O Coletivo Cinefusão surge, no final de 2008, a partir da iniciativa de trabalhadores de diversas áreas - cinema, jornalismo, publicidade, artes cênicas, filosofia, arquitetura, fotografia -, empenhados em criar primeiramente uma rede colaborativa que pudesse dar conta da junção dessas linguagens e também da possibilidade de abarcar potencialidades em busca de produção artística independente, mas também de reflexões concretas acerca da sociedade. É principalmente sobre este último pilar de atuação política, que o grupo vem, atualmente, pensando o cinema, sempre vinculado a outras expressões artísticas e movimentos sociais.

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terça-feira, 26 de junho de 2012

"Cidadão Boilisen" e a vitória do capital

Aproveitando o gancho da comissão da verdade, deixo como sugestão o filme "Cidadão Boilesen", que conta a história do Administrador de empresas dinamarquês, naturalizado brasileiro, presidente da ultragaz, que financiava o regime militar no Brasil, e a participava das sessões de tortura de presos politicos, além de apoiar o regime com instrumentos de tortura vindos do exterior, por vezes, trazidos e testados por ele mesmo.

Boilisen, além de nome de rua, carregava uma contradição gritante: carismático, amigo fiel de poucos, apoiava alguns projetos sociais, e ao mesmo tempo tinha prazer em ver as mais absurdas torturas, como um homem ser eletrocutado durante 20 minutos.

Sem olhar a ditadura com romantismo, o filme mostra uma face do regime militar, que foi posta de lado: assim como o julgamento de Nuremberg, e muitas ações atuais no Brasil e no mundo, só vão para o banco do réus os títeres - mas também responsáveis por seus atos - de uma guerra econômica, politica que sabemos muito bem quem ganhou, o capitalismo.

Em ambos os exemplos  - ou lições - (Nuremberg, ditadura, e mundo atual) majoritariamente são condenados os títeres de uma guerra motivada por objetivos político-econômicos, mas que justamente por este objetivo ser mascarado nas tais comissões/julgamentos, os verdadeiros financiadores da barbárie continuam( ou morreram tão bem) indo a seus bailes, dando entrevistas, e vivendo suas vidas. 



quarta-feira, 23 de maio de 2012

Atuação crítica: A utopia segundo Chico de Oliveira


Trecho da entrevista com Chico de Oliveira para o Livro "Atuação Crítica", de Sergio de Carvalho e outros colaboradores.


"[...] Na verdade, o que eu estou querendo dizer é o seguinte: no mundo da mercadoria, a pior coisa que pode acontecer a alguém é não ser mercadoria. Não se pode fazer uma análise histórico-sociológica rigorosa que seja despregada do tempo, como se nós existíssemos sem a racionalidade burguesa. Isto seria uma forma de pensamento idealista. Você tem que sentar a bunda e comparar. Se você foi criado pela racionalidade burguesa ocidental, você está imerso nela. É ilusão pensar que a nossa sociabilidade é herdada da tribalidade indígena ou ancestralidade africana. Os elementos que persistiram dessa sociabilidade não estruturam a forma de relação social. Agora, se as categorias de racionalidade burguesa não foram socialmente  construídas no seu interior, esse é o pior pesadelo que pode acontecer. O segundo passo, no qual é preciso prestar atenção, é verificar que não se pode mais alcançar estas categorias. É mostrar que toda vez que se tenta realizar o projeto burguês nas condições em que a periferia foi formada, isso dá em totalitarismo. Numa sociedade que não tem autonomia, que não tem mercado, quando se proclama "a regra agora é a do mercado", tem início o totalitarismo. E por isso se coloca o projeto utópico: a sua obrigação é, por via da racionalidade burguesa, ultrapassá-la. A utopia passa a ser o movimento de dizer que toda vez que a burguesia tenta atender aos interesses de todo mundo  - girando em torno de categorias como lucro, competitividade e iniciativa individual - isso não vai ser possível, e e ela vai se tornar totalitária. Porque as condições concretas da sociedade fazem com que isso seja uma operação de destruição e não de criação. Mas não se dá o segundo passo sem o primeiro. Sem explorar as virtualidades criadas pelo campo do capitalismo, você não tem nem pensamento utópico. Você precisa antes desmontar. Uma coisa é ter pensamento utópico, a outra coisa é ser idealista e apenas dizer "vamos fazer uma mundo melhor". A utopia é sempre uma crítica radical."

