O Coletivo Cinefusão surge, no final de 2008, a partir da iniciativa de trabalhadores de diversas áreas - cinema, jornalismo, publicidade, artes cênicas, filosofia, arquitetura, fotografia -, empenhados em criar primeiramente uma rede colaborativa que pudesse dar conta da junção dessas linguagens e também da possibilidade de abarcar potencialidades em busca de produção artística independente, mas também de reflexões concretas acerca da sociedade. É principalmente sobre este último pilar de atuação política, que o grupo vem, atualmente, pensando o cinema, sempre vinculado a outras expressões artísticas e movimentos sociais.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

''A felicidade é uma ideia fundamental''. Entrevista com Alain Badiou


Compartilho aqui, no blog do coletivo, uma entrevista com Alain Badiou, que, para mim, demonstra ser uma luz no pensamento contemporâneo. Vale muito a pena ler. Agradeço ao amigo Thiago Mota, quem me "apresentou" esse grande pensador.
   

Ele é o pensador francês mais conhecido fora das fronteiras de seu país e o mais revulsivo e sugestivo: não renunciou a defender a ideia do comunismo e sua visão igualitária do homem e da sociedade. Seu olhar atravessa toda a problemática contemporânea e ilumina aspectos tão mitificados como as novas tecnologias e sua aparente ilusão igualitária. Em seu último livro, ele avança sobre a potencialidade do amor e seu possível "valor revolucionário".

A reportagem é de Eduardo Febbro, publicada no jornal Página/12, 06-11-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A figura esbelta, a firmeza juvenil da voz e o aperto de mão sólido – pouco comum na França – introduzem o personagem real de Alain Badiou. Esse filósofo original é o pensador francês mais conhecido fora das fronteiras do seu país. Sua obra, extensa e sem concessões, abrange uma crítica ferrenha ao que Alain Badiou chama de "materialismo democrático", isto é, um sistema humano em que tudo tem valor mercantil. Badiou nunca renunciou a defender um conceito que muitos acreditam estar queimado pela história: o comunismo.

Em sua pena, Badiou fala mais da "ideia comunista" ou " hipótese comunista" antes que do sistema comunista em si. Segundo o filósofo francês, tudo o que estava na ideia comunista, sua visão igualitária do ser humano e da sociedade, merece ser resgatado. A ideia comunista "ainda está, historicamente, em seus inícios", diz Badiou.

O horizonte de sua filosofia é polifônico: seus componentes não são a exposição de um sistema fechado, mas sim um sistema metafísico exigente que inclui as teorias matemáticas modernas – Gödel – e quatro dimensões da existência: o amor, a arte, a política e a ciência. Pensador crítico da modernidade numérica, Badiou definiu os processos políticos atuais como uma"guerra das democracias contra os pobres". O filósofo francês é um excelso teórico dos processos de ruptura e não era mero panfletário. Badiou convoca com método a repensar o mundo, a redefinir o papel do Estado, traça os limites da "perfeição democrática", reinterpreta a ideia de República, reatualiza as formas possíveis e não aceitas de oposição e coloca no centro da evolução social a relegitimação das lutas sociais.

Alain Badiou propõe um princípio de ação sem o qual, sugere, nenhuma vida tem sentido: a ideia. Sem ela, toda existência é vazia. Em seus mais de 70 anos, Badiou introduziu em sua reflexão a questão do amor em um livro brilhante e comovedor que acaba de sair na França e no qual o autor de "O ser e o evento" (Ed. UFRJ, 1998) define o amor como uma categoria da verdade, e o sentimento amoroso, como o pacto mais elevado que os indivíduos podem moldar para viver.

Eis a entrevista.

A "ideia" e o "materialismo democrático"

O senhor defende um princípio básico da nossa inscrição na existência, do qual se desprendem também nossos compromissos políticos: uma vida sem ideias não é uma vida.

A verdadeira pergunta da filosofia consiste em saber o que é uma vida verdadeira, o que é viver, o que é o destino. Mas a filosofia deve contribuir com respostas mínimas a essas perguntas. Minha resposta, que, por sua vez, é uma hipótese e uma conclusão, é que a verdadeira vida é uma via que aceita estar sob o signo da ideia. Dito de outra forma, uma vida que aceita ser outra coisa do que uma vida animal. Em todas as situações, sempre persiste a vontade de querer algo, e essa vontade só tem sentido em relação a uma vontade de transformação.

Como essa ideia da ideia se inscreve em plena ditadura do que o senhor chama de "materialismo democrático"? Em suma, como existe, com que ideia, em um mundo onde tudo tem forma de produto?

