O Coletivo Cinefusão surge, no final de 2008, a partir da iniciativa de trabalhadores de diversas áreas - cinema, jornalismo, publicidade, artes cênicas, filosofia, arquitetura, fotografia -, empenhados em criar primeiramente uma rede colaborativa que pudesse dar conta da junção dessas linguagens e também da possibilidade de abarcar potencialidades em busca de produção artística independente, mas também de reflexões concretas acerca da sociedade. É principalmente sobre este último pilar de atuação política, que o grupo vem, atualmente, pensando o cinema, sempre vinculado a outras expressões artísticas e movimentos sociais.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

“Se uma sociedade é dividida em classes por que o teatro tem de fingir que somos uma comunhão?"


"E a mesma crise aconteceu com o nosso grupo. Parte dos atores achava que a peça estava marcando demais uma posição crítica contra uma certa fase do pensamento tropicalista (esse que acredita que o capitalismo emancipa). E outra parte do grupo defendia que precisávamos ironizar com mais força essa visão de mundo (a do aderir-criticando e criticar-aderindo) que se tornou vitoriosa no nosso mundinho da cultura. "


“Se uma sociedade é dividida em classes por que o teatro tem de fingir que somos uma comunhão?"





Começei por um trecho do encenador e dramaturgo da "Cia do Latão", que me parece exprimir de maneira categórica a comum dúvida em relação ao teatro e estética política, ou o "teatro como poética política": Deveria a arte "ser politica"?

Não é atoa que ser e politico estão postos entre aspas. Se não mais reduzíssemos política a uma atividade particular de estado, e ainda mais vulgarmente, relacionada, única e simplesmente, às atividades partidárias e/ou burocráticas, obviamente resolveria o problema, já que toda e qualquer atividade em sociedade estaria diretamente relacionada à ela.  

"Ser", de alguma forma, Piscator, Brecht, Augusto Boal, e ainda mais contemporaneamente falando, a cia do latão, representada pela figura de Sergio Carvalho, ou os grupos de teatro atuais que levam a prática brechtiana, ou seja o teatro dialético, nos mostram que não se trata, necessariamente, de "ser politico" mas que ao se  trabalhar artisticamente, seja qual for a escolha estética, há um momento em que a estética não se separa da politica, mas pelo contrário, num processo dialético, compõem o ponto nevrálgico de estruturação dramática, de encenação.

Como se no teatro, a política se tornasse linguagem e linguagem politica, mas se negando e finalmente constituindo um síntese que seria novamente negada. E não se trata, é claro, do sentido alienado da política, talvez pudéssemos ainda dizer que esses grupos retomam o sentido politico próximo de sua significação primeva¹. 

Claro, na citação de Sergio Carvalho há claramente uma relação direta com a vida politica, e o sistema que deturpa e mantém o conceito atual de política - o capitalismo. Contudo, ainda que também um instrumento de debate e embate sobre a sociedade, a politica no teatro se torna poética e crítica, plasticamente. Que ao mesmo tempo não espera a revolução pós-espetáculo, mas que não deixa de desejá-la e fabricar esses sonhos, dentro dessa troca ativa, cujo qual público e encenação se tornam fruto de um único e complexo processo.

35ª Mostra exibe Taxi Driver e Laranja Mecânica restaurados - e mais Edição 2011 terá retrospectivas de Elia Kazan, Sergei Paradjanov e Aleksei German


ORIGINAL: http://omelete.uol.com.br/cinema/35a-mostra-exibe-taxi-driver-e-laranja-mecanica-restaurados-e-mais/

Marcelo Hessel
30 de Setembro de 2011




A 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo divulgou os seus principais destaques, que ocuparão mais de 20 espaços e salas de cinema da cidade entre 21 de outubro e 3 de novembro.

