O Coletivo Cinefusão surge, no final de 2008, a partir da iniciativa de trabalhadores de diversas áreas - cinema, jornalismo, publicidade, artes cênicas, filosofia, arquitetura, fotografia -, empenhados em criar primeiramente uma rede colaborativa que pudesse dar conta da junção dessas linguagens e também da possibilidade de abarcar potencialidades em busca de produção artística independente, mas também de reflexões concretas acerca da sociedade. É principalmente sobre este último pilar de atuação política, que o grupo vem, atualmente, pensando o cinema, sempre vinculado a outras expressões artísticas e movimentos sociais.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Oficinas Gratuitas - Oficina Cultural Oswald de Andrade. III - Dança

Oficina de Dança/Teatro “Corpo como Ferramenta Política”

14/10 a 16/12 – terça e quinta – 14h às 17h
Coordenação: Sandro Borelli
Adultos, com conhecimento intermediário
Seleção: carta de interesse e currículo e aula aberta (14/10 às 14h)
Inscrições: 4/10 a 13/10. 25 vagas

Jam Session com o ...Avôa! Núcleo Artístico
29/10 - sexta – 19h30 às 21h30
Coordenação: Luciana Bortoletto
Adultos, Interessados em geral
Seleção: primeiros inscritos
Inscrições: 4 a 28/10. 30 vagas

Intervenção Cênica de rua com o ...Avôa! Núcleo Artístico
26/11 - sexta – 18h às 19h
Coordenação: Luciana Bortoletto
Adultos, Interessados em geral

Workshop de Dança Contemporânea “Corpo e Movimento”
8 a 12/11 – segunda a sexta – 10h às 13h
Coordenação: Ana Andréa
Adultos, com conhecimento intermediário
Seleção: currículo
Inscrições: 4/10 a 3/11. 20 vagas

Coordenação: Valdir Rivaben

Rua Três Rios, 363 - Bom Retiro - Cep: 01123-001
São Paulo - SP
(11) 3221-5558 begin_of_the_skype_highlighting (11) 3221-5558 - 3222-2662
oswalddeandrade@oficinasculturais.org.br
Funcionamento: Segunda a sexta 9h às 22h e sábado das 10h às 17h

Oficinas gratuitas - Oficina Cultural Oswald de Andrade. II - Audiovisual

Oficina “O Ator no Cinema” – Método de Interpretação Lee Strasberg

18/10 a 16/12 – segunda e quinta – 19h30 às 21h30
Coordenação: Paula Ribas
Adultos, com conhecimento intermediário
Seleção: carta de interesse, currículo e entrevista para os pré-selecionados
Inscrições: 4/10 a 14/10. 20 vagas

Oficina de Análise Fílmica – História do Cinema
13/10 a 15/12 – quarta – 18h30 às 21h30
Coordenação: Sylvio Rocha
Adultos, iniciantes
Seleção: carta de interesse
Inscrições: 4/10 a 8/10. 30 vagas

Oficina “Representando o Real – A Realização de um Documentário”
14/10 a 14/12 – terça e quinta – 18h30 às 21h30
Coordenação: Guiomar Ramos
Adultos, com conhecimento intermediário
Seleção: apresentação de pré-roteiro
Inscrições: 4/10 a 8/10. 30 vagas

Palestra “A Linguagem Cinematográfica”
25/10 - segunda – 19h30 às 21h30
Coordenação: Philippe Barcinski
Adultos, com conhecimento intermediário
Seleção: primeiros inscritos
Inscrições: 4/10 até a data da palestra. 40 vagas


Coordenação: Valdir Rivaben

Rua Três Rios, 363 - Bom Retiro - Cep: 01123-001
São Paulo - SP
(11) 3221-5558 begin_of_the_skype_highlighting (11) 3221-5558 - (11) 3221-5558 - 3222-2662
oswalddeandrade@oficinasculturais.org.br
Funcionamento: Segunda a sexta 9h às 22h e sábado das 10h às 17h
Oficina Cultural Oswald de Andrade

Oficinas gratuitas: Oficina Cultural Oswald de Andrade. I - Artes Visuais

Oficina “Criações e Construções em Escultura”

19/10 a 16/12 – terça e quinta– 18h30 às 21h30
Coordenação: Brenda Maida
Adultos, iniciantes
Seleção: questionário
Inscrições: 4/10 a 15/10. 20 vagas

