” saíram do ar. Estão na mira agora os programas “Vitrine” e “Entrelinhas”, que foram suspensos temporariamente.

O Jornalismo da emissora também será reestruturado. A idéia é manter somente as produções realizadas em estúdio, com isso seriam dispensados todos os funcionários que trabalham com produções externas – cinegrafistas, produtores, entre outros.

A Fundação pretende transformar a TV Cultura numa espécie de reprodutora, ou seja, privilegiar a produções privadas, terceirizadas.

Projeto de privatização

Durante todos esses anos, a rede vem sofrendo com a diminuição de investimentos, a falta de repasses de verbas, assim como acontece com os serviços de saúde e educação. Tal política colocou a Rede Cultura no mercado, para concorrer com as emissoras privadas. “Ao jogar a Cultura no mundo da disputa do mercado o governo deixa de cumprir com suas obrigações, pois a emissora é pública, é patrimônio da população e, por isso, tem de servir aos anseios da população e não às estratégias de mercado”, aponta Raul Marcelo (psol). Por conta do descaso do governo Serra com o serviço público de comunicação, os equipamentos estão sucateados, os postos de trabalho estão precarizados e rede serve hoje como um enorme cabide de empregos.

Além do sub-financiamento, segundo o diretor do Sindicato dos Radialistas de São Paulo José Marcos, “ninguém sabe para onde vai a verba que vem da venda de produtos da Cultura, como comerciais, programas e outras produções”.

“Sayad acredita que é a Cultura é uma TV ‘velha’, que não precisa do espaço que tem hoje e nem de tantos trabalhadores”, conta José Marcos.

A próxima assembléia acontece na quinta-feira (12/8), às 14h, após a reunião da presidência da mantenedora com representantes do Sindicato dos Jornalistas, Sindicato dos Radialistas e da CUT (Central Única dos Trabalhadores).

Matéria editada, fonte: http://raulmarcelo.com.br/2010/2010/08/09/raul-marcelo-declara-apoio-aos-funcionarios-da-tv-cultura/

Para saber mais, leia também matéria publicada pela Carta Capital e a entrevista concedida pelo jornalista Laurindo Leal à revista.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

SP Escola de teatro - Cursos Regulares



A Escola proporciona oito Cursos Regulares. A abordagem dos conteúdos prefigura como se fossem oito escolas em uma, dado o grau de interdependência e horizontalidade nos cursos. Cada um deles oferece 25 vagas, admitindo-se, num primeiro momento de funcionamento, um total de 200 aprendizes.

O advento da SP Escola de Teatro demarca a luta pela regulamentação de algumas profissões historicamente relegadas no Brasil, como a do dramaturgo, função-chave tanto na fase moderna como na fase contemporânea do nosso teatro.

No programa de estudos oferecido, vale observar que cursos como Iluminação, Sonoplastia e Técnicas de Palco, contam finalmente com um ensino formal e regular correspondente ao nível médio profissionalizante – dado novo entre as Escolas de Teatro no Brasil.

Cursos gratuitos:

Atuação
Cenografia e Figurino
Direção
Dramaturgia
Humor
Iluminação
Sonoplastia
Técnicas

SP Escola de Teatro
Avenida Rangel Pestana 2.401 - Brás - São Paulo SP
CEP 03001-000
Tel: 11 2292.7988/ 2292.8143
http://www.spescoladeteatro.org.br/index.php

COMPARTILHAMENTO DE PESQUISA: OBRA ENVIADA POR FERNANDO GROLLA

Essa seção é dedicada para todos os trabalhadores de arte que estejam interessados em compartilhar seu trabalho(qualquer linguagem) no blog, exibindo-o e relatando sua pesquisa.
Sobre a obra por Fernando Grolla:
Novos Gutemberg's é um filme que retrata um movimento artístico e cultural muito presente na juventude de décadas passadas e com o passar do tempo vem perdendo forças, devido ao contexto social, hoje temos muitos meios de expressar nossa rebeldia e nossos pensamentos, diferentes de décadas atrás. Um filme que conta através de uma montagem simples e uma narrativa clara, essa forma de arte muito amada e odiada pela sociedade, que cada vez mais esta próxima de seu fim.
Fernando Grolla
Diretor/ Dir. fotografia