Esse é o principal problema da vida contemporânea. Estabeleceu-se um regime de existência no qual tudo deve ser transformado em produto, em mercadoria, incluindo os textos, as ideias, os pensamentos. Marx havia antecipado isso muito bem: tudo é medível segundo seu valor monetário. O que é, então, uma vida sob o signo da ideia em um mundo como esse? É preciso uma distância com a circulação geral. Mas essa distância não pode ser criada só com a vontade. É preciso que algo nos ocorra, um acontecimento que nos leve a tomar posição frente ao que passou. Pode ser um amor, um levante político, uma decepção, enfim, muitas coisas. Ali é posta em jogo a vontade para criar um mundo novo que não estará à ordem do mundo tal como ele é, com sua lei de circulação mercantil, mas sim por um elemento novo da minha experiência.

A "ideia comunista"

O senhor é um dos poucos pensadores que ainda defendem isso que o senhor chama de "a ideia comunista". O senhor propõe o comunismo como uma ilusão atual.

Sei muito bem que algumas empresas que se reivindicaram como comunistas fracassaram, porque não conseguiram criar o mundo novo que pretendiam e acabaram provocando danos consideráveis e situações terríveis. Temos duas opções: ou dizemos que essa hipótese comunista de um mundo que não estaria regulado pela mercadoria, o produto, não pode se realizar, e então nos resignamos ao mundo tal como ele é; ou mantemos a hipótese comunista. Se a mantivermos, também é preciso conservar a palavra. Se tiramos da experiência histórica a conclusão de que é preciso abandonar a palavra, isso seria um retrocesso não necessário. Podemos fazer nosso próprio balanço do que ocorreu no século XX a partir da possibilidade de redefinir o que é o comunismo como porvir possível. Essa é a minha escolha. Sei que se trata de um trabalho longo, que requer muita reflexão e que será mais mundial do que antes. A primeira batalha consiste em manter a força e o significado dessa palavra.

O que pode se recuperar, o que pode se voltar a ler do que o comunismo foi, com todo um naufrágio real na sua prática? Que mensagem ainda existe na ideia comunista?

Acredito que podemos voltar ao que o comunismo queria dizer não só para Marx, mas também para muitos revolucionários do século XIX. Para eles, o comunismo tinha um sentido comum que era a ideia de uma sociedade extraída do princípio do interesse, isto é, uma sociedade que não é governada pelo fato de que um homem busca seu interesse, mas sim pela ideia da associação dos homens. É essa associação que define os projetos ou as metas coletivas. No século XX, essa ideia se converteu na de um Estado todo-poderoso que resolve todos os problemas propostos à sociedade. Entre a definição do século XIX e a do século XX há uma enorme distância.

O que ocorreu entre as duas?

A obsessão do poder. As organizações operárias, militantes, revolucionárias, que haviam sido esmagadas várias vezes no século XIX, se obstinaram com a ideia do poder e a pergunta "como vencer?". Houve duas alternativas a essa convicção:há os que se uniram à democracia parlamentar ordinária com a ideia de vencer fazendo-se eleger. Mas, claro, foram eleitos e não mudaram nada, o mundo continuou sendo o mesmo. Do outro lado, há aqueles que se lançaram na organização da sublevação armada. Mas, lamentavelmente, fizeram isso mediante a militarização violenta da ação política, que desembocou em Estados militarizados que resolviam os problemas com a violência. Chegamos, de alguma forma, a um final porque nem a hipótese da via pacífica e eleitoral, nem a hipótese de um aparato estritamente militar encarregado de resolver os problemas políticos levaram ao comunismo, segundo o sentido original do termo. E o problema da ação política atual é totalmente obscuro. Assistimos a uma mundialização capitalista sem freios, e, nela, as forças políticas dão mostras de mais debilidade do que de forças.

A impunidade e a violência

Seja qual for a situação mundial na qual nos encontremos, na África, no Oriente Médio, na Ásia, na América Latina ou nas democracias ocidentais, enfrentamos a mesma indolência, o mesmo selvagismo, a mesma impunidade, a mesma assimetria por parte dos poderes, a mesma violência.

Estou profundamente convencido de que a forma em que a sociedade está organizada em escala planetar alimenta e cria chamados à violência. A razão principal radica em que, para o sistema, a realidade humana é a concorrência. A ideia de Hobbes segundo a qual o homem é um lobo para o homem constitui a convicção profunda da nossa sociedade. Por essa razão, gera violência constante: a sociedade dá o direito geral para que, em seu próprio interesse, se pisoteie os demais. A imprensa mais ordinária faz o elogio dessa violência. Os jornais falam de como tal banco esmagou o outro, de como as pessoas foram expulsas etc., etc. Isso, dizem, é a vida, a concorrência. Mas é preciso pagar o preço. 