Oficina de Stencil Art
14/10 a 30/11 – terça e quinta – 14h às 17h
Coordenação: Lucas D.
Adolescentes, iniciantes
Seleção: primeiros inscritos
Inscrições: 4/10 a 13/10. 15 vagas

Oficina de HQ e Desenho “Muito além dos Quadrinhos”
16/10 a 18/12 – sábado – 14h às 17h
Coordenação: Nicolás Monastério
Adolescentes, iniciantes
Seleção: carta de interesse
Inscrições: 4/10 a 9/10. 20 vagas

Oficina Pintura: Conceitos, Procedimentos e Desdobramentos no Espaço Urbano
14/10 a 16/12 – quinta – 9h às 12h
Coordenação: Hélio Schonmann
Adultos, iniciantes
Seleção: questionário
Inscrições: 4/10 a 8/10. 20 vagas

Oficina História da Arte “As Correntes Artísticas e suas Obras”
19/10 a 14/12 – terça – 18h30 às 21h30
Coordenação: Izabel Rocha
Adultos, iniciantes
Seleção: carta de interesse
Inscrições: 4/10 a 15/10. 30 vagas

Oficina “Campo de prova”- A gravura em campo ampliado
19/10 a 14/12 – terça - (a partir do dia 20/10 encontros quinzenais as quartas) -18h30 às 21h30
Coordenação: Marcelo Salum
Adultos, com conhecimento intermediário
Seleção: carta de interesse
Inscrições: 4/10 a 14/10. 20 vagas

Oficina “Estudos da Fotografia”
20/10 a 3/12 – quarta e sexta – 18h30 às 21h30
Coordenação: Goya Cruz
Adultos, com conhecimento intermediário
Seleção: carta de interesse e questionário (currículo opcional)
Inscrições: 4 a 18/10. 25 vagas

Oficina de Xilogravura
21/10 a 16/12 – quinta e quarta – 18h30 às 21h30
Coordenação: Francisco Maringelli
Adultos, iniciantes
Seleção: carta de interesse
Inscrições: 4/10 a 16/10. 20 vagas

Ciclo de Palestras “Um Passeio pela Vida e Obra do Artista Marcel Duchamp”
3 a 17/11 – quarta – 19h30 às 21h30
Coordenação: Marc Dubois
Adultos
Seleção: primeiros inscritos
Inscrições: 4/10 a 29/10. 40 vagas

Oficina de Fotografia “Em Busca do Instante Perdido”
5/11 a 7/11 – sexta – 18h30 às 21h30, sábado e domingo – 10h às 13h e 15h às 18h
Coordenação: André Douek
Adultos, com conhecimento intermediário (que possuam câmera fotográfica digital ou analógica {filme 35 mm} ambas com tripé)
Seleção: entrevista – 25/10 às 18h30

Inscrições: 4/10 a 23/10. 18 vagas
Oficina “Introdução à Prática Fotográfica”
16/10 a 18/12 – sábado – 10h às 13h
Coordenação: Armando Prado
Adultos, iniciantes
Seleção: carta de interesse e currículo resumido

Inscrições: 4/10 a 13/10. 25 vagas
Evento de Resultado “Exposição Coletiva de Artes Visuais 2010”
23 a 31/12 – segunda a sexta – 10h às 20h e sábado – 10h às 17h
Aberto ao público


Coordenação: Valdir Rivaben

Rua Três Rios, 363 - Bom Retiro - Cep: 01123-001
São Paulo - SP
(11) 3221-5558 begin_of_the_skype_highlighting (11) 3221-5558 - 3222-2662
oswalddeandrade@oficinasculturais.org.br
Funcionamento: Segunda a sexta 9h às 22h e sábado das 10h às 17h
Oficina Cultural Oswald de Andrade


ESPAÇO CURTAS 2010 "O CINEMA INDEPENDENTE NO BRASIL"


Sábado, dia 09/10, foi dado início ao ciclo de encontros do Espaço Curtas 2010 no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, no espaço Mirante.GRÁTIS

O projeto é idealizado por Lucas Barbosa Villar e pela Associação Cultural Sinfonia de Cães em parceria ao CCJ com o objetivo de realizar encontros de grupos, produtores e artistas de vídeos independentes em um espaço onde possam exibir suas produções e conversar e trocar redes entre os produtores, grupos, participantes e público com a intenção de expandir e conectar as redes de contatos e produções  independentes.