Rubem Alves e a Catedral

Reproduzo aqui a coluna de Rubem Alves, publicada hoje (domingo, 08 de agosto), no jornal de Campinas "Correio Popular". Rubem Alves é um dos fundadores da chamada "teologia da libertação" e nessa coluna ele transcreve um texto do filósofo Pascal Mercier (pseudônimo de Peter Bieri). Independentemente de qualquer espécie de religão, há grande beleza na catedral de Bieri. Além disso, complementa o post do Danilo Santos, abaixo, sobre o plebiscito da propriedade de terra.


A CATEDRAL - Por Rubem Alves

“A terra!
Esse grande templo abandonado pelos deuses,
 a obrigação do homem é povoá-lo de ídolos à sua imagem,
indizíveis, rostos de amor e
pés de barro.”
(A. Camus)
Por vezes eu me defronto com textos de tanta beleza e profundidade que sinto vontade de silenciar minhas palavras para que apenas a beleza e a profundidade sejam sentidas. Hoje não resisti. Resolvi me calar. A primeira frase me chegou como uma onda vinda de funduras marinhas e estremeceu minha alma. Vinícius se sentiu como “um círio numa catedral em ruínas”. Luto para manter de pé a minha catedral, torres, vitrais, sinos, órgão, espaços silenciosos... Essa catedral é a minha alma... Transcrevo o texto de Pascal Mercier, do livro Trem noturno para Lisboa.

“Não quero viver em um mundo sem catedrais.Preciso de sua beleza e da sua transcendência. Preciso delas contra a vulgaridade do mundo. Quero erguer o meu olhar para seus vitrais brilhantes e me deixar cegar pelas cores etéreas. Preciso de seu esplendor. Preciso dele contra a suja uniformidade das fardas. Quero cobrir-me com o frescor seco das igrejas. Preciso de seu silencio imperioso. Preciso dele contra a gritaria no pátio da caserna e a conversa frívola dos oportunistas. Quero escutar o som oceânico do órgão, essa inundação de sons sobrenaturais. Preciso dele contra a estridência ridícula das marchas.

Amo as pessoas que rezam. Preciso de sua imagem. Preciso dela contra o veneno traiçoeiro do supérfluo e da negligencia. Quero ler as poderosas palavras da Bíblia. Preciso da força irreal de as poesias. Preciso dela contra o abandono da linguagem e a ditadura das palavras de ordem. Um mundo sem essas coisas seria um mundo no qual eu não gostaria de viver.

Mas existe ainda um outro mundo no qual eu não quero viver: Um mundo em que se demoniza o corpo e o pensamento independente e onde as melhores coisas que podemos experimentar são estigmatizadas e consideradas pecado. O mundo em que nos é exigido amar os tiranos, os opressores e assassinos, mesmo quando seus brutais passos marciais ecoam atordoantes pelas vielas ou quando se esgueiram, silenciosos e felinos, como sombras covardes pelas ruas e travessas para enterrar, por trás, o aço faiscante no coração de suas vítimas.

Entre todas as afrontas que se lançaram do alto dos púlpitos as pessoas, uma das mais absurdas é, sem duvida, a exigência de perdoar e ate de amar essas criaturas. Mesmo se alguém o conseguisse isso significaria uma falsidade sem igual e um esforço de abnegação desumano que teria que ser pago com a mais completa atrofia. Esse mandamento, esse desvairado e absurdo mandamento do amor para com o inimigo, serve apenas para quebrar as pessoas, para lhes roubar toda a coragem e toda a autoconfiança e para torná-las maleáveis nas mãos dos tiranos, para que não consigam encontrar forças para se levantar contra eles, se necessário, com armas.

