O Coletivo Cinefusão surge, no final de 2008, a partir da iniciativa de trabalhadores de diversas áreas - cinema, jornalismo, publicidade, artes cênicas, filosofia, arquitetura, fotografia -, empenhados em criar primeiramente uma rede colaborativa que pudesse dar conta da junção dessas linguagens e também da possibilidade de abarcar potencialidades em busca de produção artística independente, mas também de reflexões concretas acerca da sociedade. É principalmente sobre este último pilar de atuação política, que o grupo vem, atualmente, pensando o cinema, sempre vinculado a outras expressões artísticas e movimentos sociais.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

CURTA KINOFORUM - Imagem Esvaziada

Sem dúvida, o curta “Cinema” traz belas imagens que, corte após corte, suscitam significados intensos sobre a condição humana. No entanto, ao final da projeção, fica a impressão de que a insistente busca pela afirmação da imagem em si tenha se esvaziado. Mas, ao mesmo tempo, sentimos que o diretor Eder Santos Jr. queria justamente trazer esse vazio que flutua no interior de Minas Gerais e no próprio cinema. Confesso que tive que me distanciar do filme para trazer algum sentido à tona e passar a compreender a sua proposta de reinvenção estética. Não conhecia a obra do cineasta mineiro, mas, num primeiro momento, tive a sensação de que o filme poderia ser bem mais curto, mas talvez isso invalidaria a abordagem do tempo como próprio epicentro do curta.

Há uma melancolia nas tomadas de Eder e também uma nostalgia antecipada, pois vemos cada imagem, com a constatação de que ela pode sumir a qualquer momento, por mais que, em alguns momentos, ela permaneça na tela por tempo suficiente para refletirmos inclusive sobre o porquê de tanto tempo, como é o caso da imagem de um poste de luz. Passamos a buscar significados diversos para o tal poste, mas como não podemos ter a precisão semântica, esvaziamos o sentido e nos abrimos para a pura e sublime contemplação.

“Cinema” também propõe, através de constantes manipulações imagéticas, uma reflexão acerca das mudanças que a tecnologia trouxe à sétima arte. Assim, sobreposições, fusões, desfoques, grafismos, fades e outros dispositivos se repetem para nos questionar o que é cinema hoje em dia. Volto a minha sensação inicial de que as imagens se esvaziaram. Por mais que entenda alguma das intenções do curta, subjetivamente não foi um filme que me trouxe grandes sensações e me parece que a técnica acaba, de vez em quando, se sobressaindo, em detrimento do objeto cinematográfico. Talvez, as interferências nas imagens não tenham me cativado, mesmo tendo consciência de estarmos diante de um belo investigar cinematográfico.

domingo, 22 de agosto de 2010

CURTA KINOFORUM - Épico ferroviário

Dividido em estrutura épica, “Magnífica Desolação” nos impõe a presença da máquina, tal como é imposta ao maquinista, de forma brutal. O contato do espectador com essa máquina ferroviária se dá através de elementos cinematográficos que buscam a subjetividade, tais como a intensidade sonora exacerbada e enquadramentos que reproduzem aquilo que poderia estar observando e escutando o personagem. Após imergir o espectador nessa jornada grandiosa, o curta avança permeado pela voz off de um maquinista que acentua o tom melancólico da solidão aterradora que o personagem enfrenta. Aqui, já entendemos a magnífica desolação que o título antecipa, pois estamos, sem dúvida, diante de uma experiência paradoxal, que tem a sua beleza justamente no seu triste vazio. 

É em meio a esse cenário que sentimos o alívio passageiro que o maquinista sente ao parar em um bar, tomar cerveja, jogar sinuca e conversar com eternos desconhecidos. Sentimos o alívio épico, mas com a triste sensação de que aquilo é efêmero, como próprio ser humano. Este que Fernando Coimbra quer colocar em contato intrínseco com aquilo que ele mesmo criou: a brutal beleza da máquina. Há um amargo espírito de desbravamento da natureza. Assim, vemos lindas imagens de paisagens que são cinematograficamente atravessadas por cortes bruscos para imagens barulhentas do trem em movimento. Entendemos a crueldade de uma dialética impossível de ser harmoniosa: natureza e maquina estão em oposição.