Mais informações: http://projetocicas.blogspot.com/
 
Fonte: http://projetocicas.blogspot.com/

domingo, 17 de outubro de 2010

Teatro: Ocupação cultural em homenagem a Tchekhov


Inaugurada a ocupação “Espaço Tchekhov 2010″ que ficará em cartaz por dois meses, entre os dias 17 de setembro a 10 de novembro, no Complexo Cultural da Funarte.
Assista à reportagem em: http://catracalivre.folha.uol.com.br/2010/09/funarte-inaugura-ocupacao-cultural-de-dois-meses/
A programação traz espetáculos de teatro, exposição, workshops e debates dedicados ao 150º aniversário do nascimento do autor russo, Tchekhov.

Programação:


Tchekhov4 – Uma Experiência Cênica

Estreia: segunda-feira, 20 de setembro, às 20h30
Outras apresentações: de 21 a 29 de setembro e de 18 de outubro a 10 de novembro, de segunda-feira a quarta-feira, às 20h30
Duração: 2 horas
Retirada de senha a partir de uma hora antes de cada apresentação (50 lugares)

 

Temas Para Um Pequeno Conto – Um Áudio-Tour Tchekhoviano pela Barra Funda

Estréia: quinta-feira, 30 de setembro, às 16h
Outras apresentações: de 1 a 13 de outubro (com exceção do dia 9), às 16h

Enfermarias No. 1-6 – Visitação Em Uma Instalação Cênica

Estreia: quinta-feira, 14 de outubro, às 20h30
Outras apresentações: de 15 de outubro a 7 de novembro – quintas-feiras, às 20h30 / sextas, sábados e domingos, às 19h30
Duração: 1 hora
Retirada de senha a partir de uma hora antes de cada apresentação (aprox. 50 lugares)]
Duração: 45 minutos
Retirada de senha a partir de uma hora antes de cada apresentação (10 lugares)

Diariamente de 17/09 (Sex) a 10/11 (Qua); das 16:00 às 20:30
$Gratuito$ 
Na Funarte São Paulo; Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos – Centro. Telefone: (11) 3662-5177 begin_of_the_skype_highlighting              (11) 3662-5177    
Fonte: Catraca Livre








Brasilididade revolucionária: cem anos de cultura e política

Dia 18 de outubro, a partir das 18h30, acadêmicos de diversas universidades paulistas discutem a obra “Brasilididade revolucionária: cem anos de cultura e política” do sociólogo Marcelo Ridenti.
Participam da mesa-redonda a cientista política Márcia Tosta Dias (Unifesp), os sociólogos Renato Ortiz (Unicamp) e Celso Frederico (USP), além do próprio Ridenti, que se dedica a estudar os movimentos políticos e culturais de esquerda no Brasil.

Segunda, dia 18/10 às 18:30
No Cedem/Unesp. Praça da Sé, 108 - Centro. 
Telefone:  (11) 3105-9903

Fonte: Catraca Livre

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Exibição gratuita de Tropa de Elite 2 e Debate com Wagner Moura e José Padilha



O diretor, José Padilha, e o ator protagonista, Wagner Moura, do filme “Tropa de Elite 2” participam de debate aberto ao público, às 20h desta quarta-feira, dia 13, no Cine Livraria Cultura.

O debate será logo após a exibição do longa. As senhas podem ser retiradas na bilheteria do cinema a partir das 19h do dia do evento. O filme é classificado como não recomendado a menores de 16 anos.

O evento é uma realização do jornal Folha de S.Paulo em parceria com o Cine Livraria Cultura.


Tropa de Elite 2

Quando: Qua 13/10 às 20:00 Confira todas as datas
Qua 13/10 às 20:00
Quanto: $ Grátis $ 
Onde: Cine Livraria Cultura
Endereço: Av. Paulista, 2.073 - Cerqueira César - Oeste.

Fonte: Catraca Livre


sábado, 9 de outubro de 2010

Os foras-da-lei do Japão


A Cinemateca Brasileira exibe 17 longas-metragens produzidos entre 1937 e 1996, quase todos eles inéditos no Brasil. Os filmes apresentam um amplo panorama do gênero conhecido no Japão como yakuza eiga, que envolve todos aquelas obras cujas tramas abordam foras-da-lei e organizações criminosas, desde filmes de época (jidaigeki) até produções contemporâneas sobre gângsteres e marginais.