Enquanto não enunciarmos que as sociedades devem se constituir com base na associação e não na concorrência, permaneceremos no elemento primordial da violência. Não digo que a violência vai desaparecer. A sociedade alimenta sistematicamente a violência e depois se vê obrigada a combatê-la com uma repressão terrível. Como a violência é constantemente incitada, faz falta um aparato policial para controlá-la. O resultado é que terminamos agregando à violência social a violência do Estado. Devemos mudar os pilares da existência coletiva. Mas o ser humano é capaz de outra coisa que toda essa violência: é capaz de entrega, de amor. Tem uma dupla capacidade. Pode ser um animal de concorrência, mas também um animal altruísta, interessado na ação coletiva, capaz de encarnar ideais, pode ser um apaixonado ou um cientista desinteressado. Saber que aspecto do ser humano nós alentamos é uma decisão fundamental.

Dentro dos sistemas políticos ocidentais, há algo que se degradou profundamente no último quarto de século. Essa evolução drástica está perfeitamente retratada em dois livros seus: o "Manifesto pela filosofia" (Aoutra, 1991), dos anos 1980, e o "Segundo Manifesto", publicado no ano passado.

O Primeiro Manifesto reúne as últimas esperanças do mundo de antes. Mas, nos últimos 20 anos, houve coisas essenciais que mudaram, entre elas, a hegemonia do capitalismo liberal competitivo e violento. Interveio também outra coisa: uma espécie de clara cumplicidade com esse sistema por parte dos intelectuais, incluindo os franceses. Foi uma forma de dizer que não se poder fazer nem esperar outra coisa, que o mundo natural é assim. Isso se acelerou com o desaparecimento da União Soviética e dos Estados Socialistas. Em minha opinião, estes já haviam morrido há muito tempo. Sua experiência já não tinha mais força, já não propunha nada novo à humanidade. O que é certo é que o desaparecimento completo de tudo isso foi vivido pelo capitalismo liberal como uma vitória que lhe abria o espaço do mundo inteiro para se desenvolver. 

As formas de violência e de cumplicidade intelectual com essa violência se desenvolveram muito. Acho que isso começou no final dos anos 1970. A nova figura fundamental é que a opinião, ao invés de estar drasticamente dividida, é massivamente consensual. Esse resultado muda o horizonte, a perspectiva de um filósofo. O filósofo é aquele que sempre luta contras as opiniões dominantes, isto é, as opiniões do poder. Hoje, o combate é muito mais complexo e singular que o dos anos 1960. Nesses anos, os filósofos críticos e comprometidos politicamente dominavam o cenário intelectual. Isso se inverteu. Hoje, eles são os cachorros guardiões daqueles que mandam. Estivemos, com os anos Bush, em uma combinação extraordinária de violência e de mentiras. No fundo, os ocidentais, incluindo a população, foram culpados porque aceitaram tudo isso. É preciso sair de tudo isso. A humanidade não poderá continuar nesse caminho, senão irá rumo à sua eliminação. Trata-se de reconstruir uma visão de mundo e da ação afastada desse horror.

A ilusão tecnológica

A tecnologia também faz parte dessa sociedade, dessa violência. As novas tecnologias instauraram uma espécie de ilusão igualitária, que é muito incômoda, que parece dizer nas entrelinhas: posto que estamos conectados, todos somos iguais. Pois bem, não há nada mais virtual do que essa igualdade. A realidade está presente, as diferenciações são patentes, o pensamento tecnológico contaminou o pensamento humano.

A tecnologia é a realização de uma ideologia que existia antes. Acredito que é a ideologia que cria a tecnologia, e não ao contrário. Essa falsa concepção da igualdade é muito antiga. A desigualdade atual considera de forma abstrata que os diferentes indivíduos são iguais. Pretende-se crer que os indivíduos têm a seu alcance o mesmo sistema de possibilidades. As pessoas não têm a mesma realidade, mas se argumenta que contam com as mesmas possibilidades. É a mitologia com a qual se dizia que, nos EUA, o vendedor de jornais pode se converter em milionário e, por conseguinte, é igual a qualquer milionário. Com esse argumento, a única diferença está em que um realizou a possibilidade de ser milionário, e o outro, não. Há então uma concepção tradicional e falaz da igualdade própria do mundo burguês e competitivo. Todos podemos competir! Essa é a igualdade competitiva. 

Mas penso que a tecnologia da Internet e a conexão universal são a realização material e tecnológica dessa ilusão igualitária. Essa ilusão está muito ligada ao materialismo democrático porque inclui a ideia de que todas as opiniões valem e são iguais. Estamos conectados, e o que eu digo vale tanto quanto o que o outro diz! Com tal de que as coisas circulem, tem valor. Isso é falso. O real continua sendo violentamente desigual, competitivo, brutal, indolente. Não basta ter uma máquina onde podemos dizer o que pensamos para ter acesso à igualdade. Na realidade, quanto mais se expande esse tipo de igualdade ilusória, menos poder as pessoas têm. Observe a crise que vivemos: estávamos todos conectados e logo irrompeu a realidade para nos dizer: atenção, de repente tudo pode ruir! A crise veio para lembrar que essa espécie de euforia igualitária na qual estávamos era artificial. No mundo competitivo, a igualdade é sempre artificial. E essa igualdade artificial pode ser uma igualdade tecnológica justamente porque a tecnologia é um artifício.