Ao todo serão cerca de 300 filmes, entre raridades resgatadas e novidades do cinema mundial. O Garoto de Bicicleta, dos irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne, e Once Upon a Time in Anatolia, do turco Nuri Bilge Ceylan, que dividiram o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2011, puxam a fila, que inclui The Future (de Miranda July), L'Illusion Comique (de Mathieu Almaric), Cave of Forgotten Dreams (de Werner Herzog), entre dezenas de outros.

As retrospectivas deste ano homenageiam Elia Kazan (Sindicato de Ladrões, Vidas Amargas), com cerca de dez filmes do cineasta e a presença de sua viúva, a escritora Frances Kazan; Sergei Paradjanov, ícone do cinema soviético pós-Enseinstein, que também ganha uma exposição no MASP; e o também russo Aleksei German, com seis filmes que, censurados pelo regime stalinista, abrangem as décadas de 70 a 90 com narrativas históricas e antibélicas.

Como em anos recentes, as reexibições de clássicos restaurados têm destaque especial na Mostra. Em 2011, os escolhidos são a versão digital restaurada de Taxi Driver, que foi mostrada no Festival de Berlim deste ano, 1900, de Bernardo Bertolucci, Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, A Doce Vida, de Federico Fellini, e O Leopardo, de Lucchino Visconti - estes dois últimos em comemoração ao centenário de Nino Rota, autor das trilhas sonoras.

Informações sobre pacotes de ingressos e a lista completa de filmes devem sair na semana que vem.

Divino, Maravilhoso

Composição de Caetano Veloso, num trecho do filme de Rex Schindler "Bahia, por exemplo".

Lulismo fora do eixo


Fonte: Caros Amigos - http://carosamigos.terra.com.br/

Os defensores da política "pós-rancor" combinam a "mais pérfida prática reacionária com um discurso aparentemente libertário".

José Arbex Jr.

"Imaginem um liquidificador em que se possa colocar as ramificações da esquerda, com estraté­gias e lógicas de mercado das agências de publi­cidade, misturando rock, rap, artes visuais, teatro, um bando de sonhadores e outro de pragmáti­cos, o artista, o produtor, o empresário e o públi­co. Tudo junto e misturado. O caldo dessa batida é uma nova tecnologia de participação e engaja­mento que funciona de forma exemplar para a circulação e produção musical, mas que, acima de tudo, é um grande projeto de formação política. O Fora do Eixo cria, portanto, uma geração que se utiliza sem a menor preocupação ideológica de aspectos positivos da organização dos movimen­tos de esquerda e de ações de marketing típicas dos liberais. Ë, como disse o teórico da contracul­tura Cláudio Prado, a construção da geração pós-rancor, que não fica presa à questões filosóficas e mergulha radicalmente na utilização da cultura digital para fazer o que tem que ser feito."

O fantástico liquidificador das ideologias é as­sim descrito por Alexandre Youssef, articulista da revista Trip (de onde foi extraído o trecho acima citado, publicado em 12 de maio de 2011), mem­bro do Partido Verde e coordenador do setor de Juventude durante a gestão de Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo. Ele tem o mérito indis­cutível da franqueza. Não é todo dia que alguém reúne graça e entusiasmo para cantar as virtudes de um "projeto de formação política" que combi­na, sem qualquer pudor ideológico, métodos or-ganizativos da esquerda com "ações de marketing típicas dos liberais". Claro: tudo isso é feito sem rancor, sentimento ultrapassado e cultivado pe­las pessoas que teimam em se prender a "questões filosóficas" antigas, incapazes de perceber que a cultura digital mudou o mundo. Minai, não foi o FaceBook que provocou a revolução árabe?

Não. Não foi a mais moderna tecnologia que provocou a revolução árabe, mas os mais arcai­cos entre os problemas enfrentados pela humani­dade: a fome e a pobreza. A imensa maioria dos árabes nunca teve acesso à Internet, ao FaceBook e a nada que se pareça com "cultura digital". Nem teve acesso a mesas fartas e empregos dignos. Se­ria melan-cômico presenciar o resultado de uma preleção contra o rancor endereçada aos milhões de manifestantes que, colocando em risco as pró­prias vidas, foram às ruas para derrubar ditado­res em algumas das principais capitais árabes. Em contrapartida, os soldados e oficiais da Otan que, historicamente, lançaram e ainda lançam milha­res de toneladas de bombas sobre uma população civil indefesa, esses não agem movidos pelo ran­cor, mas subordinados a frios interesses geopolí-ticos, e estão perfeitamente integrados à "cultura digital". Os seus brinquedinhos de guerra são produtos da tecnologia de ponta, e incluem robôs e bombardeiros não pilotados. Tudo muito avançado.