Além de apresentar um inédito panorama histórico da evolução dos yakuza eiga, a mostra “O Sangue Quente do Japão” também oferece ao espectador a oportunidade de entrar em contato com a obra de realizadores japoneses de grande importância e originalidade que permanecem praticamente desconhecidos do grande público, como Hiroshi Inagaki (1905-1980).

Outro realizador de destaque presente à mostra é Kinji Fukasaku (1930-2003), responsável por promover, em meados dos anos 1970, um renascimento dos yakuza eiga com a série de filmes Luta sem código de honra (Jingi naki tatakai), que incluiu oito títulos rodados entre 1973 e 1976.

Confira a programação da Cinemateca Brasileira na íntegra: http://www.cinemateca.com.br/

Em termos de prestígio e reconhecimento crítico, no entanto, nenhum dos cineastas contemplados nessa retrospectiva se compara a Tomu Uchida (1898-1970). Considerado o melhor cineasta do Japão ou o “mais japonês” dos cineastas por muitos críticos e realizadores.

Uchida teve uma longa e notável carreira como diretor desde o período do cinema silencioso, jamais se atendo a um único gênero. Dentre os admiradores confessos de Uchida está o cineasta brasileiro Carlos Reichenbach, que apresenta um debate sobre o mestre na abertura do evento, na Cinemateca.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Oficina da Palavra - Atividades culturais gratuitas

As inscrições podem ser feitas por email ou pessoalmente. O interessado que quiser se inscrever por email, deverá enviar uma mensagem para casamariodeandrade@oficinasculturais.org.br requerendo a ficha de inscrição e indicando o nome da atividade desejada.Para se inscrever pessoalmente o candidato deverá comparecer na Rua Lopes Chaves, 546, Barra Funda/SP, próximo ao Metrô Marechal Deodoro, das 13 às 20h. A Oficina da Palavra - Casa Mário de Andrade abriu inscrições para atividades gratuitas na área de fotografia, literatura, patrimônio cultural e teatro.
 
Clique no link abaixo e confira a programação completa:

Capitão Nascimento na praça outra vez



Ano de eleição. Após o primeiro "Tropa de Elite" - que teve grande repercussão, principalmente através de sua pré-estréia no comércio pirata -, a segunda versão já tem data para estrear, será no próximo 8 de outubro (sexta), logo após as eleições. Não me arrisco a dizer que isso seja mais uma estratégia de divulgação do filme, e se for não pretendo rechaçar ou legitimar a ação, dado que o cenário de produção e difusão de filmes no Brasil é vergonhoso. Não me surpreende que novas tendências de promoção cinematográfica se mantenham constantes, para o bem ou para o mal.

Bom, resolvi rabiscar algumas palavras aqui, pois nessa semana revi a primeira parte da obra na TV record - outro fato "interessante": os filmes que tem sido exibidos na grandes emissoras de TV, ainda que em horário reservado para "intelectuais insônes". De qualquer forma, assisti e, dessa vez, tomando cuidado para entender, de uma vez por todas, o porquê de o filme dirigido por Padilha ter feito tanto barulho. Já fazia tempo que a discussão sobre ser ou não um filme facista me incomodava, principalmente por não saber responder a questão. O fato foi que o assisti, atenciosamente. Cada plano me fazia analisá-lo friamente. Diga-se de passagem, todos esses planos são muito bem feitos, tecnicamente falando. "Tropa de Elite" tem uma boa fotografia, atores ótimos e um roteiro muito bem amarrado, que inclusive utiliza de recursos que não são novos, como os flash backs, que potencializam a ideia de "não tempo", vivida por homens que estão constantemente no limite de suas vidas.

E me perguntava "Qual o problema desse filme?". Como já disse anteriormente, não podemos negar toda a qualidade técnica do filme, no qual cada elemento de arte, som, fotografia, roteiro são, de fato, muito bem trabalhados. Logo, o problema, talvez, esteja em como todo esse competente aparato técnico foi "amarrado" e o que ele viria a representar, no que diz respeito a sua estrutura macro, a forma final, o filme. Primeiro, caso paremos apenas no que diz respeito aquilo que é técnico no filme, efeitos especiais, tiros, trilha que cresce junto a saga de cada personagem, estaríamos somente reproduzindo o discurso do "cinemão" hollywoodiano. E o filme iria da "arte pela arte" para o alienado e vazio entretenimento.

