O Coletivo Cinefusão surge, no final de 2008, a partir da iniciativa de trabalhadores de diversas áreas - cinema, jornalismo, publicidade, artes cênicas, filosofia, arquitetura, fotografia -, empenhados em criar primeiramente uma rede colaborativa que pudesse dar conta da junção dessas linguagens e também da possibilidade de abarcar potencialidades em busca de produção artística independente, mas também de reflexões concretas acerca da sociedade. É principalmente sobre este último pilar de atuação política, que o grupo vem, atualmente, pensando o cinema, sempre vinculado a outras expressões artísticas e movimentos sociais.

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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Noitão Belas Artes - "Ligações Perigosas"

Na próxima sexta, dia 11, às 23h50, o Cine Belas Artes apresenta o Noitão "Ligações Perigosas", com duas pré-estreias e uma reprise, além do filme surpresa.

Os inéditos serão O Retrato de Dorian Gray, de Oliver Parker, e Em Um Mundo Melhor, de Susanne Bier. Negócios à Parte, de 1997, com direção de Claude Chabrol, será a reprise. As “ligações perigosas” entre os personagens de cada história inspiraram o tema desse Noitão.

O espectador só poderá assistir a três filmes e serão feitas combinações diferentes, uma para cada sala, sempre incluindo pelo menos um dos filmes inéditos. A escolha do programa precisa ser decidida no ato da compra do ingresso. Nos intervalos entre as sessões os espectadores participam de sorteios de brindes, e no encerramento é oferecido um café da manhã.

O RETRATO DE DORIAN GRAY (Dorian Gray)
Reino Unido, 2009, cor, 112 min., 14 anos.
Direção: Oliver Parker
Elenco: Colin Firth, Ben Barnes e Caroline Goodall.
Londres. Dorian Gray é um belo e ingênuo jovem, levado à alta sociedade local por Henry Wotton, que lhe apresenta os prazeres hedonistas da cidade. Nesse meio o rapaz conhece um artista que resolve pintar um retrato seu. Ao ver o quadro, Dorian faz a promessa de que daria tudo, até mesmo sua alma, para permanecer sempre com o visual nele estampado. Adaptação do clássico romance de Oscar Wilde, já levado às telas diversas vezes.


EM UM MUNDO MELHOR (In a Better World)
Suécia/Dinamarca, 2010, cor, 113 min., 14 anos.
Direção: Susanne Bier
Elenco: Mikael Persbrandt, William Jøhnk Nielsen e Markus Rygaard.
Um médico trabalha em um campo de refugiados em um lugar qualquer da África. Na Dinamarca, seu país natal, estão sua ex-mulher e seus dois filhos, sendo que um deles é vítima constante de bullying violento na escola. Paralelamente, acompanhamos a história de um garoto que emigra para a Dinamarca, ao lado de seu pai após a morte recente da mãe. Logo dois mundos distintos que irão se cruzar e novas preocupações virão à tona. Vencedor do Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, e candidato ao Oscar, na mesma categoria.


NEGÓCIOS À PARTE (Rien ne va Plus)
França, 1997, cor, 105 min, 14 anos.
Direção: Claude Chabrol
Elenco: Isabelle Huppert, Michel Serrault e François Cluzet.
Viajando pela França, Victor e Betty fazem um casal insólito e surreal de dois pequenos ladrões. Até que um dia se vêem envolvidos no tráfico internacional de dinheiro sujo.

NOITÃO “LIGAÇÕES PERIGOSAS”, NO BELAS ARTES
Sexta-feira, 11 de fevereiro, a partir das 23h50.
Ingressos: R$ 20,00 (estudantes e idosos pagam meia-entrada), à venda a partir das 16h da quarta-feira.
Cine Belas Artes
Rua da Consolação, 2423
Tel.: 3258-4092
Os ingressos podem ser adquiridos pela internet também: www.ingresso.com.br

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Belas Artes segue aberto até fevereiro

fonte: Cinnamon Comunicação

Desde o dia 06 de janeiro, quando foi anunciado que o Belas Artes, um dos cinemas de rua mais tradicionais de São Paulo, iria encerrar suas atividades em 27 de janeiro, uma mobilização espontânea da sociedade e imprensa se iniciou na cidade. O desdobramento foi positivo e nesta semana, dia 18 de janeiro, o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) decidiu pela abertura do processo de tombamento do Cine Belas Artes, que deve ser decidido nos próximos três meses.

"Tendo em vista a decisão de abertura do processo de tombamento, decidimos manter o Belas Artes em funcionamento até o vencimento do contrato de permanência, que expira em 28 de fevereiro, para podermos ter tempo de negociar com o proprietário a renovação do contrato de locação. Com toda essa mobilização e com a decisão do Conpresp não abriremos mão de nenhum dia", afirma André Sturm, proprietário do cinema.

