O Coletivo Cinefusão surge, no final de 2008, a partir da iniciativa de trabalhadores de diversas áreas - cinema, jornalismo, publicidade, artes cênicas, filosofia, arquitetura, fotografia -, empenhados em criar primeiramente uma rede colaborativa que pudesse dar conta da junção dessas linguagens e também da possibilidade de abarcar potencialidades em busca de produção artística independente, mas também de reflexões concretas acerca da sociedade. É principalmente sobre este último pilar de atuação política, que o grupo vem, atualmente, pensando o cinema, sempre vinculado a outras expressões artísticas e movimentos sociais.

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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Grupo armado ameaça moradores em visita da CDHU

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/909256-grupo-armado-ameaca-moradores-em-visita-da-cdhu.shtml


Homens que acompanhavam uma ação de demolição da companhia de habitação paulista no extremo oeste da capital ameaçaram com armas moradores que tentaram resistir à intervenção.

O episódio ocorreu em 17 de março na Vila Nova Esperança, uma invasão dos anos 1970 encravada numa área de preservação ambiental.

A CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano) enviou técnicos ao local para derrubar parte das 500 casas da área.

Os moradores resistiram e os técnicos foram embora. Homens que os acompanhavam, no entanto, permaneceram no local e começaram a discutir com as pessoas.

No meio da confusão, esses homens sacaram armas, similares às usadas por policiais, e apontaram para os moradores. As cenas acabaram registradas em um vídeo ao qual a Folha teve acesso.

Nas imagens, é possível ver também um homem usando spray de pimenta.

A CDHU reconhece no vídeo sua equipe, que aparece junto aos homens armados, mas não confirma que todos, incluindo os homens armados, estavam a seu serviço.

HISTÓRICO

A Vila Nova Esperança está em terreno que foi alvo de uma ação civil do Ministério Público do Meio Ambiente contra a CDHU, dona da área, que havia autorizado a utilização do espaço como um entreposto de alimentos.

Em 2004, a Justiça atendeu ao pedido do Ministério Público e mandou desocupar o local a fim de torná-lo área de proteção ambiental --o local virou oficialmente área de conservação dois anos depois, com a publicação de um decreto do governador.

Na sentença da ação da promotoria do Meio Ambiente, o juiz pede à CDHU que remova entulho, construções e que tome providência para desocupação em caso de "nova invasão", ou seja, considera que a área já está desocupada, sem nenhuma casa.

Os moradores, então, pediram a interrupção da desocupação, já que a Justiça não sabia que havia gente ali.

A Justiça iria analisar o pedido naquele dia 17 de março, só que no período da tarde. Como os técnicos da CDHU chegaram para demolir casas pela manhã, os moradores resolveram resistir.

Os técnicos foram embora, os homens armados ficaram e iniciou-se a confusão.

Cerca de metade das 500 famílias que moram atualmente na área está apta a receber financiamento habitacional da CDHU.

Desde o episódio dos homens armados, cerca de 40 famílias foram removidas do local. A desocupação total ainda está em curso.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Na França, Kassab é surpreendido por protesto



São Paulo – Solidários aos ativistas contrários ao aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, um grupo de manifestantes aproveitou a visita oficial do prefeito Gilberto Kassab (DEM) a Paris para protestar em frente à entrada da Feira Internacional dos Profissionais do Setor Imobiliário.
A manifestação ocorreu na terça-feira 8. Nesta quarta 9, Kassab apresentou na feira dois projetos, o Nova Luz e o Centro de Convenções que pretende construir em Pirituba, conhecido como Piritubão.
Na capital paulista, manifestantes foram às ruas em uma série de manifestações contra o aumento da tarifa de R$ 2,70 para R$ 3. A última passeata reuniu 1.500 pessoas e percorreu a Avenida Paulista, caminhando depois para o centro da cidade, sede da Prefeitura. Na quinta-feira 10,  o movimento promete fazer um ato diante da residência de Kassab (DEM), com concentração na frente do Shopping Iguatemi a partir das 17h.
*Matéria publicada originalmente na Rede Brasil Atual

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Coronéis já chefiam 16 das 31 subprefeituras


A presença da Polícia Militar continua em expansão na Prefeitura de São Paulo. Mais três subprefeituras da cidade - Casa Verde, na zona norte, Pirituba-Jaraguá, zona oeste, e Guaianases, na zona leste - vão passar para o comando de coronéis da PM partir de hoje. Das 31 administrações regionais, atualmente 16 titulares são da reserva da PM.