Não quero viver em um mundo sem catedrais. Preciso do brilho de seus vitrais, de sua calma gelada, de seu silencio imperioso. Preciso das marés sonoras do órgão e do sagrado ritual das pessoas em oração. Preciso da santidade das palavras, da elevação da grande poesia. Preciso de tudo isso. Mas não menos necessito da liberdade e do combate a toda a crueldade. Pois uma coisa não é nada sem a outra. E que ninguém me obrigue a escolher.”

domingo, 8 de agosto de 2010

Cia Elevador de teatro panorâmico oferece curso gratuito

A "Cia Elevador" oferece, gratuitamente, o curso "Campo de visão". Um técnica desenvolvida para o treinamento do ator, por Marcelo Lazzaratto. Além de ser sua tese de mestrado na unicamp em 2003, o método é usado com base para as peças da companhia.

As inscrições estão abertas e serão feitas apenas por email: Enviar curriculo e carta de intenção para: inscricao2010ciaelevador@gmail.com

Dia 25 de agosto - Contato com pré-selecionados.

Dia 30 de agosto - Entrevistas

Dia 1 setembro - Resultado

Maiores informações: http://www.elevadorpanoramico.com.br/

Mostra “O Jovem Almodóvar” na Biblioteca Viriato Corrêa


A Biblioteca Viriato Corrêa apresenta a mostra “O Jovem Almodóvar” com exibições dos primeiros filmes do diretor espanhol Pedro Almodóvar, incluindo o inédito no cinema “O que eu fiz para merecer isso?” e o primeiro grande sucesso internacional “Mulheres à beira de um ataque de nervos”

Veja a programação completa abaixo:

Pepi, Luci e Bom (Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón, Espanha, 1980, 82 min). Dir.: Pedro Almodóvar. Com Carmen Maura, Olvido Gara, Eva Silva e outros. +18 anos. Pepi, uma mulher maluca, Luci, uma sádica, e Bom, sadomasoquista casada com um policial que violentou Pepi ao encontrar maconha no apartamento dela, tornam-se grandes amigas. Dia 6, 16h. Dia 7, 18h

Labirinto de Paixões (Laberinto de pasiones, Espanha, 1982, 100 min). Dir.: Pedro Almodóvar. Com Cecilia Roth, Marta Fernández-Muro, Antonio Banderas e outros. +18 anos. Jovem homossexual, filho de um imperador árabe, chega a Madri em busca de diversão. Na cidade, ele se envolve com um terrorista gay, que se apaixona por ele, e com uma cantora de rock ninfomaníaca. Dia 6, 18h. Dia 20, 18h

Mulheres à beira de um ataque de nervos (Mujeres al borde de un ataque de nervios, Espanha, 1988, 90 min). Dir.: Pedro Almodóvar. Com Carmen Maura, Antonio Banderas, Julieta Serrano e outros. Ao ser abandonada pelo amante, atriz de televisão descobre estar grávida e tem o cotidiano de seu apartamento ainda mais perturbado com a chegada de uma amiga que se envolveu com um terrorista, do filho rejeitado do ex-namorado e sua noiva e da mãe do rapaz que acabou de sair do manicômio. Dia 14, 16h. Dia 22, 18h

Kika (Espanha, 1993, 114 min). Dir.: Pedro Almodóvar. Com Verónica Forqué, Peter Coyote, Victoria Abril e outros. +16 anos. Maquiadora é feita refém em seu apartamento por um ex-ator pornô que fugiu da prisão. Uma apresentadora de um programa sensacionalista tenta cobrir o atentado, e descobre uma história sinistra que envolve o amante da garota e seu padrasto. Dia 15, 18h. Dia 21, 16h

O que eu fiz para merecer isso? (¿Qué he hecho yo para merecer esto?, Espanha, 1984, 101 min). Dir.: Pedro Almodóvar. Com Carmen Maura, Verónica Forqué, Gonzalo Suárez e outros. +16 anos. Família problemática vive em um pequeno apartamento em Madri. A mãe trabalha como faxineira e é viciada em comprimidos; o pai tem adoração por uma cantora alemã; um filho vende heroína e o outro, adolescente, faz sexo com homens mais velhos. Para completar a confusão, a sogra da mulher tem um comportamento estranho. Dia 20, 16h. Dia 21, 18h

Biblioteca Viriato Corrêa
R. Sena Madureira, 298 - Ipiranga - Sul. Telefone: (11) 5573-4017.
Fonte: Catraca Livre

Qual a nossa posição?


