O Coletivo Cinefusão surge, no final de 2008, a partir da iniciativa de trabalhadores de diversas áreas - cinema, jornalismo, publicidade, artes cênicas, filosofia, arquitetura, fotografia -, empenhados em criar primeiramente uma rede colaborativa que pudesse dar conta da junção dessas linguagens e também da possibilidade de abarcar potencialidades em busca de produção artística independente, mas também de reflexões concretas acerca da sociedade. É principalmente sobre este último pilar de atuação política, que o grupo vem, atualmente, pensando o cinema, sempre vinculado a outras expressões artísticas e movimentos sociais.

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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Estréia Trylogia Terror e Miséria no Novo Mundo

Habilite as imagens.
Fruto de 5 anos de pesquisas sobre a história do Brasil e experimentações cênicas, a Cia Antropofágica apresenta a Trilogia; Terror e Miséria no Novo Mundo Partes I, II & III. 

Inspirada no livro Pau Brasil de Oswald de Andrade, a Trilogia passa pela história nacional devorando, modificando, e ressignificando fatos e documentos históricos dos períodos Colônia, Império e República. Uma devoração metonímica do Brasil permeia as três peças, onde uma profusão de quadros, acontecimentos, personagens reais e ficcionais misturam-se para contar episódios relevantes da história do Brasil. 

Utilizando-se de recursos épico-revisteiros, e orquestrado por uma trilha sonora original, o material histórico pesquisado aparece não apenas para refletir sobre o passado, mas para construir uma reflexão crítica quanto aos seus desdobramentos no contemporâneo.

de 18 de Maio à 21 de Julho de 2013

Sábados18h - Terror e Miséria no Novo Mundo – Parte I: Estação Paraíso
20h - Entre a Coroa e o Vampiro – Terror e Miséria no Novo Mundo – Parte II: O Império
Domingos19h - Terror e Miséria no Novo Mundo – Parte III: A República
 Ingressos Gratuitos

Espaço Pyndorama 
Rua Turiassú, 481, Perdizes, São Paulo (Próximo ao metrô Barra Funda)
Reservas e informações: 11 3871-0373.
Email: contato@pyndorama.com
 





terça-feira, 16 de abril de 2013

"Rua Florada, Sem Saída" em cartaz no Engenho Teatral


Está em cartaz  o espetáculo "Rua Florada, Sem Saída", do grupo Casa da Tia Siré.

O espetáculo narra trajetória e o crescimento de quatro crianças dentro de um mundo onde crescer não é só um percurso natural , biológico, mas uma determinação da sociedade de consumo - ou simplesmente do capitalismo. Aos poucos absorvidos por este mundo, o que restam deles?

Está em cartaz no no espaço do Grupo Engenho teatral, bem ao lado do metrô Carrão.

Um infanto-juvenil completamente necessário para todas as idades.

A entrada é gratuita!

Sábados e Domingos, ás 15h, no Engenho Teatral: Rua Monte Serrat, 230 - fone: 2092-8865
Estacionamento gratuito no local.
Estação Carrão do Metrô


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

10 anos de Antropofágica – Mostra de Repertório – Janeiro/2013











Como atividade comemorativa dos 10 anos de grupo, a Antropofágica realiza mostra com alguns de seus trabalhos.

Para ver o arquivo de divulgação da mostra, clique aqui.

Sábado, 19 de janeiro
15h – Terror e Miséria no Novo Mundo – Parte I: Estação Paraíso
17h – Entre a Coroa e o Vampiro – Terror e Miséria no Novo Mundo – Parte II: O Império
20h – Terror e Miséria no Novo Mundo – Parte III: A República

Terça-feira, 22 de janeiro, às 20h
Via Crucys à Brazyleira

Quarta-feira, 23 de janeiro, às 20h
Zumbi or not Zumby

Quinta-feira, 24 de janeiro, às 21h
A Tragédia de João e Maria: Teatro da Deformação

Sexta-feira, 25 de janeiro, às 21h
Kabaré Antropofágico

Espaço Pyndorama
Rua Turiassú, 481, Perdizes, São Paulo (Próximo ao metrô Barra Funda)
Reservas e informações: (11) 3871-0373. Estacionamento conveniado no local.
Email: contato@pyndorama.com
Todas as apresentações são gratuitas e fazem parte do projeto Liberdade em Pi(y)ndorama, contemplado pela Lei Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Sem ligar para convenções

 Matéria Original: http://www.brasildefato.com.br/node/11595

 Sem ligar para convenções


“Nós nos apropriamos de produtos da indústria cultural, mas sem nos apropriarmos positivamente da ideologia que eles carregam. Trata-se de uma apropriação crítica”
16/01/2013