A reinvenção do amor

O senhor é um dos poucos filósofos contemporâneos que introduziu em sua reflexão algo único, isto é, o amor. O senhor repete frequentemente que é preciso reinventar o amor. Como se faz isso?

O amor é um gesto muito forte, porque significa que é preciso aceitar que a existência de outra pessoa se converta em nossa preocupação. Minha ideia sobre a reinvenção do amor quer dizer o seguinte: posto que o amor se refere a essa parte da humanidade que não está entregue à concorrência, ao selvagismo; posto que, em sua intimidade mais poderosa, o amor exige uma espécie de confiança absoluta no outro; posto que vamos aceitar que esse outro esteja totalmente presente em nossa própria vida, que nossa vida esteja ligada de maneira interna a esse outro, pois bem, já que tudo isso é possível, isso nos prova que não é verdade que a competitividade, o ódio, a violência, a rivalidade e a separação são a lei do mundo. 

O amor está ameaçado pela sociedade contemporânea. Essa sociedade bem que gostaria de substituir o amor por uma espécie de regime comercial de pura satisfação sexual, erótica etc. Então, o amor deve ser reinventado para ser defendido. O amor deve reafirmar seu valor de ruptura, seu valor de quase loucura, seu valor revolucionário como nunca se fez antes. Não devemos deixar que o amor seja domesticado pela sociedade atual – que sempre busca domesticá-lo. Em outros tempos, as sociedades clericais e tradicionais buscaram domesticá-lo pelo casamento e pela família. Hoje, busca-se domesticar o amor com uma mistura de pornografia livre e de contrato financeiro. Mas devemos preservar a potência subversiva do amor e apartá-lo dessas ameaças. E isso é extensivo a outras coisas: a arte também deve se afastar da potência do mercado, a ciência igualmente. Ali onde há um pensamento humano ativo e desinteressado, há um combate para libertá-los dos interesses.

O senhor também diz que o amor é um processo de verdade.

O amor traz à luz a diferença. No amor, aceitamos nos colocar de dois a dois para explorar não aquilo que os românticos acreditavam, isto é, a fusão, mas sim para aceitar a diferença do outro, aceitá-la apaixonadamente. O amor é todo o contrário do individualismo que nos propõem. É-nos proposto uma soberania do indivíduo, mas, na realidade, o indivíduo sozinho é soberano de seus próprios interesses. Ao fazermos algo interessante, deixamos de ser soberanos. Se realizamos uma demonstração matemática, os outros matemáticos virão verificar se é certa, dependemos deles. No amor, acontece o mesmo. A soberania é compartilhada com a presença do outro. A ideia da soberania individual é pobre, porque excluiu as atividades interessantes da vida humana. O indivíduo se torna criador quando aceita deixar de ser soberano.

O que resta a um casal apaixonado em um mundo como este? A revolta, a música, a poesia, o sexo, a indiferença, a violência, a sabedoria? Quais são os eixos de uma emancipação positiva frente a essa máquina infernal que é o mundo?

Na situação de crise e de desorientação atual, o mais importante é manter as mãos sobre o timão da experiência que estamos realizando, seja no amor, na arte, na organização coletiva, no combate político. Hoje, o mais importante é a fidelidade: em um ponto, embora seja em um só, é preciso tentar não ceder. E para não ceder devemos ser fiéis ao que aconteceu, ao acontecimento. No amor, é preciso ser fiel ao encontro com o outro, porque vamos criar um mundo a partir desse encontro. Claro, o mundo exerce uma pressão contrária e nos diz: "Cuidado, defenda-se, não se deixe abusar pelo outro". Com isso, nos está sendo dito: "Voltem para o comércio ordinário". Então, como essa pressão é muito forte, o fato de manter o timão para o rumo, de manter vivo um elemento de exceção, já é extraordinário. É preciso lutar para conservar o excepcional que nos ocorre. Depois veremos. Dessa forma, salvaremos a ideia e saberemos o que é exatamente a felicidade. Não sou um asceta. Não estou pelo sacrifício. Estou convencido de que, se conseguirmos organizar uma reunião com operário e pusermos em marcha uma dinâmica, se pudermos superar uma dificuldade no amor e nos reencontrarmos com a pessoa que amamos, se fizermos uma descoberta científica, aí começamos a compreender o que é a felicidade. A felicidade é uma ideia fundamental.  

domingo, 14 de novembro de 2010

Plíno Arruda Sampaio lança livro


Não Vi e Não Gostei: Geisy Arruda – Vestida Para Causar


Hoje, com demasiado desprazer nosso humilde guia prático, de utilidade pública para melhor aproveitar seu tempo, dá a dica: Na próxima quarta-feira (16/11), passe o mais longe possível da livraria Martins Fontes na paulista. Sim, pois Geisy Arruda lançará sua biografia.