Talvez, a crítica que acredito, no momento, ser mais eficaz é que independente daquilo que o filme contextualiza ou tenta contextulizar - sendo ele marxista ou facista -, sua forma dialoga diretamente com o conservadorismo e a caretice de muitos blokbusters. E é essa forma que serviu muito mais para a comercialização do filme do que necessariamente para o exercício artístico. Até por isso que fica cada vez mais complexo denominar o filme facista ou não. O filme não demoniza ou endeusa diretamente traficantes ou policiais. Mas critica ferozmente uma burguesia que necessita sentir-se culpada pela miséria que as rodeia. Pela varanda do apartamento enxergam apenas as cabeças rolando pelo submundo. E a partir daí fundam ou se associam às ONGS, exercendo o seu papel social.

Apesar disso, ao tentar ser mais comercial do que didático-artístico, "Tropa de Elite" toma o rumo de investir em cenas de violência explícita, por exemplo, como forma de incentivar a nós, público brasileiro, que nos preparamos, sofremos, mas gostamos dessa bárbarie. E claro para o dito 1º mundo que de nós aqui - emergentes - querem mais é ver a destruição interna, como numa briga de insetos, muito mais do que grandes artistas, filósofos, trabalhadores e afins.

Antes de encaminhar uma conclusão é importante lembrar que crítica se faz diretamente ao como a obra se mostra, para mim. Pois, como demonstrado logo depois de Tropa de Elite, Padilha é de fato um grande artista e prova isso em "Garapa".

Posso lançar um olhar otimista sobre o filme, pensando talvez que ele trata de uma guerra - fato - que já nasceu perdida, onde explorados lutam entre si e a única coisa que está em jogo é o poder sob algo que por fim é apenas um micropoder, já que o que eles tem não será potencializado. Ou seja, traficantes conseguiram dominar seu morro, sua comunidade, talvez algumas outras, porém não sairão disso. O estado e a democracia estão muito bem amparados e estruturados para contê-los. O mesmo serve para os policiais que talvez consigam subir de patente mas serão eternos lacaios e defensores da elite. Policias e traficantes se digladiam por uma democracia burguesa. O povo está em meio a isso. E é nesse ponto minha maior crítica ao filme. Apesar de não ser obrigado a isso - por talvez não ser sua proposta -, a obra parece esquecer a massa trabalhadora, a classe pobre. Passam despercebidos, inexistentes, quietos. Talvez pudéssemos lançar mais um olhar otimista e dizer que isso era parte da proposta do filme, no qual o povo estaria inerte a tudo isso. Mas, pelo contrário, não consigo acreditar nesse fato e o filme acaba por não apontar para lugar algum.

De fato, o lado dos traficantes é cercado por homens sujos, mal encarados, tortos. Já os policiais, apesar de carrancudos, corruptos e mesquinhos em grande parte, possuem um carisma único que seja talvez o que provocou tanto sucesso com o personagem de Wagner Moura. Mais um filme que de fato não passará em branco, continuará e será ainda alvo de muitas discussões, críticas, elogios. Eu mesmo não posso dizer o que direi daqui a dois anos sobre ele. Mas fica uma sensação, após assisti-lo e tentar exprimir em palavras o que vi, senti, ouvi; o cinema brasileiro, apesar dos "investimentos" na área e os novos editais, parece regredir junto ao vaso sanitário da globo filmes e tenta criar um cinema doutrinador e cada vez mais próximo dos enlatados americanos. Que pena.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Oficinas Culturais abrem inscrições

As Oficinas Culturais do Estado de São Paulo, com produção da Poiesis — Instituto de Apoio à Cultura, Língua e Literatura e realização do Governo do Estado de São Paulo, abrem inscrições para oficinas e workshops nas mais variadas vertentes artísticas, tais como artes visuais, circo, dança, música e teatro. As inscrições terão início no dia 4 de outubro na capital, interior e litoral.

Na capital, são seis Oficinas Culturais distribuídas nos bairros do Bom Retiro, Barra Funda, Brás, Itaquera, São Miguel Paulista e Vila Brasilândia, já no interior e litoral do estado temos outras quinze unidades, nas cidades de Araraquara, Araçatuba, Bauru, Campinas, Iguape, Limeira, Marília, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Carlos, Sorocaba e São João da Boa Vista.