O texto de Youssef não teria a menor impor­tância, se ele não fosse expressão de um processo em curso, no Brasil e em todo o planeta, de coop-tação de amplos setores da juventude e da es­querda para políticas de conciliação e abandono da guerra ao capital. Toda essa conversa de "su­peração do rancor" está a serviço de uma ideolo­gia (embora, obviamente, Youssef afirme o con­trário) segundo a qual já não é mais possível falar em luta de classes. Os grandes cenários de em­bates, agora, são os circuitos culturais, não mais o chão de fábrica, o campo e as praças públicas. Ou melhor: todos servem de palco para a grande guerra simbólica.

E como isso aconteceu? É simples. O capitalis­mo pós-fordista, desenvolvido no pós-guerra, te­ria superado a divisão entre trabalho intelectual e manual, para integrar funcionários cada vez mais qualificados a funções que combinam gerência e produção. Além do mais, o vasto acesso ao ensi­no superior, franqueado às populações de baixa renda, teria mudado radicalmente o perfil da for­ça de trabalho, em particular nos países de capi­talismo mais desenvolvido. Essas transformações teriam sido fundamentais para a "culturalização" das classes médias urbanas, para o surgimento da contracultura (incluindo o movimento hippie, en­tre outros) e de novas demandas, que não se limi­tam mais a emprego, salário e conquistas sociais. Do ponto de vista dos novos "setores urbanos mé-' dios", nas palavras do ativista Pablo Ortellado, "as demandas são crescentemente 'pós-materiais' para usar um jargão sociológico."

Desgraçadamente, as manifestações de cente­nas de milhares de jovens e trabalhadores desem­pregados na Grécia, Portugal, Espanha e, mais re­centemente, Itália mostram que as reivindicações são bastante "materiais". Assim como são "ma­teriais" as demandas de trabalhadores franceses, que não aceitam os contínuos ataques promovi­dos pelo capital às suas conquistas históricas ou as de alguns setores do movimento sindical es­tadunidense, que começa a dar crescentes sinais de vida. E mais "materiais" ainda as necessida­des de cerca de l bilhão de seres humanos famin­tos (segundo dados da própria ONU) e outro tan­to de subnutridos. Alguém teria que avisá-los de que eles poderiam saciar a própria fome a carên­cia de nutrientes com bus virtuais. É fantástico o show da vida.
POLÍTICA "PÓS-RANCOR"

Para outros advogados da política "pós-rancor", o proletariado teria sido substituído pelo "precaria-do", uma massa difusa, formada pêlos milhões de trabalhadores e jovens que habitam as imensas fa­velas e bairros da periferia. Tais "multidões" (para usar um conceito proposto pelo italiano Toni Negri, segundo quem não existe mais imperialismo, em­bora haja império) já não se identificariam como classe, mas como grupos que defendem interesses específicos (género, raça, opção sexual, sujeitos de direitos difusos etc.), e que ganham força a partir do momento em que adquirem visibilidade social. Para tanto, podem e devem se valer das novas tec-nologias de comunicação e produção de bens sim­bólicos e culturais. A "antiga" e "superada" luta de classes passaria a ser travada nos circuitos midiáti-cos, em que mesmo os protestos de rua viram espe-táculo e "performance". A "vanguarda", agora, se­ria formada pêlos "gestores culturais", justamente os mais capacitados a articular os esquemas desti­nados a dar visibilidade a determinados eventos e grupos (e a captação de recursos e patrocínios, ob­viamente, ganha um papel estratégico e, como tal, regiamente remunerado nesse processo).