Utilize seu tempo de melhor forma na quarta-feira. Enforcar-se, por exemplo, nu, na esquina da augusta com a paulista é um programa mais agradável.

O evento acontece quarta-feira, na livraria Martins Fontes: Não Vá!

sábado, 13 de novembro de 2010

14ª Semana de Arte Modesta - Vigiar e Sorrir


A semana de arte modesta acontece de 16 a 19 de novembro, na PUC São Paulo. Estarão presentes os mais diversificados coletivos artísticos, dança, literatura, música, cinema, teatro e muito mais. 

O coletivo cinefusão estará presente com alguma das produções do grupo. Além da Cia  Antropofágica  com o espetáculo "Mas afinal o que é a liberdade?".

Programação e local: http://www.modestasemana.blogspot.com/

Manifesto em Defesa da Arte e da Cultura


Ato na Flaskô

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O analgésico e a ilusão da cura


 
Uma das principais atrações do 14º É Tudo Verdade 2009, o mais recente documentário de José Padilha, “Garapa”, teve sua estreia internacional no Festival de Berlim do mesmo ano, na mostra “Panorama”, com sala lotada. Na capital alemã, o público recebeu o filme em silêncio profundo e isso não foi diferente durante o curto período em que o filme esteve em cartaz em poucas salas brasileiras. “Garapa” mostra o cotidiano de três famílias cearenses – duas delas do sertão e uma da periferia de Fortaleza -, vítimas da fome e que vivem numa situação de miséria difícil de ser imaginada.

Essa recepção emudecida reflete, talvez, o modo como Padilha compõe a sua visão documental, impedindo que o espectador tenha qualquer margem para imaginar algo, pois não há, num primeiro momento, qualquer tipo de intelectualização. Por isso, o diretor optou por retirar tudo o que não fosse essencial a essa maneira de filmar. A fotografia é em preto e branco, bastante granulada, obtida com um câmera super 16mm, quase sempre utilizada na mão. Além disso, o som é direto, não há música nem efeitos digitais.

Todo essa aridez visual e sonora força o espectador a ter uma experiência imersiva de contato com esses seres humanos e remete principalmente ao “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos, que também tem semelhanças temáticas com “Garapa”. Além de contribuir para uma questão estética do filme, a ausência de cores parece ter sido uma opção narrativa de Padilha, na medida em que não há cor possível, num ambiente tão miserável e sombrio. Da mesma forma, não há como musicar as situações mostradas.

O título “Garapa” se refere à mistura de água e açúcar que as mães dão aos filhos, em substituição ao leite e outros alimentos para mascarar a fome e dar energia durante o dia. Não há comida, mas também não há higiene, não há saúde e não há condições para uma vida digna. O filme se resume a brutalidade dos fatos e são eles que denunciam a miséria social dessas famílias. A aproximação se dá no âmbito emocional e o espectador compartilha a sensação terrível de sentir fome, que é repetida à exaustão. “Garapa” não é um filme leve ou agradável e, igualmente, viver as situações mostradas passa ao longe de ser agradável.

 


Apesar de não ser nenhuma novidade o que está colocado na tela, mostrar de maneira enfática e atirar a pobreza na cara das pessoas representa, talvez, uma revolta de Padilha com a atitude de distanciamento que mantemos em relação a esses problemas. O documentário nos força a abandonar a inércia filosófica e sentir quase que fisicamente a intensidade dessa indigência. Assim, a câmera de Padilha chega a ser cruel ao mostrar detalhes que impedem qualquer tipo de glamourização da miséria.

É impressionante também como as três famílias aceitam viver normalmente na presença da câmera. Claro que há encenações, como em qualquer outra filmagem com proposta documental, mas os personagens de “Garapa” sentem-se à vontade para serem observados e até brigam entre si, em determinado momento do filme. Assim como o Sandro, de “Ônibus 174” (primeiro documentário de José Padilha), essas pessoas encaram as câmeras, talvez, como uma possibilidade de abandonarem a invisibilidade, com a qual sempre conviveram, nem que seja por apenas algumas horas. 

Indo ao encontro da proposta do filme, José Padilha faz algumas intervenções pouco elaboradas, mas eficazes ao questionar a obviedade de alguns fatos como, por exemplo, a insistência dessas famílias em terem filhos, sendo que o aumento da prole é diretamente proporcional ao aumento das dificuldades de vida. Em outra situação, o diretor revela que influenciou diretamente à realidade filmada ao dar um analgésico a determinado garoto que sofria com dores nos dentes e, em seguida, vem uma tentativa do diretor de explicar ao pai do menino que a dor melhorava com o remédio, mas o problema dentário continuava.  

