"[...] Na verdade, o que eu estou querendo dizer é o seguinte: no mundo da mercadoria, a pior coisa que pode acontecer a alguém é não ser mercadoria. Não se pode fazer uma análise histórico-sociológica rigorosa que seja despregada do tempo, como se nós existíssemos sem a racionalidade burguesa. Isto seria uma forma de pensamento idealista. Você tem que sentar a bunda e comparar. Se você foi criado pela racionalidade burguesa ocidental, você está imerso nela. É ilusão pensar que a nossa sociabilidade é herdada da tribalidade indígena ou ancestralidade africana. Os elementos que persistiram dessa sociabilidade não estruturam a forma de relação social. Agora, se as categorias de racionalidade burguesa não foram socialmente construídas no seu interior, esse é o pior pesadelo que pode acontecer. O segundo passo, no qual é preciso prestar atenção, é verificar que não se pode mais alcançar estas categorias. É mostrar que toda vez que se tenta realizar o projeto burguês nas condições em que a periferia foi formada, isso dá em totalitarismo. Numa sociedade que não tem autonomia, que não tem mercado, quando se proclama "a regra agora é a do mercado", tem início o totalitarismo. E por isso se coloca o projeto utópico: a sua obrigação é, por via da racionalidade burguesa, ultrapassá-la. A utopia passa a ser o movimento de dizer que toda vez que a burguesia tenta atender aos interesses de todo mundo - girando em torno de categorias como lucro, competitividade e iniciativa individual - isso não vai ser possível, e e ela vai se tornar totalitária. Porque as condições concretas da sociedade fazem com que isso seja uma operação de destruição e não de criação. Mas não se dá o segundo passo sem o primeiro. Sem explorar as virtualidades criadas pelo campo do capitalismo, você não tem nem pensamento utópico. Você precisa antes desmontar. Uma coisa é ter pensamento utópico, a outra coisa é ser idealista e apenas dizer "vamos fazer uma mundo melhor". A utopia é sempre uma crítica radical."
O Coletivo Cinefusão surge, no final de 2008, a partir da iniciativa de trabalhadores de diversas áreas - cinema, jornalismo, publicidade, artes cênicas, filosofia, arquitetura, fotografia -, empenhados em criar primeiramente uma rede colaborativa que pudesse dar conta da junção dessas linguagens e também da possibilidade de abarcar potencialidades em busca de produção artística independente, mas também de reflexões concretas acerca da sociedade. É principalmente sobre este último pilar de atuação política, que o grupo vem, atualmente, pensando o cinema, sempre vinculado a outras expressões artísticas e movimentos sociais.
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quarta-feira, 23 de maio de 2012
Atuação crítica: A utopia segundo Chico de Oliveira
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Flores ao burguês..."Lixão", Cia do Latão - Canções de Cena II
"Sobra de garrafa fresca
resto de patês azuis
caco de carniça velha
flores ao burguês"
"Lixão", Cia do Latão - Canções de Cena II from Danilo J. Santos on Vimeo.
resto de patês azuis
caco de carniça velha
flores ao burguês"
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Sobre gadús, diogos, morenos, moleques, travessos...
Quanto mais escuto, ou simplesmente vejo os novos artistas lançados ao mainstream, mais volto aos antigos.
Num mundo onde tudo se vende, o que vale é ter atitude. E dessa mesma tal atitude nasce o álibi para toda e qualquer cagada. Que leva, inclusive, pseudo-subversivos a serem aceitos de forma tão acolhedora e semelhante a um bom moço.
O que aconteceu com os rebeldes ?
Ora orgulhosos de exporem seus preconceitos, e ideologias mais reacionárias sob o manto do humor, ora tocando suas músicas que exaltam culturas orpimidas, antigos miltantes, lutadores, guerreiros , guerrilheiros, em reality shows; comportados, assimilados por tudo aquilo que em certo momento haviam, ainda que por bem pouco, parecido ser diferentes...
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