ENTREVISTA DO POETA E AMIGO VINÍCIUS DE MORAES - 1953
Vinícius
- Como chegou você à posição política?
Portinari
- Não pretendo entender de política. Minhas convicções, que são fundas, cheguei a elas por força da minha infância pobre, de minha vida de trabalho e luta, e porque sou um artista. Tenho pena dos que sofrem, e gostaria de ajudar a remediar a injustiça social existente. Qualquer artista consciente sente o mesmo...(Retirado de http://www.casadeportinari.com.br/)
Assim como no texto citado, não tenho a intenção de, nesse momento, levantar grandes discussões sobre o papel do artista no que diz respeito à política. Contudo, o que ainda me faz acreditar ser um trabalhador de arte/cultura é o fato de que, de alguma forma, essa opção estética, que não tem obrigação de estar vinculada à nada, me indica um eterno crescimento, transformação do eu, do coletivo.

Pode parecer um altruísmo de fachada. E também não sou exatamente um historiador para dizer, exatamente, por quanto tempo vivemos em certos modelos de sociedade diferentes mas não necessariamente transpostos, vencidos. Mas um bom exemplo é o do plebiscito em questão, muda-se o modelo do "senhor", um novo "capitão do mato", mas não a condição. Não digo que já tenha uma opinião formada sobre o fato, até pela cabeça confusa que tenho. Mas vale a pena pensar.

sábado, 7 de agosto de 2010

“Festival de Cinema Brasileiro: 16mm” na Biblioteca Roberto Santos

De 7 a 28 de agosto a Biblioteca Roberto Santos recebe o “Festival de Cinema Brasileiro: 16mm”.

Veja a programação completa:
Banana Mecânica (1973, 85 min). Dir.: Braz Chediak. Com Rose Di Primo, Carlos Imperial, Felipe Carone e outros. +16 anos. Psicanalista exerce fascínio em suas pacientes e se envolve em diversas aventuras eróticas durante as sessões de terapia. Dia 7
Um Casal de Três (1982, 110 min). Dir.: Adriano Stuart. Com Otávio Augusto, Sandra Barsotti, Laura Cardoso e outros. +12 anos. Rapaz mulherengo se apaixona pela vizinha. Ao descobrir que ela está grávida, planeja livrar-se do pai da criança. Dia 14
Sete Mulheres Para Um Homem Só (1976, 85 min). Dir.: Mozael Silveira. Com Rubens Abreu, Bianchina Della Costa, Lameri Faria e outros. +12 anos. Motorista aluga quartos para garotas na mansão dos patrões, que estão de férias. Para atraí-las, diz que participarão de um musical, mas três delas planejam assaltar a casa. Dia 21
O Ibraim do Subúrbio (197l, 80 min). Dir.: Astolfo Araújo e Cecil Thiré. Com Paulo Hesse, Wilson Grey, José Lewgoy e outros. +16 anos. Querendo ascender socialmente, alfaiate do subúrbio planeja fazer uma grande festa de casamento para sua filha e, assim, aparecer nas colunas sociais. Dia 28

CIA. BORELLI DE DANÇA ESTRÉIA COREOGRAFIAS INCORPORADAS AO SEU REPERTÓRIO

De 28 de julho a 15 de agosto, a Cia. Borelli traz ao palco do Kasulo - Espaço de Cultura e Arte - os espetáculos “Versos Íntimos” e “Ponto final da última cena”, obras que integram o projeto “Morte – Manifestação e Reflexão”, contemplado pelo 7° Programa Municipal de Fomento à Dança.

“Morte – Manifestação e Reflexão” tem como proposta agregar espetáculos que tem como matriz criativa principal a morte. Nestes espetáculos, o coreógrafo Sandro Borelli mostra uma combinação de linguagens do teatro e da dança, focalizando a figura humana na sua verdadeira essência: fraco, covarde, inseguro e solitário, do nascimento à morte.

Em “Versos Íntimos” o coreógrafo se inspira na fragilidade das relações humanas, transitando nas ambigüidades “amor e ódio” como amantes inseparáveis.