A expansão dos policiais militares não se restringe aos principais cargos das subprefeituras. Outros três oficiais assumem no mesmo dia como chefes de gabinetes dessas regionais. Com a movimentação desse começo de ano, já são 20 oficiais na chefia de gabinete e 23 em posições de segundo escalão, como coordenadorias de planejamento e desenvolvimento urbano ou de projetos e obras.

Dos novos três coronéis subprefeitos, apenas Robert Eder Neto, que será o titular em Guaianases, integra pela primeira vez a administração municipal. Neto, de 51 anos, foi diretor de Logística da PM, comandou o policiamento de Osasco e região, na Grande São Paulo e teve uma longa atuação na Corregedoria até entrar para a reserva no ano passado. 'Tenho conhecimento do serviço público em virtude de 36 anos na polícia', disse ele, que visitou duas vezes a subprefeitura de Guaianases nesta semana para 'tomar pé da situação'.

Indicação. O coronel assume a gestão de um local pobre, onde estão bairros como o Jardim Romano, que no ano passado sofreu com inundações, em alguns casos, em áreas invadidas. 'A região é carente, faz parte da nossa atividade coibir novas invasões.' De acordo com Neto, o convite para o cargo deve ter partido da indicação dos próprios oficiais que já atuam na Prefeitura - uma vez que ele afirma não ter ligação direta com o secretariado ou com o prefeito Gilberto Kassab (DEM).

O novo subprefeito de Pirituba-Jaraguá, o tenente-coronel Sérgio Carlos Filho, era chefe de gabinete da Subprefeitura Jaçanã-Tremembé desde maio. Ingressou na administração municipal em 2009 na coordenadoria de administração e finanças da Subprefeitura de Perus. Já o coronel Airton Nobre de Mello era chefe de gabinete da Casa Verde e assume agora como seu titular. Ambos preferiram não falar antes de assumir.

Fardados. As mudanças envolvendo oficiais da PM incluem a transferência do coronel Fernando de Souza Brito da chefia de gabinete da Subprefeitura de Guaianases para a de Pirituba-Jaraguá. Ao todo, 57 oficiais aposentados trabalham nas subprefeituras. Contando as vagas em outras secretarias da administração municipal, os policiais já chegam a 78. Já há mais oficiais da reserva trabalhando na administração municipal que coronéis na ativa - são 61 atualmente na Polícia Militar em todo o Estado. Eles só assumem a vaga depois que passam para a reserva.

Em um ano, o total de oficiais da reserva exercendo a função de subprefeito se multiplicou por cinco e o número de policiais na máquina municipal dobrou. A Prefeitura argumenta que o critério de escolha dos policiais militares é exclusivamente sua capacidade gerencial.

O emprego dos coronéis nas subprefeituras ocorre paralelamente à mudança de papel das subprefeituras realizada pela atual gestão. Kassab voltou a centralizar a administração, diminuindo o orçamento e tarefas das regionais. Cabe às subprefeituras atualmente cumprir tarefas de zeladoria, serviços de tapa-buraco e cortes de vegetação.

PARA ENTENDER

Estratégia surgiu após escândalo

A estratégia de usar quadros da PM na Prefeitura teve início em julho de 2008, com a indicação do coronel Rubens Casado para a Subprefeitura da Mooca. Casado foi para a administração um dia depois do escândalo de propinas envolvendo fiscais e camelôs.

Para tentar diminuir a sensação de desordem e melhorar a eficiência dos serviços de zeladoria, a presença da PM se disseminou rapidamente. A parceria se intensificou quando, em 2009, a gestão criou a Operação Delegada (conhecida como 'bico oficial').