Com isso, os fãs do Belas Artes ainda têm mais de um mês para conferir a programação do cinema. Os destaques são o Noitão Edição Extra, que acontece nesta sexta-feira e exibirá cinco filmes, mesclando três sucessos de edições anteriores com duas pré-estreias. Os inéditos serão O Amor e Outras Drogas, comédia romântica estrelada por Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway, e o independente Inverno da Alma, duplamente premiado no Festival de Sundance, como melhor filme e melhor roteiro. A programação será completada pelas reprises de Labirinto de Paixões (1982), de Pedro Almodóvar; O Hotel de Um Milhão de Dólares (2000), de Wim Wenders; mais um filme-surpresa.

Até o dia 27 de janeiro, o público poderá conferir ainda uma retrospectiva com os maiores títulos exibidos no Belas Artes ao longo dos 68 anos de sua rica história, e também uma seleção especial com outros grandes clássicos do cinema mundial. Diariamente, os Sucessos do Belas Artes serão exibidos às 18h30, e os Clássicos Cult às 21hs.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Belas Artes e o tombamento

FONTE: DESTAK

Em reunião ordinária ontem pela manhã, o Conpresp decidiu abrir processo para tombamento do prédio onde fica o Belas Artes, na esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação. Após a medida, a diretoria do cinema vai propor a renovação do aluguel.

"O dono pode decidir simplesmente fechar o imóvel e não querer nada funcionando naquele espaço. É um direito dele. A direção do Belas Artes, no entanto, irá propor uma renovação de contrato de locação o quanto antes", disse ao Destak, por e-mail, Léo Mendes, responsável pela programação da sala, após conversar com André Sturm, dono do cinema. 

Segundo a assessoria do Conpresp, nos próximos três meses serão realizados estudos técnicos para decisão quanto ao tombamento definitivo. Se isso não garante que o cinema permaneça aberto, ao menos faz com que o proprietário do imóvel, Flávio Maluf, não altere suas características. Ele pode também, se quiser, utilizar as salas para alguma atividade, mas não transformá-las em uma loja, como é seu desejo. 

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a loja teria oferecido o triplo do valor que André Sturm, dono do cinema, paga a Maluf. O proprietário recebe, atualmente, R$ 60 mil mensais pelo aluguel do prédio. 

sábado, 8 de janeiro de 2011

RETROSPECTIVA DE CLÁSSICOS NO CINE BELAS ARTES

O tradicional Cinema Belas Artes encerra suas atividades no dia 27 de janeiro de 2011, mas antes irá prestigiar seus fiéis e entusiastas frequentadores com uma retrospectiva que conta com os maiores títulos exibidos em suas salas ao longo dos 68 anos de sua rica história, e também uma seleção especial com outros grandes clássicos do cinema mundial.

Diariamente, de 14 a 27 de janeiro, os Sucessos do Belas Artes serão exibidos às 18h30, e os Clássicos Cult, às 21hs.

Os ingressos destas sessões custará R$4,00.

Segue abaixo a programação da RETROSPECTIVA:

dia 14
18:30h - “As Bicicletas de Belleville” (França, 2003; de Sylvain Chomet)
21:00h - “Amores Expressos” (China, 1994; de Wong Kar-wai)

dia 15
18:30h - “Morte em Veneza” (Itália, 1971; de Luchino Visconti)
21:00h - “O Encouraçado Potemkin” (Rússia, 1925; de Serguei Eisenstein)


Gustav Von Aschenbach em "Morte em Veneza"
dia 16
18:30h - “Paixão Selvagem” (França, 1976; de Serge Gainsbourg)
21:00h - “A Regra do Jogo” (França, 1939; de Jean Renoir)

dia 17
18:30h - “Meu Tio” (França, 1958; de Jacques Tati)
21:00h - “Segunda-Feira ao Sol” (Espanha, 2002; de Fernando León de Aranoa)

dia 18
18:30h - “O Ilusionista” (EUA/República Tcheca, 1976; de Neil Burger)
21:00h - “Música e Fantasia” (Itália, 1976; de Bruno Bozzetto)

dia 19
18:30h - (a confirmar)
21:00h - “ Lúcia e o Sexo” (Espanha, 2001; de Julio Medem)

dia 20
18:30h - “ Cría Cuervos” (Espanha, 1976; de Carlos Saura)
21:00h - “O Balão Vermelho” (França, 1956; de Albert Lamorisse)



dia 21
18:30h - (a confirmar)
21:00h - “A Lei do Desejo” (Espanha, 1987; de Pedro Almodóvar)

dia 22
18:30h - “Pai Patrão” (Itália, 1977; de Paolo e Vittorio Taviani)
21:00h - “Apocalypse Now” (EUA, 1979; de Francis Ford Coppola)