Da mesma forma, Coimbra se aproveita da linguagem do cinema para tratar de algo que lhe é própria: o tempo, que no caso do maquinista parece estancado, em contraste com o tempo da máquina que é outro, frenético. O penúltimo capítulo é de uma tristeza ansiosa, daquele ser solitário que insiste em voltar, mas parece nunca chegar. A voz off seca e amarga já nos atravessa de uma forma incômoda, pois, agora sim, sentimos a dureza dessa jornada. A tensão da volta reflete uma câmera inquieta e nervosa, que parece buscar uma estabilidade na paisagem deslumbrante que ela atravessa. Estamos saturados emocionalmente de uma viagem sem volta. Chegou a hora de nos distanciar, buscar entender aquela experiência de uma forma objetiva. É aí que o diretor Fernando Coimbra nos apresenta um belo epílogo, em que o alívio se dá por uma visão romântica das viagens ferroviárias. Vemos recriado aqui um famoso diálogo entre uma garota e um maquinista, eternizado no também magnífico e desolador “A Besta Humana”, de Jean Renoir.


PS: A expressão “magnífica desolação” ficou famosa ao ser usada pelo astronauta americano Buzz Aldrin para resumir o momento em que pisou na lua.

CINEFUSÃO ACOMPANHA 21º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS DE SÃO PAULO

De 19 a 27 de agosto, o Cinefusão acompanhará o 21º Festival Internacional de Curtas de São Paulo., em parceria com o projeto "Crítica Curta". Ocasionalmente, postaremos aqui nossas impressões sobre alguns curtas, sendo que abrimos o diálogo com o realizador que terá espaço para postar e comentar o seu filme. Por entender a crítica não como uma avaliação para o público, mas sim como um espaço de reflexão e troca entre realizadores, tentaremos sempre enviar os textos por email aos diretores dos curtas, ampliando a discussão. Vale a pena conferir o belo documentário "Crítico", dirigido pelo crítico/realizador Kleber Mendonça Filho. Não há como separar o ver do fazer.

 
 A crítica como forma de reelaboração do olhar

Durante festival, serão apresentados 400 filmes, em dez salas da cidade, todas com sessões gratuitas. A programação pode ser consultada no site www.kinoforum.org.br

sábado, 21 de agosto de 2010

Festa de Família

Um dia

Semblante amarelo

Amarelo, assim como o sorriso forçoso em minha CARA

Na TV

Rodrigo Faro faz casais rebolarem

De uma caixa ele retira seus futuros

BEIJO DE CINEMA, AMASSO, BEIJÃO!

O green day chamaria isso de “Alien Nation”

Para mim, apenas chato, chato pra caralho

Tudo acontece na sala

Algumas cadeiras perto dos sofás

As crianças gritam,

Clamam insistentemente por atenção

Os homens

Todos MÁSCULOS, VIRÍS!

Sobre seus olhos

tudo é GAY!

E ser gay é ruim

Tudo é perturbadoramente agradável

A luz amarela já não me incomoda

Nem os casais

Que vivem a morbidez obesa do matrimônio

A mim, “ARTISTA”

Me resta, apanhar mais um salgado sobre a mesa

Comê-lo!

Apanhar novamente meu copo com guaraná

E misturá-lo ao whisky

Tomando cuidado para que nem meu pai, nem meus sobrinhos sintam o cheiro

A mim, “ARTISTA”

Me resta, ainda acreditar que sou “MAIOR” que tudo isso

Um observador, discreto, intransponível

A mim, “ARTISTA”

Me resta

Assistir, assistir, assistir, assistir, assistir, assistir, assistir...