São essas interferências que denunciam que a miséria não é somente social, mas também intelectual, pois não há como existir um discernimento mental correto em condições tão adversas de sobrevivência. As poucas alternativas que essas pessoas têm para combater a pobreza – os programas governamentais como, por exemplo, o “Fome Zero”, que apenas uma das três famílias recebe – são vistas como dádivas por aqueles que as usufruem. Porém, além de não se estenderem a todos que necessitam, funcionam exatamente como o analgésico que Padilha se esforça para explicar: melhoram os sintomas, mas não curam. Uma metáfora simples, mas que tem força e, talvez, explique a clara intervenção do diretor.

Enfim, “Garapa” não propõe soluções, mas demonstra, da maneira mais simples possível, o quão urgente algo precisa ser feito. Em tempos de Big Brother, Padilha faz o seu próprio “reality show”, este sim fiel à realidade, pois, em “Garapa”, ninguém pode, por exemplo, pular amarelinha ou participar de gincanas para ganhar a sua comida. Simplesmente não há alimento. Que bom seria se esse “reality show” tivesse tanto público como o Big Brother ou se “Garapa” fosse tão discutido e tão assistido como “Tropa de Elite 1 e 2”, do mesmo José Padilha.

José Padilha troca o violento Rio de Janeiro pelo miserável agreste nordestino

Texto enviado pelo colega Itamar Cardin e publicado na Revista Paradoxo


Filmar a fome não é dos mais nobres ou tranqüilos desafios. Primeiro, há um problema de ordem quase técnica: como materializar em imagens uma questão tão universalmente debatida sem ao mesmo tempo recair em um didatismo televisivo, em um pieguismo adocicado, em um reducionismo ligeiro do próprio problema da fome? E, da própria opção em se filmar a fome, decorre uma segunda questão: é ainda legítimo fazer cinema político?  

Antes de se aventurar no premiado e polêmico Tropa de Elite, e após ser alçado ao estrelato por Ônibus 174, o cineasta José Padilha filmou um documentário sobre a fome. Garapa, que somente agora estreará em circuito, filma o dia-a-dia de três famílias cearenses miseráveis, e que sofrem com o problema da fome. As peculiaridades de cada uma, presentes logo no começo do filme, ajudam identificá-las com distinção. 

Duas dessas famílias vivem no sertão, ambas possuem muitos filhos. Em uma delas, no entanto, onde as crianças sempre aparecem brincando, a conversa com Padilha é mais fluente; na outra, a fala pausada dos pais geralmente é cortada pelo choro das crianças. De Fortaleza, a terceira é atormentada pela loucura do pai, que passa o dia profetizando e ameaçando trocar a comida da casa por bebida.  

Padilha faz claras opções na condução do filme. Os princípios do cinema direto - gênero de documentário onde se busca a captação direta da realidade, sem intervenção - são seu cerne principal. Poucas perguntas são feitas e a rotina das famílias corre livremente aos olhos do espectador. Também não há a utilização de cor [é inevitável pensar na semelhança com o Cinema Novo], trilha sonora e zoom, o que, nas palavras de Padilha, foi uma tentativa de representar ao espectador o vazio deixado pela fome. 

Não necessariamente pela falta de cor ou de som, mas é exatamente este vazio que sempre predomina. As três famílias parecem viver em uma realidade à parte, em um nó obtuso onde o sistema de políticas públicas jamais conseguirá chegar ou entender. Não se trata apenas de passar fome. O que se vê é um buraco desconhecido, que por desconhecido pouco pode ser preenchido.

Em uma das intervenções de Padilha, ele pergunta ao pai dos brincalhões quanto tempo dura a cesta enviada mensalmente pelo Fome Zero. O patriarca, consultando a mulher, responde que mais ou menos doze dias. O diretor quer então saber o que é feito no resto do mês. Ninguém responde. Em outra cena, a mãe de Fortaleza leva a filha a uma assistente social, para verificar como anda a subnutrição da pequena. A disponível funcionária ouve, dá recomendações sobre a vida conjugal, critica o marido louco, pergunta sobre a escola. Por fim, orienta sobre como alimentar melhor a menina e contornar os danos da fome. A mãe responde que o alimento solicitado não existe em casa. A funcionária tenta a segunda e a terceira opção. Nada. “Você não tem nada do que peço. Assim, não poderei te ajudar”, conclui.

Cenas que parecem meio surreais, quase inverossímeis ou produzidas, mas que ganham força pela opção de Padilha. Começa aí o grande acerto do filme: a opção quase naturalista ao se falar da fome. Há pouco a ser dramatizado ou acrescentado quando a realidade é irrefutável. O filme transcorre quase como que em uma exposição, árida e agreste, tentando canalizar a força da imagem para representar um problema de proporções históricas e devastadoras.