PROTESTO

Segue, emprestado de Brecht, o nosso singelo protesto aos 1,3 milhões de analfabetos políticos que votaram no Tiririca nessas eleições. E que fique claro que o analfabeto político de Brecht é justamente aquele que justifica o seu voto no Tiririca como voto de protesto.

 

O Analfabeto Político
Berthold Brecht

O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.

Turtles can fly - Direção Bahman Ghobadi




Para onde essas crianças correm?

Todas, juntas.

Como se mais nada houvesse em suas miseráveis vidas.

Correm, com as mesmas roupas dos outros dias.

De quando em vez uma blusa surrada as protegem do frio.

Pulam amarelinha entre minas.

Para onde correm essas crianças?

Por terras onde, quiçá, só vento se semeia.

Entre elas, o mais novo

pés descalços enterrados, se atracando contra o chão

em meio a pedras, balas, terra, água.

Agarrado ao arame farpado, parecia avistar alguma salvação

mas não por seus olhos esbranquiçados pela cegueira.

E em meio ao som de rifles, tanques, choros e gritos

por aquele enorme pano, branco, vermelho, azul

avistava 50 estrelas, nada mais que isso

como um grande cobertor, que caía lentamente

mas não cobria como que numa noite fria

sufocava, seus pelos entravam pelas narinas

por debaixo dele vi uma menina, que dizia:

“- ainda com os olhos tapados,

    procurava teus braços

    e não os sentia mais,

    mas me agarra mesmo assim,

    nem que seja para sentir o começo

    e o fim do teu cotovelo na minha costela.”

domingo, 3 de outubro de 2010

CINEFUSÃO INDICA - BOCATO


Todas às quartas feiras no Saravejo Club, na rua Augusta, nº 1397. 

Bocato iniciou seus estudos na banda da Escola Municipal Baeta Neves aos 7 anos de idade. Estudou na Fundação das Artes de São Caetano, no Instituto de Música do Planalto e Faculdade da Unesp, onde estudou composição e regência. No final dos anos 70 tocou com Arrigo Barnabé e Itamar Assunção do Festival Univesitário da Cultura, onde Arrigo Barnabé foi o vencedor com a música “Diversões Eletrônicas”. Em 1980 tocou e gravou com Elis Regina no show “Saudades do Brasil”. Depois desse disco sua carreira como instrumentista se intensificou muito, tocando com Rita Lee, Ney Matogrosso, Roberto Carlos e outros. Em 1982 fundou a Banda Metalurgia, que gravou um disco que foi considerado o melhor instrumental do ano. Em 1985 lançou seu primeiro LP solo. Atualmente sua discografia tem os seguintes discos: “Lixo Atômico”, “Sonho de um Anarquista”, “Concerto para Trombone Quebrado”, “Abruxa-te”, “Aqui Jazz Brasil”, “Ladrão de Trombone” e os CDs “Bem Dito”, “Samba de Zambas”, “Acid Samba” (estes dois últimos feitos na Suíça). Gravou ainda o CD “Tributo a Pixinguinha” em 97 com o qual realizou tourne pela Europa em comemoração aos 100 anos de Pixinguinha. Em 2004 lançou “Cacique Cantareira” e “Antologia da Canção Brasileira - vol.1” com Léa Freire, pelo selo Maritaca. Bocato também participou em várias gravações de artistas como Ná Ozzetti, Zé Miguel Wisnick, Gal Costa, Edson Cordeiro, Zéca Baleiro, Chico César, Celso Viáfora, Carlinhos Brown, Nação Zumbi, Fala Mansa, Pavilhão 9 e Art Popular, Marcelo D2 entre outros. Em 1998 fez nova tourne pela Europa com sua Banda e concorreu ao Prêmio Sharp como Melhor Arranjador pelo seu CD “Tributo a Pixinguinha”. Em 99, morando na Europa, participou do Festival de Montreaux tocando as músicas de seu CD “Samba de Zamba”. Em 2000 apresentou seu CD “Acid Samba” na Suíça. Em 2003 participa do Festival de Moscou, com sua banda e acompanhando Leny de Andrade e João Donato. Atualmente além de concertos por todo Brasil com seu grupo, está em processo de gravação de dois discos.