No Brasü, especificamente, a política "pós-ran­cor" ganhou um impulso formidável em 2002, com a campanha do "Lulinha paz e amor". O sindicalis­ta barbudo foi substituído por um senhor modera­do e sorridente, trajando terno e gravata e juran­do respeito ao capital, mediante o compromisso firmado pela Carta ao Povo Brasileiro. Com a ser­vil capitulação ideológica petista, a avenida para o "vale tudo" estava escancarada.

No admirável novo mundo do lulismo, tor­nou-se particularmente emblemática a história do grupo Fora do Eixo (FDE), mencionada por Yous-sef como um exemplo fulgurante de como se faz política nos novos tempos. O FDE foi criado em 2005, pelo publicitário cuiabano Pablo Santiago Capilé, como um "coletivo de gestores da produ­ção cultural", inicialmente com pólos em Cuiabá, Rio Branco, Uberlândia e Londrina (portanto, fora do eixo tradicional formado por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília). Com a proposta de revelar no­vos valores culturais "independentes", e adotan-do o modelo organizativo baseado na formação de "coletivos" (núcleos orgânicos sem patrões nem empregados), o FDE conseguiu o apoio do progra­ma Cultura Viva do Ministério da Cultura, durante a gestão de Gilberto Gil e depois sob Jucá Ferreira. Ao mesmo tempo, trabalhou com o patrocínio de empresas e grupos privados vinculados aos circui­tos cultural e digital, espelhando-se na experiên­cia de grupos semelhantes, como o Creative Com-mons estadunidense.
Como resultado, hoje, segundo os dados da pró­pria organização, o FDE é uma próspera empresa de gestão cultural que agrega 57 coletivos em todo o país, com capacidade para realizar 5 mil shows em 112 cidades.

Teoricamente, os "gestores" não são assalariados, mas, claro, recebem pelo seu tra­balho, o que transforma a participação nos "co­letivos" em meio de vida (os "coletivos" adotam moedas próprias e normas internas de distribuição de recursos). A retórica dos "gestores" é, aparente­mente, combativa, com alguns vernizes de rebel­dia: evoca o estímulo à arte independente, o direito de usar drogas, a luta contra o racismo e todo tipo de discriminação etc etc etc. Seu "público alvo", portanto, são os milhões que formam o "precaria-do". Coerente com tal retórica, o FDE, em contato com outros grupos assemelhados, participa da or­ganização de atos e manifestações, mas tudo de­vidamente "enquadrado" e delimitado pela conve­niência política.

Um exemplo foi a sua atuação na organização da "Marcha da Liberdade", realizada no dia 28 de maio, em protesto contra a repressão feroz que se abatera sobre a "Marcha da Maconha", no começo do mês. Capilé, um dos organizadores, agora nega, mas durante a reunião que preparou o ato de 28 de maio mencionou a possibilidade de patrocínio da Coca-Cola à marcha, sem necessariamente ter que expor a marca (a empresa estaria apenas cul­tivando "boas relações" com os ativistas). A pro­posta foi vetada pelo coletivo Desentorpecendo a Razão (DAR) e Movimento Passe Livre, segundo re­latos divulgados pelo coletivo Passa Palavra. Além disso, o FDE e grupos congéneres posicionaram-se contra a proposta de incluir, como pauta da mar­cha, a reivindicação de proibir aos policiais o uso de armas de fogo para reprimir manifestações. Não haveria mesmo razão para uma proposta tão ran­corosa: liberdade é apenas uma calça velha, azul e desbotada, certo?