E escrever

Mini Festival Argentino

Acontece no dia 28/08 no Centro Cultural da Juventude o "Mini Festival Argentino". Totalmente gratuito!
Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso
Contato: (11) 3984-2466
Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641 - Vila Nova Cachoeirinha - São Paulo - SP
Maiores informações:

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

FRAME: O Inferno de todos nós

O diretor bósnio Danis Tanovic passou a ser conhecido após o seu surpreendente e primeiro longa metragem “Terra de Ninguém”. Só esse fato já justificaria uma conferida no seu segundo filme “O Inferno”. Além disso, o filme é parte de um projeto, deixado pelo consagrado Krzysztof Kieslowski, antes de sua morte, para uma trilogia baseada na “Divina Comédia”, de Dante Alighieri, divida em três partes: “O Paraíso”, “O Inferno” e “O Purgatório”. O primeiro dos roteiros, “O Paraíso”, foi filmado pelo alemão Tom Tykwer (Corra Lola, Corra). 

O filme de Danis Tanovic dividiu a crítica, sendo que alguns consideram um trabalho de uma presunção que não se justifica. No entanto, me incluo entre os que admiraram mais essa obra corajosa de um diretor ousado, que abusa de movimentos de câmera e de um refinamento estético exagerado, mas coerente com a proposta.  Estamos aqui diante de um intenso drama familiar, com todos os significantes atrelados à figura feminina. Amparado na figura mitológica da Medéia, Tanovic amarra três histórias simultâneas de forma competente e revela uma direção segura e ritmada. Ainda voltarei a falar mais de “O Inferno”, mas por enquanto fica a dica de mais um belo exercício cinematográfico, talvez enfraquecido por algumas atuações, mas imageticamente muito forte. Segue, abaixo, a visceral abertura do filme. Reparem como Tanovic consegue tirar beleza da mais pura crueldade.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Ato pela Democratização da Comunicação

 

Participe do ato público em Campinas proposto pela Abraço (Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária)  em defesa das rádios comunitárias  e com o apoio do Comitê pelo Direito de Lutar que reúne diversos movimentos e organizações sociais de Campinas e região. O Comitê pelo Direito de Lutar reúne as organizações que apoiam este ato: MTST, MST, MTD, Flaskô, Coletivo de Comunicadores Populares, Camará, PSTU, Conselho Regional de Psicologia, MNU - Movimento Negro Unificado, Coletivo Intervozes, Sindicato dos Radialistas do Estado de SP, Grupo Tortura Nunca Mais- SP,  Centro Acadêmico XVI de Abril (Direito PUCC).  

Hoje, a liberdade de expressão no Brasil só é realidade para 9 grandes famílias que controlam os grandes meios de comunicação. Vinte mil comunicadores de rádios pequenas estão sendo processados ou foram condenados por buscar exercer sua liberdade de expressão e seu direito à comunicação.  Uma política que defende os poderosos e condena a população ao silêncio se utiliza de uma legislação restritiva e da burocracia administrativa para deixar as rádios comunitárias na marginalidade. Emissoras que pediram legalização há mais de 10 anos ainda esperam pela resposta do poder público. 

As rádios comunitárias são importantes instrumentos de valorização das lutas sociais e da cultura local. Se as leis de comunicação neste país fossem realmente cumpridas, somente as rádios comunitárias existiriam. E seriam abolidas as emissoras comerciais que funcionam única e exclusivamente para a busca do lucro. É contra essa situação que condena muitos e protege alguns que vamos protestar. Se você defende a liberdade de expressão, não deixe que ela seja apropriada por poucos. Vamos dar voz aos que não tem voz.
 
Ato Público em Campinas pela Democratização da Comunicação 
19/08(quinta-feira) a partir das 11h - concentração na Flaskô

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Cia Parabelo convida



Maiores informações:
66765815
Obs: Em caso de chuva não haverá espetáculo.

Festival Flaskô - Fabrica de cultura


A Flaskô, o grupo de teatro Cassandras (Ana Luiza Junqueira, Bruna Lopes, Carolina Chmielewski e Sara Mello Neiva) e a Fábrica de Esportes e Cultura vêm convidar a todos para o Festival Flaskô Fábrica de Cultura, o primeiro festival de artes da Flaskô!