sexta-feira, 30 de março de 2012

O dia do Arremesso

Patrão e Empregado em cena:

- "[...]Dino, eu sou um dinossauro grande e poderoso, e você? Você não é nada!"
- "Obrigado Senhor"
- "Devido a minha posição social e o meu cargo, eu posso dizer o que quiser a você, e você em troca só pode me bajular"
- "Ta aí uma observação sagaz e brilhante"
- "Mas a tradição nos dá uma grande nivelador. O dia do lançamento, o dia em que não importa as condições sociais; o dia em que o mais humilde dos humildes poderá ficar ombro a ombro com as pessoas mais elevadas. Beba Dino!"

...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Nova produção do Coletivo Cinefusão "A mais perfeita União"

Brahms, Stravinsky, Dilma, Kassab, capitalismo, republicanos, pinheirinho, cracolândia e direitos autorais...

Montado/dirgido por Danilo J. Santos
Imagens adicionais de Florêncio Guerra e Danilo J. Santos

domingo, 14 de agosto de 2011

Breves notas sobre um cinema-defunto


Ontem, ao assistir à peça "Opera dos Vivos"¹ da Cia do Latão, me surpreendi positivamente sobretudo com tamanha qualidade crítica em quatro experimentos independentes: o "teatro (dialética interrompida)"; o "cinema (alegoria trágica)"; a "música(sociedade do espetáculo)";  a "televisão (nação liquidificada)"².

Como adianto, a crítica ao cinema foi o que mais me impressionou. E o engraçado, é que ela não perece ter se dado durante o segundo ato, onde de fato vemos um filme, mas em seu último ato durante a gravação de um telefilme - o que não é lá grande surpresa, já que os modelos de produção são praticamente os mesmos.

Há um momento em que toda a equipe se cala, e olha para cima a figura do produtor. Acompanham seus passos, sem desviar os olhos, sem piscar, sem se mexer. Alegoria?

Não, definitivamente. O cinema sequer teve a chance de conhecer um "outro mundo", ele desembocou direto no capitalismo e incorporou todo seu modo de produção.

Mas o que mais me incomoda nisto tudo é ver que a atividade crítica no cinema, dele sobre ele, desaparece um pouco a cada dia. A reflexão sobre os meios de se chegar à tela - pc, tv, talvez cinema - se tornam "coisa de anacrônico", agora o que vale são perambulações pós-modernas. O legal é o gênio individual - pós moderno? quem é o anacrônico? Já que tal conceito já houvera sido quase extinto muito antes do ser próprio nascimento.

Conheci, trabalhando com cinema, algumas pessoas que sempre farei questão de ter ao lado, como, é claro, o coletivo, mas ao mesmo tempo foi o ambiente que mais me deu acesso a um número tão grande de imbecis.

O cinema de hoje cumpre uma única função: chegar ao set e cumprir o plano de produção. E, para isso, é necessário formar o maior número de idiotas-técnicos, ou técnicos-idiotas - do assistente de som ao diretor(obedeço aqui à hierarquia).

E, assim, esperamos então algumas semanas em cartaz, os próximos editais e algumas palestras de grandes cineastas-fetiche, para que enfim, os dois mil reais que você gastou por mês para se tornar um estúpido valham a pena.

¹ "Ópera dos vivos", Cia do Latão, em cartaz no CCSP (sexta 19h, sábado 18h e domingo 18h)
² Fragmento retirado do programa da peça.