Em “Ponto final da última cena” busca na doença do “Mal de Alzheimer” elementos para construir uma poética de recordações, apresentando o ser humano encarcerado em si mesmo até a morte.

Nestes dois espetáculos o que interessa é dilaceração física, moral e espiritual. Assume - se, assim, a busca por uma imagem nua e crua da figura humana, tendo a morte como companheira vital e necessária para a sua libertação. Tudo o que é posto em cena é feito sem concessões, com a convicção de que a arte lida não apenas com a estética, mas também com a ética, procurando o entroncamento entre reflexão e diversão.
 
Informações: www.ciaborelli.com

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sessão "Jango" de Sílvio Tendler + "Poesia Resistente" com Núcleo do 184 - Sábado, 07/08 -

"Jango" de Silvio Tendler + "Poesia Resistente" com Núcleo do 184

Às vésperas do Golpe de Estado de 1964, o Brasil vivia um processo de importantes transformações sociais modernizadoras e democratizantes. Durante a curta existência do governo João Goulart (de setembro de 1961 a março de 1964), um novo contexto político tinha se aprofundado no país, sendo marcado por propostas governamentais de cunho popular, as quais acirraram ainda mais a luta social, política e ideológica já movimentada do período. De um lado uma crescente mobilização das classes populares (com destaque para a ampliação do movimento sindical operário e dos trabalhadores do campo), que se confrontava cada vez mais, de outra parte, com uma organização e ofensiva política dos setores empresariais e militares alinhados com os interesses do imperialismo norte-americano. Sabe-se quem levou a melhor na história...

Rodado em 1984, "Jango" (de Silvio Tendler) retrata a carreira política de João Belchior Marques Goulart, presidente deposto pelos civis-e-militares em 1º de abril de 1964. Na obra, Tendler procurou mostrar a política brasileira da década de 60, desde a candidatura de Jânio Quadros, passando pelo golpe civil-militar, as manifestações da UNE e os exílios. O filme é narrado pelo ator José Wilker e conta com depoimentos de Magalhães Pinto, Aldo Arantes, Raul Ryff, Afonso Arinos e Francisco Julião, entre outros.

Neste sábado contaremos também com uma Intervenção Poética do Núcleo do 184: "Poesia Resistente", com textos de Geir Campos, Vinícius de Moraes, Nicolas Guillan, Pablo Neruda, Solano Trindade, Thiado de Melo, Moacir Félix, Afonso Romano de Santana, Cecília Meireles. A seleção de poemas ficou a cargo de Dulce Muniz e Roberto Ascar. E o coletivo de atores e recitadores será composto por Anderson Negreiros, Rubem Espinosa, Roberto Ascar, Leandro Lago, Maria Rita Mello e o músico Lucas Vasconcelos. Sob a direção geral de Dulce Muniz.

Depois seguimos ao nosso Debate Entre Gerações de Militância: o quê mudou da Ditadura Civil-Militar para os nossos dias? Quais desafios permanecem, e como eles estão sendo enfrentados atualmente?

Mais informações: http://bijoucinememoria.blogspot.com/

ESTRÉIA SÁBADO (24/07/2010), às 14hs no Teatro Studio 184 (Pça Roosevelt, 184 - antiga Sala Sérgio Cardoso do CINE BIJOU)

Inscrições abertas para festival de filmes lusófonos e francófonos

Estão abertas até o dia 20 de setembro as inscrições para o Fest’Afilm 2010, evento cujo objetivo é promover um encontro entre a lusofania e a francofonia através do cinema. O festival acontece de 3 a 5 de dezembro na cidade francesa de Montpellier. Na programação, haverá exibição de longas-metragens, médias-metragens e curtas-metragens. Serão selecionados para a mostra competitiva filmes de 5 a 12 minutos de países onde se fale a língua portuguesa ou francesa. Para fazer a inscrição é necessário entrar em contato com a organização do evento pelo e-mail festafilm.lusophonie@gmail.com e solicitar a ficha.

I Taboão Rock Fest

Dia 15 de agosto, ao meio dia, Taboão da Serra recebe o I Taboão Rock Fest. O Festival acontece no Pachá e contará com as Nervos, Gigant3, Gazza, Superduo e Fast Food Brazil.