Eduardo Campos Lima,
de São Paulo (SP)

Historicamente, até que os trabalhadores pudessem reivindicar como válidas as formas artísticas que desenvolveram para tratar dos assuntos de seu interesse, todas as obras eram avaliadas com base em critérios estabelecidos pela burguesia. No teatro, as peças tinham que se fundamentar unicamente no diálogo entre personagens que viviam em um universo totalmente autônomo. Diante do público, desenrolava-se uma história com começo, meio e fim, na qual as personagens – dotadas de profundidade psicológica – colocavam em conflito suas vontades e decisões. Quando uma encenação não conseguia obedecer a todas essas exigências, porque tratava de assuntos que extrapolavam a esfera das decisões individuais, por exemplo, não era considerada bom teatro. Nada disso tem valor hoje em dia, uma vez que trabalhadores e artistas consequentes lutaram duramente para conquistar o direito de tratar de política no teatro. Mas muitos críticos e produtores continuam pautando-se por esses conceitos.
    
“Colocamos Maiakovski e Chaves dentro do mesmo espetáculo”,
aponta a atriz Ruth Melchior - Foto: Reprodução
       

A Cia. Antropofágica, que fica em cartaz até 27 de janeiro com Terror e Miséria no Novo Mundo Parte III, rejeita até as últimas consequências as convenções da burguesia para a arte. A exigência de unidade de estilo é a mais desrespeitada pelo grupo, que lança mão de inúmeras linguagens para debater temas ligados à vida política brasileira, de 1889 para cá.

Última parte da trilogia Liberdade em Pi(y)ndorama, iniciada em 2008 – que abordou em seus dois segmentos iniciais o período colonial e o Império –, a peça tem como assunto a luta de classes no Brasil republicano e seus desdobramentos no sistema político, na sociabilidade e na cultura. “A peça é dividida em quadros: cada um remete a diferentes linguagens e exige um tipo diferente de interpretação. Não há um ator principal nem uma fábula única”, explica o diretor Thiago Vasconcelos.

Três eixos

A encenação tem três eixos principais, que se interpenetram a todo instante. O primeiro procura reconstituir os fundamentos da teoria contrarrevolucionária brasileira. O procedimento escolhido para materializar a ideologia da elite é a autópsia: médicos eugenistas promovem um exame do corpo da República, identificando nele células cancerígenas que precisam ser extirpadas – os movimentos sociais. “Por meio da terminologia médica, abordamos o projeto da elite de eliminação dos levantes populares”, aponta Vasconcelos. As teorias científicas racistas do começo do século 20 são relacionadas às políticas higienistas praticadas hoje em dia.

Outra camada da peça aborda as relações entre a construção da República brasileira e o campo da disputa simbólica, dominado pela indústria cultural. “São quadros que, ao mesmo tempo em que falam sobre a situação histórica do Brasil a partir de alegorias, fazem crítica à pasteurização operada pela indústria cultural”, afirma o diretor. Um recurso frequente é a paródia, cujos alvos podem ser desfiles de escola de samba ou filmes de faroeste.

Por fim, há o eixo das alegorias – como o Vampiro, que personifica o próprio capital –, as quais perpassam todos os quadros, de maneira a comentá-los, criticá-los ou relacioná-los à totalidade social. Em todos eles, há o uso de diferentes linguagens. “Usamos de expedientes como delírios poéticos, documentário, teatro de revista, rapsódia e texto autoral, que pode ser tanto diálogo como textos poéticos, produzidos por nós ou montados a partir da obra de Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Maiakovski”, enumera Vasconcelos.

Maiakovski e Seu Madruga

Como o grupo não acata a normatização tradicional do teatro, também repudia as barreiras entre arte erudita e cultura popular, tradicionalmente estabelecidas pelas elites para desqualificar as linguagens artísticas dos trabalhadores. Recusa-se ainda a dialogar apenas com acadêmicos, de modo que toma emprestados gêneros e elementos midiáticos. “Optamos por não cortar o fio das referências populares, as quais hoje vêm da indústria cultural. Dialogamos com o filme Matrix e o seriado Os Simpsons, mas também com a obra de Schoenberg”, argumenta Vasconcelos.

“Colocamos Maiakovski e Chaves dentro do mesmo espetáculo”, aponta a atriz Ruth Melchior. As personagens do seriado Chaves aparecem em um quadro sobre gentrificação. “É uma cena em que a vila do Chaves é destruída para a construção de um condomínio de luxo – um tema da pauta política contemporânea”, explica o diretor Vasconcelos. Enquanto Seu Madruga e os outros moradores do cortiço são despejados, são projetadas em um telão imagens de programas televisivos em que tropas de polícia pacificadora e atores de novela aparecem lado a lado.