Apresentações de música, teatro, dança e mesas de debate. Dias 27, 28 e 29 de agosto (sexta, sábado e domingo). Para mais detalhes, acesse o site: http://festivalflasko.posterous.com
 
Caso queira fazer contato, basta escrever para festivalflasko@gmail.com
 
A Flaskô, fábrica que produz bombonas de plástico, foi ocupada pelos operários em junho de 2003. Desde então vem buscando sua estatização, com controle nas mãos dos trabalhadores. O grupo de teatro Cassandras, composto por atrizes formadas pela Unicamp, juntou-se à Flaskô com a vontade de construir nesse espaço um campo fértil para discussões entre a fábrica, os movimentos sociais, a comunidade acadêmica e a população local. Acreditamos que a arte pode desempenhar um papel importante nesse sentido, uma vez que, atuando no campo simbólico e na construção coletiva, pode dar indícios de uma vida menos pré-determinada, de uma sociedade mais apropriada de si. E assim trazemos a público o primeiro Festival Flaskô Fábrica de Cultura! Bóra lá!

sábado, 14 de agosto de 2010

Debate sobre arte e marxismo a partir do texto "Cultura e Arte ante a Objetificação dos Seres Humanos".

O debate ocorrerá no dia 19 de agosto, quinta-feira, pontualmente às 19:00, no Centro Cultural Mario Pedrosa (RUA TABATINGUERA, 318, PRÓXIMO À ESTAÇÃO SÉ DO METRÔ).

Este será o primeiro módulo da formação em arte e marxismo proposta pela Esquerda Marxista para o ano de 2010. Os outros dois módulos, cujos temas são "Indústria Cultural e Capitalismo Contemporâneo" e "A Cultura Popular Transformada em Mercadoria", ocorrerão no mês de setembro. Mais que apontar questões, buscar ações e estratégias que permitam a resistência e organização dos trabalhadores da arte neste momento que vivemos, a partir de nossas experiências e vivências.
"Não nos prendamos ao espetáculo da contestação, mas passemos à contestação do espetáculo."
Grafite do Maio de 68

3° Festival "A praça dos bonecos"

Sobrevento, Teatro Ventoforte, Pia Fraus, Truks, Ópera na Mala, As Graças, Teatro por um Triz, Imaginário, Mamulengo da Folia e Mão na Luva – alguns dos principais grupos de teatro de animação de São Paulo participam de evento que acontece até 17 de outubro, aos domingos, com acesso gratuito ao público.

Trata-se da 3ª edição do Festival A Praça dos Bonecos, uma iniciativa do Grupo Sobrevento, com o apoio do Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, do Governo do Estado de São Paulo.

O objetivo do evento é difundir a riqueza e diversidade do Teatro de Animação em uma área carente de atividades culturais do estilo, como é o caso do Parque Chácara das Flores, na Zona Leste da cidade.

Confira abaixo a programação:

08/08/2010: 15hAs Pelejas de Benedito com o Boi Surubim na Fazenda do Coronel Libório - Mamulengo da Folia

15/08/2010: 15hBonecos Aqui! - Grupo Sobrevento

22/08/2010: 15hA Benzedura da Caipora – Grupo Mão na Luva

29/08/2010: 15hOs Fantasmas da Ópera – Cia Ópera na Mala

05/09/2010: 15h - Gigantes de Ar - Pia Fraus

12/09/2010: 15h - Pinóquio Etc e Tal - Teatro por um Triz

19/09/2010: 15h - Poemas para Brincar - Cia.Teatral As Graças

26/09/2010: 15hUm Rio que Vem de Longe - Teatro Ventoforte

03/10/2010: 15h - Cidade Azul – Cia.Truks

10/10/2010: 15hMozart Moments – Grupo Sobrevento

17/10/2010: 19h - Cadê o meu Herói? - Grupo Sobrevento

SERVIÇO: 3ª edição do Festival A Praça dos Bonecos Data: Até 17 de outubro. Domingos, às 15h. (O espetáculo de encerramento será realizado às 19h). Local: Parque Chácara das Flores – Estrada Dom João Nery, 3551, Itaim Paulista Informações: (11) 2963-1055, 3399-3589, info@sobrevento.com.br ou http://www.sobrevento.com.br/ Entrada Franca

II Mostra de Mímica

Com o tema “Caminhos, Perspectivas e Diálogos da Criação”, acontece de 12 a 22 de agosto em São Paulo a II Mostra de Mímica Contemporânea, realizada pelo grupo Angatu, com o apoio do Programa de Ações Culturais da Secretaria de Estado da Cultura.