A experiência do FDE é o próprio retraio do lu­lismo: combina a mais pérfida prática reacionária com um discurso aparentemente "libertário". Suas ações são motivadas por interesses pecuniários próprios, mas apresentadas como se fossem ges­tos de altruísmo. Na lógica mercantüista tão bem apresentada por Yousseff, mesmo as manifestações são transformadas em happenings e oportunidades de bons negócios com patrocinadores interessados em vender uma imagem dinâmica e "progressista". As "antigas" e "rancorosas" reivindicações dos tra­balhadores e jovens pelo acesso real e material ao mundo da cultura e das artes são açambarcadas, administradas e domesticadas por um vasto em­preendimento, que envolve fundos públicos, pa­trocínios de corporações e de empresas privadas e "gestores culturais" que se encarregam de encon­trar os artistas e promover os eventos. Finalmente, a técnica da "gestão cultural" é transportada para o ativismo militante e justificada com um discur­so "pós-rancoroso", o mais adequado ao mundo das reivindicações "pós-materiais". O FDE e con-gêres constituem a expressão Mista do movimen­to "cansei".

Se existe algo de real nas alegações dos "pós-rancorosos", incluindo os "lulinhas paz e amor", é a afirmação de que a batalha ideológica trava­da nos "circuitos culturais" adquiriu importância muito maior e central do que à época de Karl Marx. Isso é óbvio, já que as tecnologias de comunicação experimentaram um desenvolvimento vertiginoso no século 20. E, além disso, a humanidade sofreu as experiências de génios do mal da comunica­ção, como é o conhecido caso de Joseph Goebbels, cujas técnicas de propaganda passaram a ser ado-tadas e aprimoradas por Hollywood e outros cen­tros produtivos da indústria cultural (outro concei­to "rancoroso" e ultrapassado, aliás).

Mas nada disso autoriza a afirmação de que o proletariado foi dissolvido no "precariado" e que desapareceu a luta de classes, agora substituída por uma difusa batalha cultural, se tanto. A ex-tração da mais valia continua sendo o "segredo" do capital, e o imperativo do crescimento da taxa de lucro a sua lei compulsória. Isto é, não há re­produção do capital sem a exploração cada vez maior do trabalho humano livre. Mudaram os pa­râmetros que condicionam a luta de classes, as circunstâncias culturais e ideológicas em que ela se desenvolve, assim como as formas de articula­ção entre as várias classes exploradas e oprimidas. Mas nenhum "circuito cultural" aboliu as classes, que não podem ser sociologicamente quantifica­das (classes não constituem um mero dado esta­tístico), mas que dão o ar da graça em momentos de crise e de ameaças às conquistas sociais, como demonstram a revolução árabe e a Zona do Euro.

Bastaram duas semanas de mobilizações em Barcelona e Madri para desarticular três décadas de retórica conciliadora de Luiz Zapatero e com­panhia. Os "precariados" do Oriente Médio, Nor­te da África e Zona da Euro mostram que não é nos circuitos digitais que se trava a guerra con­tra o capital, mas nas ruas. Nas barricadas. Estas sim, são as mesmas que se erguiam nos tempos de Marx, assim como é o mesmo rancor que se ex­pressa nas palavras de ordem contra a miséria e os gestores do neoliberalismo.
Nenhum liquidificador abolirá a luta de classes.

José Arbex Jr. é jornalista.


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Debate #3 "Narrativa e Memória no Capitalismo Tardio"


ORIGINAL: http://www.facebook.com/event.php?eid=251848598184351

O terceiro debate promovido pelo Sáfaro neste semestre, conta com a participação de Alexandre Mate (pesquisador e professor da Unesp), Fernando Kinas (diretor da Kiwi Cia. de Teatro) e Ivan Delmanto (diretor da II Trupe de Choque).

Quinta, 29 de setembro · 18:00 - 21:00

Teatro de Arena Eugênio Kusnet
Dr. Teodoro Baima, 94
São Paulo, Brasil
Gratuito - Lotação 90 lugares


Informações: osafaro@gmail.com ou (11) 6723-9959.
osafaro.blogspot.com

domingo, 25 de setembro de 2011

"The Yes Men Fix The World"

O "Yes Men" é um coletivo de "artivistas", que a partir de uma abordagem de rigor estético e político extremamente sofisticados e de humor ácido, desmantelam a realidade das corporações, a ligação com estado, e, consequentemente conseguem expor todo o conservadorismo, complacência, e nenhuma imparcialidade da grande mídia.