Revista Vídeo Popular


A publicação é disponibilizada pelo "Coletivo de Vídeo Popular", no site http://videopopular.wordpress.com/revista/

Curtíssimo - Los Gritones

O curta "Los Gritones" tem apenas 1min e 15 segundos e consegue de forma simples ter força.
Gostei muito. O que acham?

Debate com grupo de teatro alemão em cartaz no Brasil

Debate e compartilhamento com a cia de teatro alemão andcompany&co. sobre a peça FatzerBraz, neste sábado, às 15h, na Cia São Jorge.






A andcompany&Co. e os artistas dos grupos Cia São Jorge, Kiwi, opovoempé e Pessoal do Faroeste convidam para uma conversa sobre a peça FatzerBraz, espetáculo resultado do encontro desses artistas brasileiros e alemães, em cartaz esta semana no SESC Pompéia.

A conversa acontecerá neste sábado (7/8) das 15h às 18h, no espaço da Cia São Jorge: Rua Lopes de Oliveira, 342 -(ao lado do metrô Marechal Deodoro) Tel: 38249339.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

CURTA - POR UM CINEMA TUPINIQUIM

Em “Um Trailer Americano” (curta que segue publicado abaixo),  José Eduardo Belmonte propõe uma reflexão principalmente acerca da marginalidade artística. Esta vista, principalmente, sob a ótica cinematográfica, daquele que sofre com as imposições de uma indústria virtual. Diferentemente do cineasta/personagem André Luiz Oliveira,  Belmonte não fez parte do movimento que se denominou “cinema marginal”, a partir da década de 60, mas dialoga com ele, trazendo recursos estéticos que justificam a criatividade imposta pela falta de recursos. É assim que a marginalidade se impõe também como estética original que, no caso de “Um Trailer Americano” se reflete principalmente na forma. Belmonte opta por uma estrutura que imita um trailer de filme, mas ironicamente feito de forma caseira, artesanal. E é justamente a partir dessa estrutura que se estabelece a dinâmica do filme e começamos a perceber o seu conteúdo essencial: a crítica ao apego doentio pelo cinema norte-americano e sua indústria. Belmonte alia forma e conteúdo e mostra na prática como o cinema brasileiro deve incorporar a falta de recurso e assumi-la como estética, para somente assim ter uma obra verdadeiramente tupiniquim. 

Logo que o filme começa somos apresentados a uma situação peculiar: Nádia, Flores e Mustang vivem dentro de um trailer quebrado, enquanto os dias passam e eles assistem a trailers de filmes americanos que passam em um drive in próximo ao local. Sem qualquer tipo de cronologia narrativa, somos apresentados a diferentes momentos desses três personagens que adoram filmes americanos e os assistem de binóculos, quase sem conseguir enxergar ou até mesmo sem entender nada, pois não há legendas, enquanto no mesmo terreno, a menos de 10 metros, uma equipe de filmagem brasileira roda um longa que eles ignoram. A partir daí, pequenos trechos de dramaturgia são intercalados a letreiros que surgem em placas nas mãos de pessoas comuns, em diferentes locais da cidade de Brasília. Essas cartelas antecipam os próximos movimentos do filme e contribuem em seu conteúdo para o deboche de um modelo norte americano que insistimos em copiar. O próprio nome do filme e a situação a que somos apresentados contribuem nesse sentido ao passo em que a palavra “trailer” é um empréstimo de vocabulário.

Propositalmente, Belmonte nos apresenta personagens que estão parados no tempo, aguardando passivamente o conserto de um trailer, sem qualquer tipo de perspectivas e conversando sobre amenidades quaisquer. Além disso, os três se apegam a um espaço defunto dentro da estrutura cinematográfica, o drive-in, e se questionam sobre o porquê da vida não ser igual a um filme. Novamente, a crítica à utopia cinematográfica de se ter um cinema no modelo americano que se compara aqui ao viver como num filme. Por fim, talvez o melhor momento de “Um Trailer Americano” seja a participação do cineasta André Luiz Oliveira que, com uma placa escrita “metalinguagem” na mão, se propõe a explicar o filme aos espectadores. Roberto Bomtempo (o ator, pois trata-se de uma pausa na narrativa – se é que existe – do filme) o interrompe e o manda “tomar no cu”. Em outro momento, a mesma cena se repete e o ator pergunta a André Luiz se “isso é um filme?”. Assim, José Eduardo Belmonte já antecipa que não devemos procurar explicações em seu filme, invalidando até mesmo esse texto que, para não se sustentar apenas nas interpretações, termina com algo opinativo e simples: gostei muito de “Um Trailer Americano”.