Nesse segundo ano do evento, serão realizadas palestras, workshops, espetáculos, e exposição, com participação de convidados de diferentes estados brasileiros e de fora do país. Estarão presentes: Helena Katz (PUC –SP), Antonio Alfredo Teles de Carvalho (UNEAL – AL/PB), Fernanda Carlos Borges (FECAP – SP), George Mascarenhas (Padma – BA), Deborah Moreira (Padma – BA), Ana Teixeira (Amok Teatro – RJ), Stéphane Brodt (Amok Teatro – RJ), Leela Alaniz (Cie. Pas de Dieux – Paris/França), Janaina Tupan (Platform 88 – Paris/França), Sebastien Loesener (Platform 88 – Paris/França), Marcya Harco e Paulo Drumond (Cia Lúdica – SP). Também está entre os convidados o diretor Thomas Leabhart (EUA), autor das principais obras sobre a Mímica Contemporânea e ex-assistente do grande nome da Mímica Moderna (Etienne Decroux – 1898-1991), que coordenará um treinamento voltado à criação cênica, além de uma palestra e apresentação de um espetáculo-demonstração.

Durante a mostra, haverá a exposição “Visíveis Urbanos”, que traz uma primeira parte histórico-conceitual sobre a Mímica Contemporânea, além de dialogar com as artes visuais de modo que o público faça parte das construções dos olhares sobre esta arte. Além disso, serão apresentados três novos espetáculos da Cia. Angatu “Darwin, tudo evolui exceto o coração dos homens”, “Corpo de Lama” e o infanto-juvenil “Altos e Baixos”. Todas as atividades da Mostra serão gratuitas e acontecerão na Oficina Cultural Oswald de Andrade.

Confira a programação completa em www.mimicas.com/iimimica.html

SERVIÇO: II Mostra de Mímica Contemporânea De 12 a 22 de agosto Local: O.C. Oswald de Andrade – R. Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo/SP Informações: (11) 3221-5558 / 3222-2662 / oswalddeandrade@assaoc.org.br Para mais: www.mimicas.com Entrada franca

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Cinema para todos

Gostaria de compartilhar algo que, para mim, é um passo primordial para termos um salto qualitativo relevante enquanto sociedade, tomando o ponto de vista cultural como enfoque, nesse caso. Claro, que ações como essa devem ser muito mais constantes em todas as linguagens. Mas já é um grande passo.

Além disso, um dos motivos principais do qual ressalto a relevância dessa ação é que, infelizmente hoje "o cinema" - me refiro não só a realizadores, mas principalmente à formatação das leis de incentivo para cinema, já que no teatro a contrapartida social está inserida como critério principal de seleção -, no que diz respeito aos editais de DINHEIRO PUBLICO, parece ignorar a chamada CONTRAPARTIDA SOCIAL. Elemento simples de devolução ao povo daquilo que ele mesmo - O POVO - está investindo.

O programa Cinema para todos

O CINEMA PARA TODOS estimula e democratiza o acesso ao cinema provocando debates e reflexões dentro e fora das salas de aula. O Programa atua na formação de público para o cinema nacional através da distribuição de vales-ingresso gratuitos a alunos, professores e diretores da rede pública estadual.

O principal objetivo é levar alunos e educadores da Rede Pública Estadual aos cinemas de suas cidades gratuitamente para assistirem a filmes brasileiros. Possibilitar o acesso aos cinemas representa contribuir para a formação cultural das futuras gerações e para a valorização da produção audiovisual nacional.