O filme todo é ótimo, mas há momentos únicos, como quando se passam por representantes de empresa  Union Carbide responsável pela tragédia de  Bhopal ( pior desastre industrial ocorrido até hoje), e com uma falsa notícia de uma reparação de danos pelo crime cometido, conseguem fazer com que o rendimento da empresa caia em 2 bilhões. O fato é que quando dão a falsa notícia, os investidores acreditam que ajudando a cidade que destruiu - com suposta doação de 12 bilhões de dólares-, a empresa já não será representativa(R$) no mercado.

O filme expõe, sobretudo, a esquizofrenia e contradições do capitalismo, e deixa claro de uma vez por todas que a "lógica" do livre-mercado, o ideal de "liberdade" não tem relação alguma com o bem-estar social, senão o bem-estar e liberdade da mercadoria.


Para quem preferir assistir com legendas em português:

http://www.youtube.com/watch?v=m2j-8dz1xDE (Dividido em muitas partes, aproximadamente 10)

sábado, 24 de setembro de 2011

A cruel beleza de Yasuzo Masumura de 17 a 28/9/2011, no ccsp

ORIGINAL: http://www.centrocultural.sp.gov.br/programacao_cinema_yasuzo_masumura.asp


Em parceria com a Fundação Japão, o Centro Cultural São Paulo, apresenta um panorama representativo do cineasta japonês Yasuzo Masumura, diretor de 57 filmes, que influenciou cineastas, como Spielberg, Mike Nichols e até Tarantino, principalmente em como falar sobre os anos 1990. Contemporâneo de cineastas, como Samuel Fuller, Douglas Sirk e Nicholas Ray; Masumura consegue exagerar a estética e os temas que estes diretores sempre trabalharam em pequenas doses e sutilezas. Deixou 57 filmes durante sua vida, trabalhou também como diretor e roteirista de novelas. No Japão, Masumura é o precursor da chamada Japanese New Wave, e muitas vezes, já foi chamado de o Douglas Sirk japonês, em filmes como O Precipício e Gigantes e Brinquedos, ambos presentes na mostra. "Meu objetivo é criar uma realidade exagerada contendo apenas as ideias e paixões humanas, nada mais", dizia ele. A mostra traz 18 filmes inéditos no Brasil, todos em 35 mm.

Taxa: R$1,00 - retirada de ingressos: na bilheteria (terça a domingo, das 10h às 22h), somente na semana de exibição de cada filme

Sala Lima Barreto (99 lugares)

Todos os filmes serão exibidos em suporte 35mm

Confira a programação completa no site do ccsp

Greve! Deveria ser votada?

"[...] as aspirações e as expectativas populares são variadas, contraditórias, frequentemente, divididas entre . uma exigência de liberdade e uma demanda de segurança A função específica da política consiste em articulá-las e conjugá-las por meio de um futuro histórico cujo fim continua incerto."¹

O que é pior? A decisão de um miserável alimentada de sua urgência, impulsionada unidimensionalmente pelo ímpeto, que tem como fim sua sobrevivência? Ou seria a paciência do saciado, contudo consciente de todas as mazelas dos miseráveis - ou a mazela - e, aparentemente, disposto a erradicá-las?  

Quanto tempo dura um miserável? Quanto tempo seus órgãos suportarão a sede, a fome, a dor, o sexo maquinal? 

Quanto tempo suportará o descalabro da alienação que o corrói? 

Quanto tempo suportará ter sua subjetividade determinada por um sistema econômico?

Hitler transformou uma massa faminta, impetuosa e confusa em nazistas; o governo Lula potencializou o período anti-crítico, que semelhante a ele próprio, se coloca como fim da história. Fundou o operário pós-moderno. ( À guisa de embasamento e provocação: Joseph Goebels, Ministro da Propaganda na Alemanha nazista, dizia que não se poderia dominar o povo com/através de argumentos, pois argumentos poderiam ser confrontados no nível do discurso, haveria de atingir onde não pudessem concatenar lógicas de pensamento, ou seja em suas "emoções") 

O governo Lula potencializou e estendeu a vida do miserável; viverá miseravelmente, durante muito tempo.