Também a alegoria do capital, o Vampiro, vincula-se a elementos da indústria cultural. “Não se trata de uma escolha gratuita colocar um vampiro na peça. Marx diz que o capital é como um vampiro que suga os trabalhadores. Mas essa é uma referência da atualidade, ao mesmo tempo. Os jovens estão acompanhando histórias de vampiros no cinema e na televisão. Queremos dialogar com as pessoas que estão em contato com isso”, analisa Vasconcelos. O grupo opta, dessa forma, por brincar com referências canônicas e não canônicas, com obras que são consideradas artísticas e com produções tidas como lixo cultural. “Nós nos apropriamos de produtos da indústria cultural, mas sem nos apropriarmos positivamente da ideologia que eles carregam. Trata-se de uma apropriação crítica”, completa o ator Danilo Santos.

Construção coletiva
A encenação foi inteiramente construída de forma coletiva. “Por mais que, às vezes, apareça um texto de um ator ou do diretor, tem sempre algo que foi construído por todos. A presença do ator em cena se faz continuamente”, afirma Ruth Melchior.

Os quadros finais têm esse aspecto exacerbado. “É quando o grupo toma partido e demonstra sua posição, por meio do que chamamos de epifanias revolucionárias”, explica Thiago Vasconcelos. A peça termina com uma Santa Ceia, da qual tomam parte todos os monstros alegóricos e as diversas personificações da burguesia, que degustam o corpo da República. “É aí que mostramos desejos e imagens de como o mundo poderia ser”, conta. Tem início uma longa e festiva montagem de versos de Maiakovski, Oswald de Andrade e da Internacional, selecionados e encadeados por todos os membros do grupo. “A Cia. Antropofágica é um grupo de esquerda – de diversas variantes de esquerda. A composição exige que procuremos contemplar a todos, portanto sempre buscamos textos que tenham um caráter anticapitalista, porque o anticapitalismo é consenso entre nós. A discussão parte daí”, conclui Vasconcelos.

A diversidade na formação do grupo talvez seja uma causa da riqueza de formas que a Cia. Antropofágica emprega em suas encenações. O grupo não se contenta com a tradição do teatro político da esquerda – procura, ao contrário, refuncionalizar todos os elementos de que lança mão, de modo a dar-lhes sempre o sentido político que julga necessário.

Serviço
Terror e Miséria no Novo Mundo Parte III
(Liberdade em Pi(y)dorama – A República)
Direção: Thiago Vasconcelos
De 12 a 27 de Janeiro, sábados às 20h e domingos às 19h
Ingressos gratuitos
Espaço Cultural Pyndorama – 40 lugares
Rua Turiassú, 481, Perdizes – São Paulo (SP) – próximo ao metrô Barra Funda.
Contato: (11) 3871-0373 – contato@pyndorama.com

Além da peça, que fica em cartaz até o fim do mês, a Cia. Antropofágica dá início, no dia 19 (sábado), a uma mostra de seu repertório, comemorando 10 anos de atividades.
Programação
Sábado, 19 de janeiro:
15h – Terror e Miséria no Novo Mundo – Parte I: Estação Paraíso
17h – Entre a Coroa e o Vampiro – Terror e Miséria no Novo Mundo – Parte II: O Império
20h – Terror e Miséria no Novo Mundo – Parte III: A República
Terça-feira, 22 de janeiro, às 20h: Via Crucys à Brazyleira
Quarta-feira, 23 de janeiro, às 20h: Zumbi or not Zumby
Quinta-feira, 24 de janeiro, às 21h: A Tragédia de João e Maria: Teatro da Deformação
Sexta-feira, 25 de janeiro, às 21h: Kabaré Antropofágico

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

TERROR E MISÉRIA NO NOVO MUNDO, PARTE III: A REPÚBLICA


Sábados e Domingos no Espaço Pyndorama, na Rua Turiassú, 481, Perdizes.
19h - chegar com uma hora de antecedência
*Isso não é  uma autópsia

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Via Crucys à Brazyleira

Habilite as imagens.