Em sua segunda edição, o programa irá distribuir 800.000 vales-ingresso com a meta de atender a 25 municípios do Estado ao longo de 2010. Todas as cidades participantes possuem pelo menos um promotor que realiza visitas às escolas para divulgar o programa e distribuir os vales-ingresso aos alunos e educadores.

Os vales são aceitos nas salas de cinema conveniadas ao programa todos os dias da semana, em sessões de filmes nacionais, incluindo o período de férias escolares. A distribuição acontece para alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, Ensino Médio e o Ensino de Jovens e Adultos (EJA) da Rede Estadual.

Maiores informações e programação: http://www.cinemaparatodos.rj.gov.br/

FESTIVAL DE BRASÍLIA ABRE INSCRIÇÕES PARA SUA 43º EDIÇÃO

Curta "Cerol", realizado pelo Coletivo Cinefusão, fez parte da seleção do último Festival

Estarão abertas, até o dia 30 de setembro, as inscrições para as mostras competitivas do 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que será realizado entre os dias 23 e 30 de novembro de 2010. A ficha de inscrição e o regulamento estão disponíveis no site da Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal, http://www.sc.df.gov.br/ e no http://www.festbrasilia.com.br/.

Cabe um debate acerca do fato de que, um dos maiores e mais reconhecidos festivais de cinema do Brasil, o Festival de Brasília ainda é um dos poucos que se mantém resistente ao separar os curta metragens digitais dos realizados em 35mm, destinando maior visibilidade e maiores prêmios a estes últimos. Como amante do cinema, também gosto mais da beleza do 35mm, mas talvez a democratização passe pela unificação dessa competição. Fica a provocação para que possamos discutir isso.

Mostras competitivas 
A mostra competitiva dos filmes em 35mm será composta por seis (06) filmes de longa-metragem e até doze (12) filmes em curta ou média-metragem, concluídos a partir de outubro de 2009, inéditos no Distrito Federal, preferencialmente inéditos no país e que não tenham obtido o prêmio de melhor filme do júri oficial em festival nacional.  

A mostra competitiva digital será composta por filmes de curta-metragem digital de até 20 minutos, captados em 8mm, 16mm ou em vídeo digital (resolução 720x480pixels), finalizados em BetaSP (analógico), concluídos a partir de outubro de 2009, inéditos no Distrito Federal e preferencialmente inéditos no país, incluindo na TV,  sendo que a duração do conjunto desses filmes não poderá ultrapassar 360 minutos.

Prêmios 
Para continuar fortalecendo a produção cinematográfica brasileira, o Festival premia várias categorias da área cinematográfica. Um total de R$ 555 mil em prêmios será conferido aos vencedores, sendo R$ 220 mil para longas-metragens em 35mm; R$ 70 mil para curtas ou médias-metragens em 35mm e R$ 65 mil para os curtas em formato digital.

O Júri Popular premiará dois títulos em 35mm, sendo um de R$ 30 mil para o melhor longa-metragem e um de R$ 20 mil ao melhor curta ou média-metragem. Além dos prêmios oficiais, há os que são concedidos pela Câmara Legislativa do DF, que distribuirá R$ 150 mil para  filmes produzidos em Brasília, e os prêmios de outros parceiros que distribuem serviços e/ou fazem aquisições de filmes, tais como Canal Brasil, TV Brasil, Estúdios Quanta, MegaColor, Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro, Correio Braziliense, prêmio da Crítica e ABCV – Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo.

 O belo curta "Recife Frio" que foi ovacionado no último Festival de Brasília

Banda faz pocket show com clássicos do cinema

A banda The Soundtrackers leva os clássicos do cinema à Livraria Cultura do shopping Bourbon (zona oeste de São Paulo), no próximo sábado (14).

A partir das 19h30, haverá a noite de autógrafos do novo DVD "Os Tocadores de Trilhas - Ao Vivo", além de um pocket show com cerca de dez músicas, incluindo "Ghostbusters", "Goonies" e "Summer Nights". O ingresso para participar do evento é um quilo de alimento não perecível.