 

PROJETO O QUE É CINEMA
CICLO "TRILHA SONORA"
O projeto tem como objetivo além de apresentar um bom filme ao expectador, buscar também uma discussão e entendimento do que é e como funcionam os departamentos de criação responsáveis pela produção de um filme, como por exemplo, roteiro, direção de arte, edição, etc. Este mês o tema será a Trilha Sonora.
Para este ciclo de Agosto, serão exibidos os filmes:










Todas as exibições tem a ENTRADA FRANCA!


Será fornecido declaração de participação para universitários e interessados. programação sujeita a alterações.
Informações:
local: Cineclube Adamastor - Av. Monteiro Lobato, 734 - Macedo - Guarulhos
informações: 2087-4171 - email: cineclube.adamastor@gmail.com
http://cineclubeadamastor.blogspot.com/

FRAME: "Elefante" e a obsessão norte americana

Projeto pretende ensinar americanos a não errar tiros
"Com o lema 'envolva-se em sua vida', proposta defende que o tiro é fundamental para a identidade do país. Além das aulas de tiro, participantes ainda recebem informações históricas sobre América colonial."


Essa matéria foi publicada no uol exatamente no mesmo dia em que assisti ao filme "Elefante", dirigido, roteirizado e editado por Gus Van Sant. Coincidência ou não, achei interessante o fato, já que a crítica na obra é muito mais próxima da matéria citada, do que propriamente o atentado cometido pelos dois garotos - que entraram na escola armados de bombas e metralhadoras, após um cuidadoso plano para execução de alunos, profesores, funcionários, etc.

No filme, cada um dos personagens, todos jovens durante o colegial, é retratado sob uma câmera parecida com aquelas de games como "007", onde os personagens são seguidos ou perseguidos, definindo-os como "terceira pessoa" - ele(a) - em longos planos-sequência. Isso possibilita nossa observação sobre eles, sem que saibamos suas personalidades por completo, se são"essencialmente maus", como o atleta popular ou ainda extremamente oprimidos, como a nerd. Isso não importa de fato.

Portanto, a obra não busca traçar a linha entre burros e inteligentes, brancos e negros, democratas e reacionários, nerds e descolados. E nem tenta justificar o atentado dos dois garotos pelo seu comportamento junto ao colégio ou em família. Mas sim, e daí o principal motivo da citação à matéria, o filme desenha o perfil de um país obsessivo pelas armas e que ainda acredita ser o imã centrípeto do mundo.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Retrospectiva do ímpar Kiyoshi Kurosawa

Um Kurosawa menos conhecido, mas nem por isso menor.
Ainda é cedo para lembrar, mas o diretor japonês Kiyoshi Kurosawa ganhará uma retrospectiva inédita, durante a 10ª Indie - Mostra de Cinema Mundial, evento que é realizado anualmente em Belo Horizonte e São Paulo.  O festival, que conta com uma seleção de 120 filmes esse ano, acontece de 2 a 9 de setembro, em Belo Horizonte, e de 16 a 23, em São Paulo.

Kiyoshi Kurosawa - que não é parente do outro Kurosawa, o Akira - é um dos principais diretores contemporâneos do Japão e representa, na minha opinião, o que há de mais refinado no mundo em cinema fantástico. A retrospectiva mostrará toda a diversidade de seus filmes, passando por "Charisma", "Cure", "Pulse", entre outros. Abaixo, o trailer do belo e enigmático "Sonata de Tóquio",  enfeitiçado pela sem igual "Claire de Lune", de Debussy.