Terça-feira ,11 de setembro de 2012 às 20h30, o Núcleo Py da Cia Antropofágica, estréia Via Crucys à Brazyleira, obra livremente inspirada n’O Pagador de Promessas de Dias Gomes, que revisita a história de Zé-do-Burro a partir de pesquisas sobre a República brasileira. Através de uma linguagem épico-surreal, a peça traz temas como religião e reforma agrária, a fim de elucidar um processo no qual muitas movimentações sociais e populares são criminalizadas como atos terroristas.
Espaço Cultural Pyndorama – 40 lugares
Temporada: 11 de setembro a 30 de outubro de 2012
Apresentações: Terça-feira, 20h30 
Informações: (11) 3871-0373 
Recomendação etária: 16 anos


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Rua Florada, Sem Saída

Está em cartaz de 18 a 23 de setembro o espetáculo "Rua Florada, Sem Saída", do grupo Casa da Tia Siré.

O espetáculo narra trajetória e o crescimento de quatro crianças dentro de um mundo onde crescer não é só um percurso natural , biológico, mas uma determinação da sociedade de consumo - ou simplesmente do capitalismo. Aos poucos absorvidos por este mundo, o que restam deles?

Está em cartaz no teatro de arena, dentro do projeto de ocupação da Cia do Latão, 11h da manha, aos sábados e domingos.

Um infanto-juvenil completamente necessário para todas as idades.

A entrada é gratuita!


terça-feira, 3 de julho de 2012

João e Maria, comentários sobre a fabulosa barbárie em que vivemos



por culturamarxista





Abaixo, publicamos texto sobre a peça “João e Maria”, da Companhia Antropofágica, que assistimos no espaço da Companhia do Feijão na semana passada.
POR MILA
Muitos estudos mostram uma universalidade nas narrativas simples tais como as fábulas, onde para cada sentimento do mundo se atribui um personagem correspondente e, também, onde o mercado de obras literárias as coloca no ramo infantil pelo mesmo argumento: o mal é a bruxa, o bem é a princesa, o herói é o príncipe, etc. Tal apropriação do universal fez com que um novo nicho mercadológico conseguisse se expandir para além do setor infantil, colocando os complexos de Cinderela, Chapeuzinho Vermelho e Peter Pan, respectivamente com os traumas da sociedade patriarcal dentro da psique de um adulto, a mulher passiva que vê no casamento uma possibilidade de crescimento social, ou a ativa que acaba sendo sucumbida pelas mesmas leis patriarcais que a leva para caminhos de perda (provavelmente a perda do pudor cristão e, consequentemente, do marido “ideal”) e, por fim, do menino que não quer crescer e assumir sua responsabilidade perante o mundo e aguarda uma mãe que lhe dê todo o respaldo de não se tornar um patriarca. Egocentrismos a parte, o que poderíamos ver na psique de João e Maria, duas crianças abandonadas pela miséria que encontram o paraíso de doces, ou melhor, uma propriedade da bruxa cheia de doces que nada mais é do que a isca para um abate?
Foi este o trabalho da Companhia Antropofágica, que, retirando os elementos de psicologização da fábula, mostrou através dela a realidade nua e crua do processo de higienização pós–ditadura. Tornar a fábula materialista, no sentido de demonstrar as contradições sociais no desenrolar da trama, já é por si só um elemento de contraposição ao uso das fábulas, que, como comentei acima, serve para universalizar tendências que legitimam os preconceitos da nossa sociedade. Pelo contrário, após a peça não irá ninguém ter a coragem de maldizer o ato do saque. Pois bem, crianças miseráveis, filhos de trabalhadores – o pai foi representado com uma enxada – que por conta do sofrimento de ver seus filhos com fome, são levados a abandonarem no meio da floresta. Lá eles encontram a casinha da bruxa cheia de guloseimas, seriam eles capazes de negar a fome por princípios éticos? Por respeitar a propriedade privada? A mesma, sem eles saberem, que propicia a organização de monopólios que causam a miséria dos pequenos produtores, tal qual seu pai?
Outro fator muito importante na peça foi o uso da infantilidade, tão bem apropriada para legitimar o psicologismo, mas que aqui foi usada como uma técnica para causar o estranhamento. Seria bem diferente se tratasse de adultos; as crianças não fizeram nada para merecer aquilo, não é isto que nossa cultura nos faz sentir? Mas, para além, a criança, assim como os animais, causam estranhamento, pois desnaturalizam as mazelas sociais, acontecendo com eles é um olhar de descoberta, assim, aquilo que já se passa despercebido, pois temos como dado e passado, para a criança a novidade, seja ela qual for, passa por uma ótica de apreensão e estranhamento perante o mundo. No caso dos animais o estranhamento se dá por via da desumanização, exemplo típico da Metamorfose, em que nos tornamos bichos a partir do momento que não levantamos da cama para mais um dia produtivo na esfera do trabalho.
Tem gente que não aprende nunca, não ligam para limpeza, desprezam sua higiene pessoal e usam sempre as mesmas roupas, sujas, é claro, e pensam que ninguém percebe.
Campanha Sugismundo, 1970
A bruxa entra na história e pune as crianças primeiro com a prisão, o que nos remete a FEBEM, obviamente, mas também alude a todo o universo das escolas públicas, em que a educação é pautada pela lógica do professor – carcereiro – e do aluno a ser corrigido para não ser amputado da sociedade, na tentativa de tirá-lo da marginalidade para ser o trabalhador precário ou o da reserva de mão–de-obra, o desempregado. Pronto, o jogo está começado, bolinhas de sabão, ursinhos de pelúcia e aquela violência tremenda para os dois irmãozinhos com fome … A bruxa sendo olhada individualmente, fora de qualquer contexto, não é necessariamente malvada como estamos acostumados a encontrar: ela lava as crianças, ela ensina a trabalhar, ela permite que eles comam e depois verifica se estão ficando “prontos”, com os dedos gordinhos. Daí percebemos a verdadeira propaganda da nossa Democracia. A bruxa, após mandar executar a violência mais brutal contra a Maria, dá um choque de consciência levando-a para o que simbolizaria uma ONG. Ela passa a pintar a família até o final da peça, reproduzindo uma das instituições mais retrógradas da nossa sociedade, que anteriormente era retratada por via da sua brincadeira com João e sua boneca. Depois de solto, João entra em contato com o parvo, aquele que simplesmente reproduz as contradições, personagem amoral, ele funciona enquanto personagem arquetípico por personificar toda a barbárie antes demonstrada nas relações entre os personagens. Ele estupra João, que se revolta, comendo o passarinho que apareceu no inicio como elemento idílico, afogando a bruxa e colocando fogo nos desenhos de Maria, trazendo a revolta como desfecho do nosso processo civilizatório.
A democratização mascara todos os processos da ditadura que existem até hoje como expressão democrática da contenção social. A repressão direta se mostra ora mais ,ora menos, como uma resposta aos processos de contradição. O que dá a medida das respostas que sofremos é a própria luta travada contra esses regimes. A nossa democracia se ameaça com o seu próprio desenvolvimento, pois perpetuando a miséria e a sociedade de classes, velando toda a violência em que vivemos e propagando um mundo melhor por via da educação, do assistencialismo, fará com que o nosso companheirinho João não dê uma resposta individual, mas que todos os Joãos possam botar fogo nas reproduções alienantes da nossa sociedade e matar de vez a bruxa, sendo ela má, como comumente a vemos, ou democrática!
Mas aqui se trata de teatro e não da realidade, vimos os personagens se trocarem na nossa frente e um bando de ursinho vir nos explicar o feito. Só para não cairmos no erro de nos emocionarmos o bastante a ponto de cegarmos aos elementos essenciais de combate a essa vida, ops, peça miserável.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Companhia Antropofágica na Mostra Trabalho de Grupo