Ao longo dessa exposição, nota-se também um notável trabalho de montagem. A passagem de uma cena para outra muitas vezes parece linear, como se as famílias fossem as mesmas, como se os problemas enfrentados por indivíduos tão distintos fossem sempre os mesmos.
A tônica é a mesma no início, no meio e no fim, como um pêndulo, em imagens que vão e voltam sempre. Repetição que acaba criando um mapeamento abrangente e universal da fome e da miséria: desemprego, falta de chuva, alcoolismo, homens omissos, mulheres batalhadoras, crianças doentes, falta de planejamento, desesperança.

É, aliás, nessa desesperança das famílias que reside uma das sensações mais angustiantes do filme. Os dias, salvo provavelmente quando aparecem os serviços temporários, parecem idênticas, cansativas repetições um dos outros. Não há novos desejos, novos futuros, novos medos. É sempre a fome.

Longe da violência carioca, que marcou seus dois grandes sucessos, Padilha faz aqui seu filme mais necessário. Obra que universaliza e materializa um problema tão complexo, que tem a força devida para reavaliar certos fantasmas nem tão mortos assim. A fome, afinal, é um pêndulo. Um moto-contínuo.

Cinefusão apoia Manifesto "O Movimento é Cultural e a Política é Pública"

I Mostra Cultural do Grajaú



quinta-feira, 11 de novembro de 2010

18º Festival Mix Brasil de Cinema de Diversidade Sexual


De  11 a 18 de novembro
Em São Paulo. Locais de exibição: Cine Dom José, Cine Olido, CineSESC, Espaço Unibanco, MIS, SESC Ipiranga, SESC Itaquera e Teatro Gazeta
Os preços dos ingressos variam conforme local de exibição (de entrada franca a R$20)
Mais informções: site oficial

Rua Augusta é palco de guerrilha audiovisual




Intervenção realizada pelo mesmo coletivo de artistas 

Nesta quinta-feira, dia 11, começa o Vídeo Guerrilha, projeto idealizado pelo VJ Alexis Anastasiou, da Visualfarm. O evento, com duração de três dias, será realizado no baixo Augusta, entre as ruas Fernando de Albuquerque e Marquês de Paranaguá, sempre a partir das 20h.

Com intervenções de arte-mídia na arquitetura das edificações, o Vídeo Guerrilha será realizado de forma coletiva por artistas de audiovisual de diferentes locais do Brasil e do mundo.

Seu formato inovador vai transformar a Rua Augusta e arredores em uma galeria de arte ao ar livre e aberta ao público, sem que as atrações estejam confinadas a palcos, tendas ou salas de concertos. O evento explora as possibilidades de mudanças no espaço urbano por meio de instalações, grafitti virtual e projeção de imagens em tamanhos gigantescos.

“A própria Augusta e os prédios da região serão o palco principal. Queremos explorar as oportunidades de intervenção e mudanças nesse importante espaço urbano”, diz Alexis, que vai apresentar, no Edifício Cianita, ao lado de outros artistas da Visualfarm, diferentes técnicas e soluções visuais, além de recursos interativos e de realidade aumentada.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Não vi e Não gostei: "Muita calma nessa hora"

Em homenagem a Oswald de Andrade e sua polêmica frase "Não li e não gostei". Sugiro uma nova seção no blog do coletivo, como um guia prático, de utilidade pública, para melhor utilizar seu tempo ao invés de desperdiçá-lo.

E a dica do dia de Não vi e Não gostei é:


Como diria um grande amigo E. Martorelli "Estou esperando ficar cego para ver esse filme.

Estréia nesta sexta: Não vá! :)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Estreia do CineÍndia em São Paulo


O CineÍndia, que abrirá suas portas já no próximo domingo, dia 14 de novembro, às 18h30, com o dispensa apresentações "Taare Zameen Par". O novo Cineclube tem como proposta definir um novo olhar sobre a maior indústria de cinema do mundo. Só em 2009, a Índia contou com 1288 produções, contra apenas 600 da poderosa Hollywood. Rendeu 1 bilhão de dólares anuais e recebeu uma média de 1,1 bilhão de espectadores por trimestre - o equivalente à população inteira do país.

E engana-se quem pensa que tamanha produtividade significa baixa qualidade. Após pesquisa intensa feita há quatro anos, queremos mostrar a força e as peculiaridades deste cinema, que difere bastante dos padrões com os quais estamos acostumados, seja americano, latino-americano ou europeu.

Nesta primeira sessão, será exibido "Taare Zameen Par – Como Estrelas na Terra". Ganhador de vários prêmios, o filme causou uma revolução social na Índia ao questionar o sistema educacional infantil dentro e fora das escolas.