O grupo, que usa figurinos caprichados e exibe trechos dos filmes campeões de bilheteria, é formado por Fábio Nogueira (voz), Rodrigo Rodrigues (violão e guitarra), Danilo Barbalaco (guitarra), Eron Guarnieri (teclados), Fabio Effori (baixo), Daniel Padovan (bateria) e Paula Marchesini (voz).

Bourbon Shopping - Livraria Cultura - r. Turiassu, 2.100, Perdizes, zona oeste, São Paulo, SP. Sáb. (14): 19h30. Ingr.: 1 kg de alimento não perecível. Classificação etária: livre.

Exposições resgatam a história de São Paulo

Coletivo Mapa Xilográfico desenvolve um projeto de investigação histórica dos bairros com o mapeamento das árvores

O Centro Cultural Mário Pedrosa recebe, a partir desta sexta-feira (13), a exposição Mapa Xilográfico Bela Vista-Bixiga, em São Paulo (SP).

A mostra é organizada pelo Coletivo Mapa Xilográfico e resulta de um trabalho de investigação realizado em 2009 com moradores do bairro paulistano, com enfoque nos temas de moradia e história negra do local.

O coletivo desenvolve, desde 2006, um projeto artístico de investigação histórica dos bairros/cidades, mediante o mapeamento das árvores cortadas nas ruas, utilizando-se da técnica da xilogravura (que consiste em fazer gravuras em relevo sobre madeira). Desta forma, o projeto relaciona, de forma simbólica, árvores e moradores como testemunhas do processo de urbanização e seus desdobramentos.

Em setembro, será a abertura da exposição Mapa Xilográfico Ibirapuera, na zona sul de São Paulo e, em outubro, do Mapa Xilográfico Cidade Dutra, no extremo-sul.

Cia Elevador Panorâmico oferece seminários sobre Shakepeare

Neste e no próximo fim de semana acontecerão uma série de seminários sobre o drmaturgo inglês William Shakespeare, no Sesc Santanta ás 14h30.

14/08 - Sábado - SHAKESPEARE E A ENCENAÇÃO - Fernando Yamamoto, Márcio Meirelles e Marcelo Lazzaratto
15/08 - Domingo - SHAKESPEARE E A TRADUÇÃO - Bárbara Heliodora e Christine Rohrig

E na próxima semana:

21/08 - Sábado - SHAKESPEARE E O IMAGINÁRIO - Prof. Ronaldo Marinsky e Prof. Maria Silvia Betti
22/08 - Domingo - SHAKESPEARE E O ATOR - Ailton Graça, Lígia Cortez e Maria Laura Nogueira

Maiores informações: www.elevadorpanoramico.com.br

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

King Rassan Orchestra hoje no Serralheria

Segue o convite para uma ótima apresentação hoje da "King Rassan orchestra":


Estréia das noites na Serralheria dedicadas a shows de grupos de soul-ska-funk. Nesta quinta, dia 12, a Serralheria recebe o grupoKING RASSAN ORCHESTRAque executa clássicos do Ska e apresenta re-interpretações de samba no estilo jamaicano. A noite promete ser um encontro dedicado a escuta dos sons e grooves nascidos nas américas e oriundos do continente africano. A formação do King Rassan é: Frank -trombone e backing vocals; Lei – sax tenor; Pipeta – trompete e backing vocals; Alemão – guitarra e vocal; Chebô – teclados; Guigo – baixo; Safa Soul – bateria. O show sempre com duas entradas 10h30 e 23h30 e muita discotecagem no bar e espaço de encontro da Serralheria.

Maiores informações: http://www.escapeserralheria.org/

Cineclube Consciência


Desde 2003, existiu em Jundiaí o cursinho pré-vestibular comunitário chamado Cursinho Consciência, fundado por alunos da Unicamp. Nesse espaço, o Professor de geopolítica, Adriano Santos mantinha uma iniciativa cineclubista, ao passar e discutir com seus alunos filmes relacionados com a sua matéria, atividade que durou até meados de 2006.