Companhia Antropofágica na Mostra Trabalho de Grupo 

Dentro das atividades comemorativas de seus 15 anos, a Companhia do Latão apresenta a Mostra Trabalho de Grupo, que integra o Projeto de Ocupação do Teatro de Arena Eugênio Kusnet. Alguns dos mais combativos grupos teatrais da cidade mostram como trabalham. Sete coletivos de São Paulo abrem seus processos com apresentações artísticas comentadas, seguidas de debate com a plateia.

Companhia Antropofágica, dias 16 e 17 de junho

Sábado às 20 horas. Domingo às 19 horas.

Através de canções, cenas e debates, utilizando uma estrutura épico-didático-revisteira, a Cia. Antropofágica mostra recortes de seus processos de pesquisa e produção. Para tanto serão apresentados fragmentos de espetáculos, estudos e leituras presentes em seus 10 anos de trajetória, entre eles Macunaíma no País do Rei da Vela; A Tragédia de João e Maria; Os Náufragos da Rua Constança; Mas afinal, o que é a Liberdade?; Zumbi or not Zumby; Karroça Antropofágica; Kabaré Antropofágico; O Auto dos 99%; as duas primeiras partes da trilogia Liberdade em Pi(y)ndorama e os atuais experimentos cênicos para a terceira parte.

Tendo como proposta de pesquisa a incorporação da antropofagia como princípio criador e motivador de todo processo artístico, o grupo devora a História do Brasil a fim de debater questões como a indústria cultural e o desenvolvimento da luta de classes, modificando e ressignificando fatos e documentos históricos.



Serviço
Duração: 1h30 (apresentação) 30min. (debate)
Censura: 16 anos
Teatro de Arena Eugênio Kusnet
Rua Teodoro Baima, 94
Entrada Franca