Cineclube CINEÍNDIA 
14 de Novembro de 2010, às 18h30.
Local: CECISP – Centro Cineclubista de São Paulo
Rua Augusta, 1239, sala 13
Próximo ao Metrô Consolação 
Grátis
Para mais informações:
11 98044835 (Ibirá) ou 11 95625273 (Heber)
 
11-9804-4835 begin_of_the_skype_highlightingOrganização: Ibirá Machado e Heber Souza, em parceria com o Centro Cineclubista (CECISP).

Sobre o filme:
“Taare Zameen Par” explora a vida e a imaginação de Ishaan, de 8 anos. Embora seja talentoso em artes, sua desastrosa vida escolar força seus pais a enviá-lo a um internato. Mas o novo professor de artes suspeita que exista algo de peculiar em em Ishaan que o faz ir mal na escola.

Sobre o Diretor:
Antes de estrear na nova posição, Aamir Khan tornou-se o mais bem-sucedido ator da Índia. Seus filmes costumam batem recordes de bilheteira em questão de alguns dias. Seu último trabalho, 3 Idiots, conseguiu o marco de maior bilheteria de todos os tempos na Índia, arrecadando 90 milhões de dólares, quebrando o recorde alcançado anteriormente pelo filme Ghajini, também protagonizando por Khan um ano antes.

*O CineÍndia e o Cinema Indiano são parceiros do Cineclube CineFusão e do CECISP.

 

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Yalode e a Cultura Afro


Cinemark - Exibição de filmes nacionais por 2 reais

Hoje, 8 de novembro tem 11ª edição do Projeta Brasil Cinemark. Em qualquer sala de cinema da rede Cinemark por apenas 2 reais para assistir um filme brasileiro. 


Para comemorar o Dia do Cinema Nacional, o Cinemark realiza desde 2000 o evento Projeta Brasil Cinemark. A iniciativa abre um espaço para as produções brasileiras. São mais de 1.600 sessões de cinema em um único dia.

Todas as salas de cinema exibem exclusivamente filmes brasileiros. E se você por acaso não está por dentro do nosso circuito, fique sabendo que estamos com ótimos filmes em cartaz… confere aí:


Feliz Natal
Chico Xavier
As Melhores Coisas do Mundo
Lula, O Filho do Brasil
Embarque Imediato
Eu e Meu Guarda-Chuva
Cabeça a Prêmio
Xuxa em o Mistério da Feiurinha
Federal
É Proibido Fumar
Quincas Berro D’Água
Antes que o Mundo Acabe
Os Famosos e os Duendes da Morte
Nosso Lar
Sonhos Roubados
400 Contra 1 – Uma História do Crime Organizado
5x Favela – Agora por Nós Mesmo
Tropa de Elite 2
Gui e Estopa e a Natureza
Reflexões de um Liquidificador
A Suprema Felicidade
Soberano, Seis Vezes São Paulo
Terras
A Guerra dos Vizinhos
Como Esquecer
Muita Calma Nessa Hora



Mais informações e programação: http://www.cinemark.com.br/trailer.html?v=8rwzbtrz4cpw

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Cineclube Cinefusão exibe "Garapa", de José Padilha

Greve na unifesp


O coletivo cinefusão apoia e divulga a ação de estudantes  da unifesp que dizem não ao sucateamento do ensino e o desdém do estado para aquilo é público, logo não é apenas dos estudantes, mas do povo. Ainda mais se tratando da unifesp de guarulhos, por exemplo, que está e meio a comunidade.

Na Assembléia dos estudantes da UNIFESP Guarulhos realizada na noite de 21/10, os estudantes decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. Atualmente os novos campi UNIFESP possuem pouca ou nenhuma estrutura, como bibliotecas, laboratórios ou quadras poliesportivas, vitais para o pleno funcionamento de uma Universidade, e carece de uma política eficiente de permanência estudantil, como bolsas-auxílio, moradia estudantil e restaurante universitário, dificultando o acesso dos estudantes mais pobres à universidade.

Diante da carência de respostas concretas aos problemas apresentados pelos estudantes, foi deliberada a paralisação das atividades acadêmicas como forma de aumentar a pressão junto a Reitoria, somando-nos aos estudantes da UNIFESP Baixada Santista, que começaram a paralisação já no dia 06/10.


Principais reivindicações:

1.Construção imediata do novo prédio definitivo do campus Guarulhos;

2.Diminuição do preço da refeição do bandejão - Fim da terceirização do R.U.;

3.Implantação imediata da linha de ônibus Itaquera – Pimentas;

4.Construção da moradia estudantil próxima à Universidade

5.Garantia da conclusão da graduação (não ser jubilado antes dos oito anos de curso).

Fonte: http://cahisunifesp.wordpress.com/2010/10/22/greve-na-unifesp-guarulhos/

Maiores informações: http://unifespemgreve.wordpress.com/