dia 23
18:30h - “Gritos e Sussurros” (Suécia, 1972; de Ingmar Bergman)
21:00h - “O Passageiro – Profissão: Repórter” (Itália, 1975; de Michelangelo Antonioni)

dia 24
18:30h - “Z” (França, 1969; de Costa-Gravas)
21:00h - “Quanto Mais Quente Melhor” (EUA, 1959; de Billy Wilder)

dia 25
18:30h - “ Crônica do Amor Louco” (Itália, 1981; de Marco Ferreri)
21:00h - “A Guerra dos Botões” (França, 1962; de Yves Robert)

dia 26
18:30h - “Johnny Vai á Guerra” (EUA, 1971; de Dalton Trumbo)
21:00h - "Vestida Para Matar” (EUA, 1980; de Brian de Palma)

dia 27
18:30h - “Possessão” (Alemanha/França, 1981; de Andrzej Zulawski)
21:00h - “A Malvada” (EUA, 1950; de Joseph L. Mankiewicz)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Após 68 anos, Belas Artes vai fechar as portas em São Paulo

FONTE: FOLHA ONLINE, REPORTAGEM DE ANA PAULA SOUSA


O Belas Artes, um dos mais antigos cinemas de São Paulo, se prepara para as últimas sessões. No dia 30 de dezembro, uma notificação judicial avisou: o imóvel, na esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação, tem de ser entregue até fevereiro.

Terminará, assim, uma história iniciada em 1943. Terminarão assim os "Noitões" que, nos últimos anos, chegaram a reunir, madrugada adentro, mil pessoas.

A ameaça de fechamento do cinema veio a público em março de 2010, quando o HSBC pôs fim ao patrocínio. André Sturm, o proprietário, começou então a bater à porta de algumas empresas, atrás de nova parceria.

Conversa daqui, conversa dali e, em novembro passado, foi acertado novo apoio. A minuta do contrato estava sendo finalizada quando veio a surpresa. "O proprietário disse que queria o imóvel de volta porque ia abrir uma loja lá", diz Sturm.

Sturm conta que havia se comprometido a pagar um novo valor de aluguel, de R$ 65 mil, assim que fechasse o patrocínio. "Tínhamos um acordo, mas ele não cumpriu", diz o dono do cinema.

Procurado, o proprietário do imóvel, Flávio Maluf (que não é filho de Paulo Maluf), não precisou sequer ouvir uma pergunta. A identificação da reportagem da Folha foi suficiente para que dissesse não ter nada a declarar.

"Ligue para o meu advogado", recomendou. Enquanto ditava nome e telefone, interrompeu a fala e perguntou: "Mas é a respeito do quê?". Informado, ensaiou uma explicação: "Perderam o prazo... Não tenho nada a declarar". O advogado não retornou as ligações.

Maluf passou a responder pelo imóvel há dois anos, quando seu pai morreu. "Venceu a visão mesquinha", diz Sturm. 


Ontem, os 32 funcionários receberam o aviso prévio. 


ÚLTIMA FASE


Sturm assumiu o cinema em 2002, quando os antigos proprietários decretaram o negócio inviável. O espaço, de fato, estava com as instalações decadentes e a programação descaracterizada. 


Vieram a seguir a sociedade com a O2, produtora do cineasta Fernando Meirelles e, em 2003, o apoio do HSBC.


A ameaça do fim, em 2010, fez com que, no ano passado, a cidade se mobilizasse para salvar o Belas Artes. A campanha tanto deu resultado que o patrocínio chegou.


Dentre as marcas que esta última fase deixará estão o "Noitão" e a longa permanência de alguns filmes.


Pelo menos quatro títulos ficaram mais de um ano em cartaz: "O Filho da Noiva", "Bicicletas de Belleville", "2046 - os Segredos do Amor" e "Medos Privados em Lugares Públicos".


CINEFILIA

A tradição cinéfila do espaço firmou-se na década de 70. O cinema pertencia ao grupo francês Gaumont que, além de exibidor e distribuidor, era produtor de cineastas autorais, como Fellini e Antonioni. 

Na década de 80, foram muitos os cineastas brasileiros a escolher o Belas Artes como tela preferencial para suas estreias e foram muitos os espectadores a formar filas na Paulista, para conseguir um lugar nas sessões de "Daunbailó", de Jim Jarmusch, e "Terra dos Bravos", de Laurie Anderson. 

Para evitar que toda essa memória se esvaia do dia para a noite, Sturm fará, a partir do dia 14, duas retrospectivas. Uma trará clássicos do cinema. Outra, clássicos do Belas Artes. E não é só: "Meu compromisso é abrir outro cinema do mesmo tipo. Já tenho lugares em vista."