Por outro lado, houve uma iniciativa do Centro Cineclubista de São Paulo, na figura do Diogo Gomes dos Santos, cineclubista e cineasta, junto com a Prefeitura de Várzea Paulista, para promover um cineclube nesta cidade, no inicio de 2006, criando assim o Cineclube Estação Imagem.

Alguns participantes dessa iniciativa, moradores da cidade de Jundiaí e da região, levaram a experiência para os alunos do Cursinho Consciência e juntos desenvolveram o projeto de criação do Cineclube Consciência no espaço do cursinho. Essas atividades iniciaram em dia 24 de março de 2007, com a exibição do filme “Tempos Modernos” de Charles Chaplin, realizada num aparelho televisor.

Desde sua fundação, muita coisa mudou e a programação foi amadurecendo, a estrutura melhorada e os membros do cineclube participaram de Fóruns de Cineclubismo no estado de São Paulo, levando suas experiências e adquirindo novas.

Hoje, o cineclube conta com um projetor digital e aparelhagem de som. Já foram exibidos mais de 100 filmes e com eles vieram importantes convidados, a exemplo de:

- João Luiz de Brito Neto, Cineasta;
- Leopoldo Paulino, escritor do livro "Tempo de Resistência";
- Ivan Seixas e Rafael Martinelli, do Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo;
- Luiz Lima, Historiador e Escritor;
- Toninho do diabo, Cineasta;
- Marcelo Muller e Mailin Millanês, ambos os cineastas com formação em Cuba;
- entre outros;

Além disso, o cineclube realizou o curta-metragem SOBREVIVA, resultado da “Oficina Básica de Criação Audiovisual” promovida pelo cineclube e que teve seu lançamento no dia 30 de agosto de 2008. O filme ficou em segundo lugar em dois festivais, ganhando o prêmio de melhor atriz no Festival Cine Favela de Heliópolis-SP. Em março de 2009, com o fim do Cursinho Consciência, o Cineclube teve como local de exibição a sede do Sindicato dos Bancários, onde funcionou até outubro de 2009. Depois de lá, tivemos como parceiro o Grupo Zama, onde exibimos cerca de três filmes antes de nos mudarmos para a Fatec no começo de 2010, nosso local de exibição atual.

Veja a programação e conheça mais sobre a iniciativa em: http://cineclubeconsciencia.blogspot.com/

"Sobreviva" (em 2 partes)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

André Klotzel e "Reflexões de um Liquidificador"

 André Klotzel é diretor do irônico "A Marvada Carne"

Para enfrentar a crueldade da lógica neoliberal que joga pra escanteio os filmes que não são considerados blockbusters comercialmente viáveis, o cineasta André Klotzel decidiu mudar a estratégia de lançamento de seu novo filme "Reflexões de um Liquidificador", até mesmo como forma de protesto. Para tentar atingir um maior número de espectadores e evitar os famosos dois finais de semanas em cartaz, Klotzel resolveu ir contra o padrão de lançamento, fazendo a estreia em uma segunda-feira (último dia 10) e exclusivamente em uma sala no Espaço Unibanco, mas com o acordo de permanecer no mínimo 2 meses em cartaz. 

Além disso, dependendo da sessão escolhida, o preço do ingresso irá variar entre R$ 2 e R$10, bastante abaixo da média das salas de cinema. Por fim, em uma bela e generosa sacada, Klotzel determinou que, antes de cada uma das cinco exibições diárias, será projetado também um curta metragem diferente por sessão. 

Fica aqui a sugestão de um debate que podemos articular sobre o perverso sistema de distribuição cinematográfica no Brasil e também uma saudação a um cineasta que tem a coragem necessária para protestar e tentar driblar esse modelo. Fica também aqui um sincero agradecimento pelo espaço dado ao curta metragem, um formato que sofre grande preconceito no Brasil, mas que pode ter grande força artística. Convoco a todos a prestigiar "Reflexões de um Liquidificador", tanto pela iniciativa do cineasta, quanto pela sua trajetória artística de inquestionável relevância.

"Reflexões de um Liquidificador"
Espaço Unibanco Augusta - Sala 3
Horários: 14h - 16h - 18h - 20h - 22h