Como então deixar nas mãos do "consciente paciente da miséria do mundo" o futuro incerto do miserável?

Quanto tempo demora para um sonho ser totalmente destruído? Quanto tempo levará para morrer o sonho do trabalhador que crê uma dia poder escrever uma poesia?

Quanto tempo duram os sem mãe, com filho(s)?

Por quanto tempo permaneceremos "tolos e pobres"²?

A greve representa o rompimento com tudo aquilo que possibilita essas perguntas. Uma greve deve existir uma única vez. Não deve ser como uma festinha que ocorre todo ano. Pois os miseráveis não podem esperar o mesmo tempo que os "inquietos conscientes da miséria". A greve deve atingir o ponto nevrálgico do que vai contra. Deve nascer do estomago ferido do faminto. Deve romper com a caneta do burocrata.

A greve não é um movimento possível, é uma reação prática, uma pronta-resposta, e se objetiva, efetiva e determinante para o definitivo fim de um mal.

Uma greve, sequer deveria ser votada, ela se funda e se auto-explica por uma única razão: um patrão. E onde houver um, eu apoio.

¹ "Os irrdutíveis", Daniel Bensaïd
² Trecho do Discurso de Steve Jobs

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

“Oswald de Andrade: o culpado de tudo” no Museu da Língua Portuguesa

ORIGINAL: http://catracalivre.folha.uol.com.br/2011/09/aguarde-em-maio-museu-da-lingua-portuguesa-traz-legado-de-oswald-de-andrade/



A nova exposição temporária do Museu da Língua Portuguesa celebra a partir de 27 de setembro a obra de Oswald de Andrade. A frase “Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado em todas as línguas”, escrita pelo escritor em 1933 no verso da folha de rosto da edição original de “Serafim Ponte Grande”, foi o ponto de partida dos idealizadores da exposição. A mostra fica em cartaz até o dia 30 de janeiro de 2012 e tem entrada Catraca Livre aos sábados.

Em “Oswald de Andrade: o culpado de tudo”, o público terá a oportunidade de conhecer um dos criadores da Semana de Arte Moderna. A curadoria é de José Miguel Wisnik, com a curadoria-adjunta de Cacá Machado e Vadim Nikitin, e consultoria de Carlos Augusto Calil e Jorge Schwartz. O projeto expográfico é de Pedro Mendes da Rocha.

A exposição contemplará três dimensões de leitura: poética, Histórico-biográfica e filosófica. Essas dimensões não devem ser entendidas como “partes” em que se divide a exposição, mas como níveis de manifestação da vida-e-obra que se articulam de maneira inseparável no processo expositivo.

De 27/09 a 30/01: Terças, Quartas, Quintas, Sextas, Sábados e Domingos das 10:00 às 17:00
A entrada custa R$6, e aos sábados é gratuito.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Cinusp recebe mostra cinematográfica realizada por coletivos de arte


FONTE E MATÉRIA ORIGINAL: CATRACA LIVRE

De 12 a 16 de setembro o Cinusp recebe mostra cinematográfica “Zona da Poesia Árida”, realizada por coletivos de arte. Todas as noites, após a sessão, convidados falam sobre o fenômeno “Coletivo de Arte”, e na última noite de programação, os coletivos e teóricos envolvidos no processo da mostra são convidados a participar de um momento final de reflexão e prospecção de futuro.

Entre os filmes da mostra estão “Bandeira” de Rodrigo Araújo, “Dignidade” do Vídeo Elefante, “Quem Representa o Povo” de Vídeo Gira e “Zumbi Somos Nós”, do coletivo Frente 3 de Fevereiro.

Para ver a programação completa da mostra, acesse o site do Cinusp !