Conheça o som: http://www.myspace.com/bocatoegrupo
Saravejo Club: http://www.sarajevoclub.com.br/

sábado, 2 de outubro de 2010

Erramos

Circula na internet a charge de Angeli que postamos, na qual a palavra "nele" foi alterada por Lula. Não verificamos a fonte e, portanto, admitimos o erro. Veja a imagem correta abaixo.

No entanto, diante das concessões e coligações que o Lula fez e considerando a atual conjuntura, acreditamos que a palavra "nele" pode, talvez, ser substituída por Lula. Acreditamos que o próprio Angeli, ao qual pedimos desculpas pela charge alterada, deve pensar algo parecido a respeito do governo petista.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Buñuel e a crítica à arte burguesa

Para darmos sequência ao debate sobre o filme "O Discreto Charme da Burguesia" - exibido no último dia 26, no Cineclube Cinefusão, proponho aqui mais uma livre interpretação.

Entre tantas críticas que o filme traz, gostaria de levantar aquela que talvez diga respeito à arte. Em 3 momentos, "O Discreto Charme" traz, de alguma forma, referências ao própria fazer/fruir artístico. Na primeira delas, as  três amigas protagonizam um cômico chá da tarde, na qual a possibilidade de se concretizar o ritual burguês é ridicularizada. É durante essa cena que presenciamos o único momento musical do filme, no qual uma pequena orquestra executa uma belíssima peça, enquanto as três damas trocam futilidades. Buñuel concretiza o seu ataque a um público burguês, representado por Florence que pede para trocar de lugar com a irmã, pois não gosta de olhar o violoncelo, algo que considera ultrapassado e grosseiro. Ao mesmo tempo, o músico nos brinda com um precioso solo desse instrumento e Buñuel nos revela a precariedade do gosto artístico dessa burguesia, que aprecia não a arte, mas sim o seu requinte.

Em outra passagem do filme, o diretor ataca a arte sob outra perspectiva: aquela que diz respeito à apropriação que as classes dominantes fazem dos meios artísticos como forma de repressão e criminalização de tudo que vai contra o sistema. Para isso, Buñuel se utiliza de um elemento simbólico, ao mostrar baratas saindo de dentro de um piano, enquanto este é utlizado como cama elétrica, em uma sessão de tortura com choques para que um prisioneiro revele uma informação. O piano, instrumento artístico, sendo utilizado como meio de tortura representa a utilização burguesa da arte e as baratas a repugnância de tal uso.

Por fim, a terceira possível crítica em "O Discreto Charme da Burguesia" ocorre naquela que talvez seja a cena mais emblemática do filme: a sequência-sonho em que uma sala de jantar é transformada em palco teatral. Buñuel parece querer nos colocar, como espectadores, frente a frente com a nossa própria condição perante o filme. Pra cá da tela, estamos nós, observando incrédulos a hipocrisia burguesa. Ao centro, a elite hipócrita e escrava de códigos janta em uma grande mesa, compondo o chamado "espetáculo". No lado oposto, a representação de nós mesmos, uma platéia, vaia a fraca atuação dos burgueses. Além de propor a atuação crítica perante os objetos artísticos e, portanto, nos convidar ao embate crítico com o seu próprio filme, Buñuel não é complacente com uma suposta classe artística  elitista, que protagoniza um jogo de aparências em que as falas são sussuradas e não há arte verdadeira.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

DEBATE - "AS PERSPECTIVAS PARA A CULTURA NO BRASIL E EM SÃO PAULO"

Dia 29 de setembro (quarta-feira), às 20h, será realizado o debate "As perspectivas para a cultura no Brasil e em São Paulo", em evento que dá sequência ao Ciclo de Debates sobre as grandes questões nacionais. O foco será no tema do financiamento à produção cultural. Na pauta, a revisão da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), a nova lei dos Direitos Autorais, o Plano e o Sistema Nacional de Cultura e as novas perspectivas para o financiamento à cidadania cultural. Estarão presentes representantes do executivo, do legislativo e da sociedade civil. Participarão do debate:

Ney Piacentini (Cooperativa Paulista de Teatro)

Simão Pedro (Dep. Estadual)

Vicente Cândido (Dep. Estadual, autor da Lei de Fomento ao Teatro)

Sergio Mamberti (Presidente da FUNARTE) - a confirmar

Local: Casa da Cidade - R. Rodésia, 398